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Académica OAF 0-0 Gil Vicente FC: A falta de astúcia e o anti-jogo

Pedro Machado · 5 min

Académica OAF 0-0 Gil Vicente FC: A falta de astúcia e o anti-jogo

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Cabeçalho Futebol Nacional

O Gil Vicente vinha a Coimbra com a missão de cozer feridas abertas por dois desaires consecutivos – em Penafiel, para Liga, e em Vizela, para a Taça da Liga. Não teria vida fácil, pois em Coimbra sentia-se um espírito de imbatibilidade criado por uma sequência de 8 jogos seguidos sem derrotas que conferia à equipa da casa uma confiança enorme.

Portanto, duas equipas que procuravam a vitória. Uma por necessidade, a outra pelo hábito. E ambas deram provas disso mesmo nos instantes iniciais, fazendo jus à tarde fantástica que brindou Coimbra. Paulinho, do Gil Vicente, logo aos dois minutos, aproveitando um erro de Nii Plange, abriu a carreira de tiro, obrigando Ricardo a boa intervenção. A Académica respondeu com boa circulação de bola, própria de um equipa grande a jogar perante o seu público, mas cuja consequência maior, no primeiro quarto de hora, se resumiu a um remate de Pedro Nuno, a entrada da área, ao lado da baliza de Vozinha.

A Briosa ia-se balanceando para a frente, sem ter em atenção que, com isto, deixava as costas descobertas. Matreira, a equipa do Gil explorou isto e por duas ocasiões esteve perto de chegar ao golo – Abou Toure e Paulinho viram Ricardo negar-lhe os intentos.

Refeita do susto, a equipa da casa reagiu… com demasiada precisão. Marinho executou cruzamento milimétrico para o cabeceamento com excesso de colocação de Toze Marreco – embateu no poste. Não se ficou o Gil, e na sequência de um pontapé de canto batido por Arthur, Toure fez a bola beijar a trave da baliza academista.

A “parada-e-resposta” ficou-se por aí até final da primeira parte. É que a a partir daí desse terceiro aviso forasteiro, a Académica assentou jogo defensivo e partiu, com consistência, em busca da felicidade. Primeiro foi Vozinha, guarda-redes gilista, com grande estirada, a impedir que o passe de Marinho para Tozé Marreco tivesse um final feliz, depois foi a falta de aproveitamento dos avançados da Académica aos cruzamentos bem tirados de Traquina – Nii Plange cabeceou ao lado numa primeira instância e, depois, foi Tozé Marreco a falhar a emenda.

Mancha Negra, muito representada, esteve incansável no apoio à 'Briosa'
Mancha Negra, muito representada, esteve incansável no apoio à ‘Briosa’

A Académica ia para os balneários a dominar o jogo e só não terá feito mais devido à permissividade de Gonçalo Martins, árbitro da partida, perante a agressividade do Gil Vicente, que muito condicionou, de forma ilegal e sem sanção adequada (cartões ficaram no bolso), a saída de bola dos estudantes.

A segunda parte começou mais calma e equilibrada, sem alterações de ambos os lados, e a única situação de perigo nos primeiros quinze minutos foi criada por João Real, que cabeceou por cima em resposta a cruzamento de Makonda.

O Gil Vicente defendia mais, mantendo a agressividade, mas desta vez com a correspondente admoestação. Gonçalo Martins começou a mostrar cartões e isso inclinou o campo para a sua baliza. Primeiro, pela forma condicionada como abordavam os lances e, mais tarde, com a expulsão de Alphonse.

Em superioridade numérica, a Académica sufocou o Gil, encostando-o ao seu meio-campo, mas depois de duas oportunidades nos instantes iniciais a esta vantagem (primeiro, João Real cabeceou por cima, depois, Nii Plange, de livre, atirou a rasar a barra), a Briosa entrou numa crise de objectividade e o fruto do seu domínio apenas teve umas gotas de sumo espremido: sobre o minuto 90, altura em que, após canto, Toze Marreco, em plena pequena área gilista, atirou por cima. O resultado acaba por castigar a Académica, que foi quem mais procurou a vitória e beneficiar o Gil Vicente, que mais defendeu.

