A CRÓNICA: JOGO BOM, RESULTADO NEM TANTO

A Académica OAF está lá em cima na tabela, mas, nos últimos tempos, e após quatro partidas sem ganhar, à entrada para esta jornada, não tem havido luz que guie os “estudantes” à vitória, dificultando o reforçar da posição da “Briosa” na candidatura à subida. Na “Invicta”, o último lugar na classificação corresponde a uma lanterna azul, acesa no mundo dos “dragõezinhos”, que não os deixa voar para as fantasias da Segunda Liga, que é como quem diz, para lugares de desafogo que permitam ver a despromoção mais à distância.

Com dois tipos de pressão diferentes a pesarem nos ombros dos 22 elementos em campo, o primeiro sinal foi dado por Sanca, que logo aos cinco minutos fez a bola entrar nas redes do FC Porto B. O lance foi anulado por fora de jogo. Logo de seguida, Bouldini trouxe a si o protagonismo num belo lance individual sobre Sarr. Embora o lance se tenha perdido, o avançado marroquino não estava satisfeito e voltou a meter o defesa francês do Porto B em trabalhos. Aí não houve quem o parasse e, já dentro de área e com o pé esquerdo, fez o primeiro golo ainda sem estarem decorridos dez minutos.

Notava-se a intenção dos portistas quererem fazer as coisas bem e o resultado não se manteve por muito tempo. Mor N’Diaye, na ressaca de um canto batido por Carraça, fez o empate. Os jogadores da Académica ficaram a pedir posição irregular. O árbitro chamava-se António Nobre e não Ivo Rosa, mas também não viu nada a condenar e a questão prescreveu.

Batiam-se tachos e gritava-se “A-CA-DÉ-MI-CA” do lado de fora do estádio. Ainda assim, foi João Mário a levar a bola ao poste num excelente lance individual em que fletiu da esquerda para o meio. Nova oportunidade para colocar os azuis em vantagem surgiu num livre direto batido por Carraça que passou bem junto ao poste.

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O jogo continuou entretido na segunda parte e a intensidade que até aqui tinha levado a bola por várias ocasiões até junto das duas balizas permaneceu, até as cautelas que a luta pelos pontos exige começarem a pesar.

Com o arrastar do jogo, tanto existiram momentos em que o jogo se partiu como existiram outros em que escassearam ideias e a bola queixou-se com o tratamento que lhe deram. A verdade é que eram os jogadores do Porto B que mais perigo iam criando junto da baliza de Mika.

O resultado não se viria a alterar e o 1-1 permaneceu no final. Ambas as equipas somam mais um ponto, curto para a luta em que ambas estão envolvidas.

 

A FIGURA

Leandro Sanca – Irreverente e inconformado. Aproveitou a exposição ofensiva de Rodrigo Conceição para pôr toda a sua técnica ao serviço do flanco esquerdo do ataque. Tivesse conseguido definir melhor algumas das suas ações e podia ter saído ainda mais feliz deste jogo.

 

O FORA DE JOGO

Malang Sarr – Os primeiros minutos foram custosos. Pode eventualmente ter entrado com algum excesso de confiança, mas o certo é que deu demasiada liberdade a Bouldini na fase inicial do jogo, permitindo-lhe diversas situações para ser feliz. Denotou alguma passividade nos duelos.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Não se esperavam grandes surpresas no onze de Rui Borges. A maior mudança passaria pela entrada de Diogo Pereira para o lugar do castigado Ricardo Dias, o que não alterou o padrão de jogo habitual da Académica.

A “Briosa” apresentou-se num 4-2-3-1. Guima manteve-se como o elemento dinamizador da equipa com importância na ligação de jogo com o ataque e nos equilíbrios defensivos, moldando o sistema da Académica com a sua posição híbrida. No miolo, houve ainda espaço para o criativo Fabinho.

O tridente ofensivo foi composto por Sanca na esquerda, Traquina na direita e Bouldini ao centro. Foi difícil à Académica encontrar o espaço à largura, mas, particularmente Traquina, procurou bastantes situações de cruzamento e passe atrasado no último terço.

Para se organizar defensivamente, a Académica agrupou-se em 4-4-2. Em certos momentos, procurou pressionar alto, através da disponibilidade de Bouldini para essas tarefas, ainda que nunca de forma muito organizada.

