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Académica OAF 1-0 Real SC: Cabeçada Real no desespero massamense

Redação BnR · 5 min

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A tensão estava no ar. Real, Académica ou ambas as equipas iriam sair insatisfeitas deste encontro. Como se diz num mundo do ‘sports-entertainment’, era um “combate programado para uma derrota”. O empate não interessava a nenhuma das equipas e a vitória de um dos conjuntos teria implicações nefastas no outro.

Pois bem, o triunfo sorriu à Académica, que continua a aspirar à subida de divisão e, assim, coloca o Real nos cuidados intensivos no que à manutenção da Segunda Liga diz respeito – se o Sporting de Braga B vencer amanhã, o Real fica pontualmente relegado para o Campeonato Nacional de Seniores (embora haja a ter em conta uma possível desistência de equipas B que poderá, eventualmente, anular esta descida).

A jogar em casa, esperava-se que fosse a Académica a tomar as rédeas do encontro e assim foi. Com dois pontas-de-lança de raíz no onze inicial e com Chiquinho (reforço do SL Benfica para a próxima época), a Briosa foi acutilante no seu processo ofensivo e rondou a baliza do Real na primeira parte. Porém, os esforços da Briosa esbarraram num Real com capacidade para ler o momento do jogo e que soube ficar no seu meio-campo quando o contexto do encontro a isso obrigava. Esta postura ajudou os de Massamá a aguentar o nulo até ao intervalo.

Depois de aguentar o poderio da Briosa, o Real tentou aventurar-se no ataque e a verdade é que esteve perto de ser feliz. Carlos Vinicius, por duas vezes, colocou a defesa contrária em alvoroço.

A Académica tentava reagir, mas Chiquinho foi acusando algum desgaste por se encontrar demasiado sozinho na construção do ataque. Atento a isto, Quim Machado decidiu retirar Tozé Marreco e colocar Marinho em campo de forma a ligar melhor o meio-campo com o ataque. Uma aposta que não teve efeitos imediatos mas que ajudou a Académica a ser mais esclarecida no último terço e que fez parecer natural o golo inaugural, surgido de um canto batido por Nélson Pedroso e concretizado por João Real após um primeiro desvio ao primeiro poste.

A Académica ficou mais confortável no encontro e conseguiu gerir o assédio do Real até final. Quim Machado fez trocas para refrescar a equipa enquanto que Alexandre Santos (que, por sinal, só mexeu aos 72 minutos) arriscou tudo na busca de um resultado diferente, mas não foi feliz.

Este era um combate programado para uma derrota. Alguém tinha de perder. Foi o Real, que teve como carrasco a Académica de Quim Machado, que se estreou, com uma vitória, nos jogos em Coimbra.

Pedro Machado

A FIGURA

Fonte: Académica OAF

Chiquinho– Este é daqueles que parece não saber jogar mal. Na semana em que foi garantido pelo Benfica, Chiquinho voltou a demonstrar toda a sua qualidade técnica com vários lances que fizerem vibrar os adeptos da briosa e foi peça fundamental para mais uma vitória.

Vasco Moreira

FORA-DE-JOGO

 

Tozé Marreco – Quim Machado tem apostado em Tozé, mas este ainda não justificou essa aposta. Hoje começou a titular ao lado de Djoussé, só que nunca conseguiu ser uma verdadeira ameaça para a baliza adversária, tendo cedido o seu lugar a Marinho aos 60′ minutos.

Vasco Moreira

Conferência BnR

Alexandre Santos, treinador do Real SC:

Pergunta BNR: Fez a primeira substituição aos 72 minutos, as outras só depois dos 80. Porque razão demorou a mexer na equipa?

«Demorei a mexer porque a equipa estava bem. Primeiro as substituições não têm regra, e não tenho de seguir uma rotina».

«Não havia razão para substituir, e não quis piorar o que estava estável. Tanto estava que tivemos o nosso melhor momento entre os 50 e os 60 minutos pelo que não havia razões nenhumas para mexer».

«O jogo tem duas partes bastante distintas. Uma primeira parte em que a Académica fez um. Muito jogo colocado na frente dos nossos centrais, os nossos médios com dificuldade em tapar os acessos à nossa baliza».

«Com abnegação, e com alguma pontinha de sorte ou ineficácia da Académica fomos conseguindo resolver as dificuldades que a Académica colocou com alguma serenidade»

«Podíamos ter feito o golo. Lembro-me de duas situações muito claras. Depois de uma oportunidade de golo, sofremos um contra-ataque, depois do contra-ataque há o canto e há o golo. Depois do golo, conseguimos reagir bem.»

«Parabéns à Académica, que fez aquilo que mais queria».

«Do ponto de vista classificativo, se não houver nenhuma alteração às equipas que descem, podemos ficar impossibilitados de subir de divisão».

«Desde que eu vim, já com o comboio em andamento, que digo que não vou atirar a toalha ao chão».

«Da nossa parte nos vamos dar tudo até ao fim porque há uma camisola para honrar».

«Há condições, sobretudo humanas, para, caso não consigamos manter-nos nesta divisão, voltarmos».

«Temos um plantel que não tem muita experiência nesta divisão e, sobretudo, não está habituado a ficar nos últimos lugares».

«Quando uma equipa está em último lugar, acontece tudo. Acontecem situações quase anedóticas. Golos nos últimos minutos, auto-golos».

«17 semanas no último lugar deixa marcas».

 

Quim Machado, treinador da Académica OAF:

Pergunta BnR: A Académica soma agora a segunda vitória consecutiva. A vitória sobre o Famalicão surgiu após uma seman em que, ao contrário da maior parte das equipas da Segunda Liga, a Académica não jogou. Pergunto-lhe se isso foi fundamental para que a equipa assimilasse os seus métodos e qual foi o papel que essa semana teve nestas duas vitórias consecutivas?

«Para nós foi importante, porque tinha entrado há pouco tempo. O lado anímico, com quebras de resultados, acabou por ser benéfico. Desta vez fomos nós a jogar primeiro, e fizemos o nosso trabalho. Embora aquilo que queríamos era mesmo ganhar este jogo»
«No meu ano no Tondela, nas últimas jornadas perdemos vários pontos nas últimas jornadas. Se o Nacional ganha amanhã, fica praticamente com a subida garantida. Se o Nacional não ganha, reentra na luta».

«A Académica tem uma grande equipa. Eu digo aos meus jogadores que se não somos a melhor equipa, somos a segunda ou terceira. Mas faltando tão pouco tempo para acabar o campeonato, e como temos que alcançar as equipas que estão à nossa frente , é normal que se perda o discernimento».

«O futebol é muito isto. Se calhar num próximo jogo teremos menos oportunidades e conseguimos fazer mais golos».

«Tenho de dar os parabéns aos -jogadores, que acreditaram e que querem subir de divisão».

«Temos de saber de lidar com a pressão, com a ansiedade».

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