De um lado criticar-se-à o anti-jogo, do outro elogiar-se-à a performance táctica. Ambos com razões legítimas para o fazer. O que fica, e é inatacável, é o resultado e os pontos. 0-0 e um ponto de cada lado. Um bálsamo para o Gil, uma farpa para a Briosa (apesar dos aplausos, merecidos, dos adeptos no final do jogo), que perdeu a oportunidade de se aproximar da zona de subida, ficando agora a 6 pontos.

A FIGURA

Marinho brilhou, mas a Académica não venceu Fonte: Académica OAF
Marinho brilhou, mas a Académica não venceu
Fonte: Académica OAF

Marinho (Académica) – Vai sendo um hábito, e até parece mal haver uma monopolização deste prémio nos jogos caseiros da Académica, mas o capitão da Briosa está a fazer um dos melhores inícios de campeonato da sua já longa carreira e acaba por sobressair pela dinâmica que o seu inconformismo traz à equipa. Hoje foi notório, revelando-se o principal motor da equipa na procura, ainda que infrutífera, da felicidade. O seu esforço e abnegação, hoje, mereciam ser recompensados doutra forma.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: Académica OAF
Fonte: Académica OAF

Nii Plange (Académica OAF) – Perdeu uma bola proibida aos 2 minutos e, pouco depois, colocou Paulinho em jogo. Dois lances que permitiram ao avançado gilista a oportunidade de se isolar e inaugurar o marcador. Não o fez, para bem do burquines, que entretanto assentou o posicionamento, ainda que se tenha revelado algo displicente na tão querida hora de subir no terreno.

SALA DE IMPRENSA

Álvaro Magalhães (treinador do Gil Vicente)

«Grande jogo de futebol, duas equipas à procura da vitória, onde vimos um Gil Vicente bem trabalhado, com ambição de vir aqui discutir os três pontos. Penso que se na primeira parte fomos excelentes, na segunda fomos melhor ainda. (…) A equipa manteve-se consistente e equilibrada depois da expulsão e os jogadores estão de parabéns por tudo o que fizeram. A haver um vencedor seria o Gil Vicente. O resultado é injusto. (…) Desejo que a Académica antiga o objectivo , que é a subida. (…) Se não fosse a expulsão, tínhamos ganho o jogo. (…) Vocês sabem o amor que tenho pela Académica, é uma instituição que merece muito respeito, tal como muitas pessoas que a representam (algumas já cá não estão), e que sabem o que fiz por ela. (…) Quando jogava pelo Benfica e vinha a Académica, jogar contra pessoas que tinham sido importantes para a minha carreira, no fim jantava com elas. A guerra dentro de campo é outra coisa. (…) Esta equipa, com média de idades baixa, está a crescer. Daqui a uns meses poderá ser mais acutilante».

Costinha (treinador da Académica):

«Merecíamos mais que o empate. Do outro lado também houve várias oportunidades, mas também é por isso que as equipas jogam com guarda-redes e foi isso que o Ricardo fez nas duas ocasiões do Gil na primeira parte. (…) Tenho a certeza absoluta de que fomos mais fortes em tudo, menos nos foras-de-jogo, nos cartões, na perda de tempo. (…) Parece que as equipas que jogam connosco vêm cá para o pontinho não jogar a bola. Usam a desculpa de jogar a quarta-feira, mas se têm problemas em jogar a quarta-feira não assumam o comando técnico das equipas sabendo que têm calendário a cumprir, e se vêm para o campo para não jogar, deixem a profissão. Há pessoas que pagam bilhete para ver o jogo. (…) Uns que não rega a relva, porque a câmara não deixa, outros não a cortam porque não tem cortador, hoje foi a pouca vergonha do anti-jogo na segunda parte… enfim, as estratégias para ganhar são muitas. (…) Estou muito orgulhoso da minha equipa e dos meus jogadores, e penso que eles também estão satisfeitos com eles».

Pedro Machado

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