A CRÓNICA: ACADÉMICA X ESTORIL, UMA PARTE PARA CADA LADO

No primeiro jogo oficial da nova temporada, Académica entrou em campo com quatro reforços no onze inicial que, por isso, tiveram direito ao habitual canelão, uma praxe que consiste em levar com uns pontapés no traseiro por parte dos colegas mais experientes no clube e que estão dispostos em duas filas, formando um corredor. Nem a covid-19 impediu o concretizar desta tradição. O Estoril, já com uma jornada nas pernas, só fez uma mexida: Crespo entrou para o lugar de Bruno Lourenço

A Académica não guardava boas memórias das últimas vezes que recebeu o Estoril. Da última vez que as equipas se encontraram no Estádio Cidade de Coimbra, a equipa da linha venceu por nada mais nada menos que 7-2. Se recuássemos mais, no tempo em que ambas as formações ainda mediam forças na Primeira Liga, o resultado foi de 3-0 para os visitantes. Alheia a isso, a Briosa, seis jogos depois da última vitória frente a este adversário, a voltou a ser feliz.

Após um início de jogo encaixado e poucas situações de real perigo, o Estoril ganhou ascendente a partir da meia hora de jogo e dispôs de duas grandes ocasiões para inaugurar o marcador. Aos 37 minutos, Vidigal, com um grande trabalho individual na esquerda, cruza para o segundo poste, onde Crespo remate enrolado, dando ainda hipótese de Aziz, num golpe de agilidade, conseguir empurrar contra o poste. O jogo ganhou ritmo e para correrias e ataques à profundidade está lá Aziz. Fugiu pela segunda vez no jogo a Silvério e nem a ajuda de Zé Castro o impediu de rematar de pé esquerdo. O remate saiu por cima. No início da jogada a Académica pediu penálti.

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A segunda parte iniciou-se com uma Académica intranquila e Aziz voltou a causar perigo. No entanto, aos 50 minutos João Mário cruzou e Bouldini, ainda fora de área, cabeceou fora do alcance de Dani Figueira que poderia ter feito mais no lance. O Estoril sentiu o golo e permitiu que, em cima da hora de jogo, a sociedade João Mário/Bouldini voltasse a funcionar. O primeiro encontrou o segundo sozinho dentro de área, mas valeu a excelente defesa de Dani Figueira.

A meio da segunda parte, Traquina abriu o livro. Primeiro uma roleta sobre dois adversários para deixar com água na boca quem assistiu ao encontro. Depois, aos 77 minutos, faz um túnel sobre o seu opositor, desmarca João Mário que atira à barra.

Mesmo no final do jogo, o perigoso cruzamento de Joãozinho não foi transformado em golo. Uma ocasião flagrante que o Estoril não usou para chegar ao empate.

No estádio, vazio como tem sido habitual, os adeptos da Académica marcaram presença com tarjas na bancada, uma delas com a mensagem “A nossa doença não tem cura”. Os gritos de “A-Ca- Dé- Mi- Ca” e “Brioooosa” vindos de fora do estádio (e, por vezes, dentro) foram também audíveis. Dentro do mesmo, Jorge Condorcet, sócio número um da Briosa entrou com os jogadores e encarregou-se de os representar.

No final, o degradado placar do Estádio Cidade de Coimbra fixou-se no 1-0. Com os primeiros três pontos, no primeiro jogo oficial da época, a Académica volta a jogar fora, na quarta-feira, frente ao Cova da Piedade. O Estoril regressa, na quinta-feira, à região centro do país para jogar contra o Académico de Viseu.

 

A FIGURA

João Mário – Foi um dos destaques da Briosa, mostrando-se muito ativo na manobra ofensiva dos estudantes. Um dos homens-chave da formação da casa, fez a assistência para o golo de Bouldini, serviu os avançados com importantes passes de rutura e ainda mandou uma bola à barra da baliza defendida por Dani Figueira, após uma boa jogada de construção ofensiva. Destaque ainda para a grande exibição de Traquina.

 

O FORA DE JOGO

Loirentz Rosier – O médio francês dos estorilenses foi o fora de jogo desta partida, mostrando muitas dificuldades de entrosamento com os colegas de equipa no centro do terreno e pouco deu ao jogo da formação visitante, motivo pelo qual acabou por ser substituído nos primeiros minutos do segundo tempo, dando lugar a Cicero.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

A formação da casa entrou perfilada num sistema tático base de 4-4-2, que se transformava num 4-3-3 no momento da transição ofensiva. Com quatro reforços no onze inicial, a turma de Rui Borges entrou bem na partida, assumindo o controlo da posse de bola nos primeiros minutos do encontro e pressionando a primeira linha de construção dos visitantes, mas acabou por abdicar dessa pressão com o decorrer da partida, permitindo algum crescimento do Estoril no encontro. No segundo tempo a equipa cresceu na partida e superiorizou-se ao adversário tanto defensiva como ofensivamente, com João Mário em grande destaque.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (6)

Mike (6)

Zé Castro (6)

Silvério (6)

Bruno Teles (6)

Fabinho (6)

Guima (5)

Dias (6)

João Mário (8)

Traquina (7)

Bouldini (7)

SUBS UTILIZADOS

Furtado (-)

Pedro Pinto (-)

Rafael Vieira (-)

Fábio Vieira (-)

Diogo Pereira (-)

 

 

 

ANÁLISE TÁTICA – ESTORIL PRAIA SAD

Bruno Pinheiro efetuou apenas uma alteração em relação à partida frente ao Arouca, apostando no médio Crespo em detrimento de Bruno Lourenço. O treinador da formação da linha apostou num dispositivo base de 4-2-3-1, que rapidamente mudava para um 4-3-3 no momento atacante, em que os avançados Vidigal e Yakubu se “abriam” de maneira a abrir espaço para que o médio Zé Valente se juntasse ao ataque. Graças às suas dinâmicas ofensivas e ao bom ataque à profundidade dos homens da frente, em especial Yakubu Aziz, os estorilistas foram a equipa que esteve mais perto do golo no primeiro tempo. Já no segundo tempo, a formação lisboeta desceu de rendimento, tendo ido um pouco abaixo após o golo sofrido, mostrando dificuldades em reencontrar-se na partida.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dani Figueira (5)

João Diogo (5)

Hugo Basto (5)

Hugo Gomes (5)

Joãozinho (5)

Crespo (4)

Rosier (4)

Gamboa (6)

Zé Valente (5)

Yakubu Aziz (6)

Vidigal (7)

SUBS UTILIZADOS

Cicero (-)

Paulinho (-)

Bernardo Vital (-)

André Clovis (-)

 

 

CONFERÊNCIA BNR

BnR: Já se revê nesta equipa da Académica. Que ideias já foram concretizadas e quais ainda quer ver melhoradas?

Rui Borges: Claramente, revejo-me naquilo que é o nosso trabalho na equipa. É o primeiro jogo. Estamos a repetir comportamentos. Não fugiram àquilo que são os nossos princípios. Não estou preocupado. Estou otimista em relação ao futuro.

BnR: O Estoril teve sempre mais sucesso no ataque à profundidade, pelo que mostrou alguma dificuldade em ligar o jogo por dentro e Rosier parece ter passado ao lado nesse momento do jogo. Pensa que podia ter sido por aí que podiam ter mexido com o jogo?

Bruno Pinheiro: Há que dar mérito ao adversário. O Estoril vai sempre querer jogar com a bola. Temos um treinador novo, plantel novo… estas ideias não se consolidam nem em seis meses, mas não vamos abdicar delas.

 

Rescaldo com opinião de Francisco Martins e Pedro Paulo