Em momento algum a equipa deixou de tentar sair a jogar por trás, tal como é seu apanágio. O guarda-redes Mika e os centrais Silvério e Rafael Vieira estiveram bastante participativos neste processo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (6)

Fabiano (5)

Rafael Vieira (5)

Silvério (5)

Mike (6)

Diogo Pereira (6)

Guima (6)

Fabinho (5)

Leandro Sanca (7)

Traquina (5)

Bouldini (6)

SUBS UTILIZADOS

Filipe Chaby (4)

Mayambela (6)

Dani Costa (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO B

Para o onze titular, António Folha pôde contar com três reforços da equipa principal: Sarr, Carraça e João Mário. Com o auxílio destes jogadores, o Porto B apresentou-se em Coimbra num 3-5-2.

A linha encarregue de blindar a baliza defendida por Ricardo Silva foi composta por três centrais, Carraça, João Marcelo e Sarr, da direita para a esquerda. Nas laterais, com a missão de unirem a defesa e o ataque, Rodrigo Conceição atuou na asa direita e João Mário na faixa canhota. O meio-campo a três pertenceu a Mor N’Diaye, médio mais recuado, e, uns metros mais à frente, Bernardo Folha e Rodrigo Valente. No ataque, Namaso e Boateng foram a dupla de pontas de lança.  A redução do espaço entre setores nem sempre foi bem acautelada com o Porto B muito comprido no terreno.

Nesta equipa, os dois laterais tiveram um papel fundamental na ideia de jogo. No momento de tentar ferir a baliza da Académica, projetavam-se em simultâneo, mas na hora de defender juntavam-se aos centrais formando uma linha de cinco defesas.

A saída de jogo da equipa era feita a três e assumida pelos três centrais, com os três médios dentro do bloco adversário. Neste momento de ataque organizado, o Porto B colocou os médios interiores quase em posição de se darem à marcação dos defesas contrários, para impedir a linha defensiva da Académica de se expandir e defender melhor os seus laterais.

Para defender, a equipa teve uma postura atrevida ao mostrar-se subida do terreno e a pressionar. Tinha sucesso quando especificamente o fazia adiantando Rodrigo Conceição, aproveitando a sua agressividade, e deixando Bernardo Folha com as cautelas da lateral direita.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Silva (6)

Rodrigo Conceição (7)

Carraça (6)

João Marcelo (5)

Malang Sarr (5)

João Mário (6)

Rodrigo Valente (5)

Mor N’diaye (6)

Bernardo Folha (5)

Namaso (6)

Kelvin Boateng (5)

SUBS UTILIZADOS

Tiago Matos (-)

Gonçalo Borges (-)

Rodrigo Pinheiro (-)

Diogo Ressurreição (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ACADÉMICA OAF

Bola na Rede:  Este Porto B é uma das poucas equipas da Segunda Liga a alinhar declaradamente com uma linha de cinco. Que cuidados teve de especial para defrontar esta equipa?

Rui Borges: Tivemos os cuidados que identificámos. Eles metem muita gente à largura e à profundidade. O Porto B mudou. O Carraça tem jogado na lateral esquerda e hoje apareceu por dentro. O João Mário foi um jogador que jogou muito à largura, pois é muito vertical. Em termos defensivos, teve alguma dificuldade e deu-nos muito espaço. De resto, foi alertar para algumas compensações no meio-campo e para alguns comportamentos do adversário, mais do que alterarmos o que quer que fosse na nossa ideia.

 

FC PORTO B

Bola na Rede: O Porto B promoveu a projeção simultânea dos seus laterais e situações em que os pudesse libertar. Que importância atribui ao papel dos seus laterais na implementação da sua ideia de jogo?

António Folha:  São os laterais que têm que nos dar largura e profundidade. São eles que permitem à equipa andar para a frente e que nos permitem ter jogo exterior. Também tivemos jogo interior sem precisarmos de arrastar ninguém para o meio. O Rodrigo [Conceição] já lá [nas laterais] tem jogado, mas não é por acaso que o João Mário hoje também jogou lá, deram-nos muito ao jogo. De facto, têm grande importância.