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Em Coimbra, havia dívidas emocionais para saldar com os adeptos, que não saboreavam uma vitória há três jogos. Um sentimento de culpa por três jogos seguidos sem marcar.

Os “credores” eram compreensivos, não deixariam de apoiar quem lhes devia boas sensações se, por algum motivo, no final do jogo, houvesse nova alegria por satisfazer. Isso acentuava a responsabilidade do devedor, que entrou em campo com vontade de agradar a quem tão bondoso tem sido com ele.

Os jogadores da Académica entraram, por isso, no Cidade de Coimbra completamente desinteressados em contrair novo empréstimo. Assumiram o jogo desde cedo, usando as laterais como via preferencial para corrigir os erros do passado. Traquina e Marinho, apoiados por Makonda e Nii Plange assumiram papel fundamental neste aspecto, tal como Pedro Nuno quando descaía do meio para uma das faixas. O problema é que essa vontade esbarrava num Leixões muito compacto e taticamente orquestrado pelo seu capitão, Bruno China, não permitindo grandes veleidades à Briosa nos instantes iniciais.

O jogo, porém, foi abrindo. O Leixões, embalado pelo dinamismo de Lamas, elo de ligação entre meio-campo e ataque,  sentiu capaz de conseguir mais que o simples pontinho e foi espreitando os espaços deixado pelo atrevimento academista, sem que, contudo, conseguisse criar situações de perigo. O problema é que esta exposição não teve noção das próprias limitações (que são muitas), e a equipa deixou muito espaço. Aproveitou a Académica. Traquina, depois de iniciativa sobre o lado esquerdo do ataque da Briosa, viu um cruzamento ser-lhe devolvido na área e, quando se esperava que disparasse forte para o fundo das redes, picou a bola sobre o guarda-redes leixonense numa execução sublime e inaugurou o marcador. 1-0.

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A Académica não abrandou, foi à procura do segundo golo, mas a sorte não se casou com a audácia. Marinho (iniciativa individual) e Fernando Alexandre (cabeçada após canto) viram os seus intentos negados pelo guarda-redes leixonense, que salvou um prejuízo maior para a sua equipa na ida para os balneários.

Público leixonense fez-se ouvir no Cidade de Coimbra
Público leixonense fez-se ouvir no Cidade de Coimbra

A segunda parte começou na mesma toada. Toze Marreco, servido por Marinho, atirou por cima num remate acrobático. A Académica era senhora do jogo, estava no cadeirão. Mas ficou demasiado confortável e permitiu que o seu adversário crescesse no jogo.

Lamas conseguiu dar dinâmica à equipa, deu-lhe agressividade e querer. Mostrou que as limitações não podiam ser justificação para a falta de atitude. Deu o exemplo, e a equipa seguiu-o. O Leixões cresceu, com a movimentação entre linhas do seu número 9, e conseguiu povoar o meio-campo dos estudantes, porém, perante a crescente permeabilidade do meio-campo da Académica e a subida da “corrente” trazida pela bebes do mar, havia um eixo defensivo atento, capaz de controlar este contexto.

Assim, o Leixões foi-se tornando cada vez mais controlável e só assustou quando Rui Cardoso se isolou mas viu o seu remate ser prensado, num lance que gerou polêmica), a Académica ainda conseguiu espreitar o ataque (Toze voltou a desperdiçar uma oportunidade clamorosa patrocinada por Marinho), mas o resultado não iria sofrer alterações até final.

A Académica ascende ao sexto lugar, estando a seis pontos da zona de subida, ainda que de forma provisória. Porém, o facto de se aproximar do lugar de acesso ao regresso pode ser factor anímico importante.

Quanto ao Leixões, permanece debaixo da linha de água, com uma derrota somada mas deu mais um passo rumo a uma (tão necessitada) coesão da equipa.

Não se pode dizer que os adeptos de ambas as equipas tenham saído do Cidade de Coimbra plenamente satisfeitos, mas se havia dívidas por saldar, elas (ou parte delas) foram perdoadas por mais uma semana.