A tensão estava no ar. Real, Académica ou ambas as equipas iriam sair insatisfeitas deste encontro. Como se diz num mundo do ‘sports-entertainment’, era um “combate programado para uma derrota”. O empate não interessava a nenhuma das equipas e a vitória de um dos conjuntos teria implicações nefastas no outro.

Pois bem, o triunfo sorriu à Académica, que continua a aspirar à subida de divisão e, assim, coloca o Real nos cuidados intensivos no que à manutenção da Segunda Liga diz respeito – se o Sporting de Braga B vencer amanhã, o Real fica pontualmente relegado para o Campeonato Nacional de Seniores (embora haja a ter em conta uma possível desistência de equipas B que poderá, eventualmente, anular esta descida).

A jogar em casa, esperava-se que fosse a Académica a tomar as rédeas do encontro e assim foi. Com dois pontas-de-lança de raíz no onze inicial e com Chiquinho (reforço do SL Benfica para a próxima época), a Briosa foi acutilante no seu processo ofensivo e rondou a baliza do Real na primeira parte. Porém, os esforços da Briosa esbarraram num Real com capacidade para ler o momento do jogo e que soube ficar no seu meio-campo quando o contexto do encontro a isso obrigava. Esta postura ajudou os de Massamá a aguentar o nulo até ao intervalo.

Depois de aguentar o poderio da Briosa, o Real tentou aventurar-se no ataque e a verdade é que esteve perto de ser feliz. Carlos Vinicius, por duas vezes, colocou a defesa contrária em alvoroço.

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A Académica tentava reagir, mas Chiquinho foi acusando algum desgaste por se encontrar demasiado sozinho na construção do ataque. Atento a isto, Quim Machado decidiu retirar Tozé Marreco e colocar Marinho em campo de forma a ligar melhor o meio-campo com o ataque. Uma aposta que não teve efeitos imediatos mas que ajudou a Académica a ser mais esclarecida no último terço e que fez parecer natural o golo inaugural, surgido de um canto batido por Nélson Pedroso e concretizado por João Real após um primeiro desvio ao primeiro poste.

A Académica ficou mais confortável no encontro e conseguiu gerir o assédio do Real até final. Quim Machado fez trocas para refrescar a equipa enquanto que Alexandre Santos (que, por sinal, só mexeu aos 72 minutos) arriscou tudo na busca de um resultado diferente, mas não foi feliz.

Este era um combate programado para uma derrota. Alguém tinha de perder. Foi o Real, que teve como carrasco a Académica de Quim Machado, que se estreou, com uma vitória, nos jogos em Coimbra.

Pedro Machado