Académica OAF 0-0 Gil Vicente FC: A falta de astúcia e o anti-jogo

- Advertisement -

Cabeçalho Futebol Nacional

O Gil Vicente vinha a Coimbra com a missão de cozer feridas abertas por dois desaires consecutivos – em Penafiel, para Liga, e em Vizela, para a Taça da Liga. Não teria vida fácil, pois em Coimbra sentia-se um espírito de imbatibilidade criado por uma sequência de 8 jogos seguidos sem derrotas que conferia à equipa da casa uma confiança enorme.

Portanto, duas equipas que procuravam a vitória. Uma por necessidade, a outra pelo hábito. E ambas deram provas disso mesmo nos instantes iniciais, fazendo jus à tarde fantástica que brindou Coimbra. Paulinho, do Gil Vicente, logo aos dois minutos, aproveitando um erro de Nii Plange, abriu a carreira de tiro, obrigando Ricardo a boa intervenção. A Académica respondeu com boa circulação de bola, própria de um equipa grande a jogar perante o seu público, mas cuja consequência maior, no primeiro quarto de hora, se resumiu a um remate de Pedro Nuno, a entrada da área, ao lado da baliza de Vozinha.

A Briosa ia-se balanceando para a frente, sem ter em atenção que, com isto, deixava as costas descobertas. Matreira, a equipa do Gil explorou isto e por duas ocasiões esteve perto de chegar ao golo – Abou Toure e Paulinho viram Ricardo negar-lhe os intentos.

Refeita do susto, a equipa da casa reagiu… com demasiada precisão. Marinho executou cruzamento milimétrico para o cabeceamento com excesso de colocação de Toze Marreco – embateu no poste. Não se ficou o Gil, e na sequência de um pontapé de canto batido por Arthur, Toure fez a bola beijar a trave da baliza academista.

A “parada-e-resposta” ficou-se por aí até final da primeira parte. É que a a partir daí desse terceiro aviso forasteiro, a Académica assentou jogo defensivo e partiu, com consistência, em busca da felicidade. Primeiro foi Vozinha, guarda-redes gilista, com grande estirada, a impedir que o passe de Marinho para Tozé Marreco tivesse um final feliz, depois foi a falta de aproveitamento dos avançados da Académica aos cruzamentos bem tirados de Traquina – Nii Plange cabeceou ao lado numa primeira instância e, depois, foi Tozé Marreco a falhar a emenda.

Mancha Negra, muito representada, esteve incansável no apoio à 'Briosa'
Mancha Negra, muito representada, esteve incansável no apoio à ‘Briosa’

A Académica ia para os balneários a dominar o jogo e só não terá feito mais devido à permissividade de Gonçalo Martins, árbitro da partida, perante a agressividade do Gil Vicente, que muito condicionou, de forma ilegal e sem sanção adequada (cartões ficaram no bolso), a saída de bola dos estudantes.

A segunda parte começou mais calma e equilibrada, sem alterações de ambos os lados, e a única situação de perigo nos primeiros quinze minutos foi criada por João Real, que cabeceou por cima em resposta a cruzamento de Makonda.

O Gil Vicente defendia mais, mantendo a agressividade, mas desta vez com a correspondente admoestação. Gonçalo Martins começou a mostrar cartões e isso inclinou o campo para a sua baliza. Primeiro, pela forma condicionada como abordavam os lances e, mais tarde, com a expulsão de Alphonse.

Em superioridade numérica, a Académica sufocou o Gil, encostando-o ao seu meio-campo, mas depois de duas oportunidades nos instantes iniciais a esta vantagem (primeiro, João Real cabeceou por cima, depois, Nii Plange, de livre, atirou a rasar a barra), a Briosa entrou numa crise de objectividade e o fruto do seu domínio apenas teve umas gotas de sumo espremido: sobre o minuto 90, altura em que, após canto, Toze Marreco, em plena pequena área gilista, atirou por cima. O resultado acaba por castigar a Académica, que foi quem mais procurou a vitória e beneficiar o Gil Vicente, que mais defendeu.

De um lado criticar-se-à o anti-jogo, do outro elogiar-se-à a performance táctica. Ambos com razões legítimas para o fazer. O que fica, e é inatacável, é o resultado e os pontos. 0-0 e um ponto de cada lado. Um bálsamo para o Gil, uma farpa para a Briosa (apesar dos aplausos, merecidos, dos adeptos no final do jogo), que perdeu a oportunidade de se aproximar da zona de subida, ficando agora a 6 pontos.

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Vizela bate UD Leira pela margem mínima e Sporting B vence na reta final da visita ao AVS SAD: Eis os resultados do dia...

No arranque da nova temporada da Segunda Liga, o Vizela superou o UD Leiria por 1-0 e o Sporting B venceu no terreno do AVS SAD, também por 1-0.

Cruzeiro de Artur Jorge alcança o 5.º lugar do Brasileirão com vitória na receção ao Mirassol

Na 22.ª jornada do Brasileirão, o Cruzeiro de Artur Jorge recebeu e venceu o Mirassol por três bolas a uma.

Atenção, Benfica: Hearts reage ao desaire na Luz com goleada impulsionada por Cláudio Braga

Após a derrota pesada por 6-1 frente ao Benfica, o Hearts goleou o Dundee United por 4-0, com Cláudio Braga em grande destaque.

João Diogo Manteigas e João Noronha Lopes antes do Benfica x Académico de Viseu: «Vamos abrir as portas de todos os títulos»

João Diogo Manteigas e João Noronha Lopes, ex-candidatos à presidência do Benfica, lançaram comunicados em antevisão à 1.ª jornada da Primeira Liga.

PUB

Mais Artigos Populares

Petit destaca importância de um arranque positivo: «Sabemos que o futebol vive de resultados»

Petit lançou a receção do Santa Clara ao CD Nacional, na jornada inaugural da Primeira Liga. Técnico falou sobre a saída de quatro habituais titulares.

Chelsea empata e Liverpool sofre reviravolta: Vários portugueses em campo e um deles capitão

O Chelsea empatou 3-3 com o Johor DT, enquanto que o Liverpool perdeu com o AS Mónaco por 3-2. Ambos jogos de preparação.

João Gião lança primeira jornada e reflete sobre saída de Chucho Ramírez: «Não posso dizer que esperava, mas sabíamos que era uma possibilidade»

João Gião anteviu o Santa Clara x CD Nacional da 1.ª jornada da Primeira Liga e abordou a saída do goleador Chucho Ramírez para o Corum, na Turquia.