A CRÓNICA: PRIMEIRA PARTE A TODO O GÁS MARCOU RESULTADO FINAL

Académica OAF e FC Vizela ocupavam lugares consecutivos na tabela à entrada para esta jornada – terceiro e quarto, respetivamente. Ainda que nenhuma das equipas tenha assumido entrar por esses caminhos, esta partida revestia-se de grande importância para a luta pelos lugares cimeiros que dão acesso à Primeira Liga. Era, por isso, de esperar que, cedo neste sábado, se visse um bom jogo entre duas equipas com aspirações.

Não foi preciso esperar muito para que o espetáculo começasse a acontecer. A Académica perdeu uma bola em zona ofensiva e não garantiu os equilíbrios necessários a uma boa transição defensiva. Samu teve espaço para pensar, desmarcou Kiko e este assistiu Cassiano para o primeiro.

O fulgor do Vizela continuou e a pressão que exerceu na saída de bola da Académica deu lucros. Mika foi obrigado a bater uma bola para o centro do campo, que acabou interceptada pelos nortenhos. Francis Cann aproveitou o erro para fazer o 2-0, ainda antes do primeiro quarto de hora.

Renascida das cinzas e com o orgulho ferido de uma entrada apática, a Briosa desamarrou-se um pouco mais. Essa melhoria levou a equipa a mais aproximações à baliza adversária.  Num desses momentos, Fabinho finalizou de fora de área com um passe à baliza e relançou o jogo.

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No entanto, a primeira parte ainda tinha mais surpresas para apresentar. Foi com o terceiro golo do Vizela que as equipas foram para o intervalo. Samu, melhor jogador da Segunda Liga no mês de fevereiro, foi o autor do 3-1, de livre direto. Num momento em que o país vai dando sinais de abertura, a barreira da Académica resolveu entrar na onda.

Os segundos 45 minutos não tiveram a mesma animação do que os primeiros. Mesmo assim, logo no primeiro minuto, Traquina, com tudo para marcar, não conseguiu pôr a bola no fundo das redes de Ivo. O ritmo de jogo baixou a partir daí, favorecendo a equipa em vantagem no marcador. Nesta fase, era a Académica que tinha a bola durante mais tempo, mas sem grandes consequências práticas. Os extremos estudantes eram quem mais faziam por virar o rumo dos acontecimentos.

O conforto vizelense manteve-se até ao fim, almofadado pela vantagem de dois golos. O resultado final pendeu a favor dos visitantes, que avançam para 16 jogos seguidos sem perder. A verdade é que o Vizela se aproxima do terceiro lugar da classificação e a subida de divisão pode ser mais do que uma miragem. No fim, no balneário do Vizela, ouvia-se em alto e bom som “deixa acontecer na-tu-ral-men-te…”. Talvez o sucesso passe por aí. A Académica volta a perder terreno para um adversário direto que já lhe está a morder os calcanhares.

A FIGURA


Kiko Bondoso – É um agitador nato. Foi um vagabundo na frente de ataque do Vizela e registou excelentes apontamentos técnicos. Acabou por fazer as assistências para os dois primeiros golos da sua equipa.

 

O FORA DE JOGO


Traquina – Não abundou criatividade para inventar traquinices novas que resultassem em perigo. Teve algumas boas situações para visar a baliza, mas desperdiçou.

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

A Académica não abdicou do seu conceito. Com base no 4-2-3-1, surgiam dinâmicas que, por vezes, culminavam no 4-3-3. Nesta estratégia, Mimito foi fundamental, ao juntar-se a Ricardo Dias no momento de defender e quando a equipa estava com maiores dificuldades em ter a bola. Mesmo assim, teve liberdade quer para explorar o espaço entre linhas, em conjunto com Fabinho, quer para cair no flanco e criar dinâmicas com Fabiano e Traquina.

No setor defensivo, é de realçar o trabalho dos laterais. Fabiano, na direita, deu uma grande rotação àquele lado do ataque. Pela esquerda, Bruno Teles, mesmo subindo menos vezes, prima pelo critério, quer na decisão de ir ou ficar, quer nas suas ações em zona ofensiva.

João Mário tem ocupado a posição de ponta de lança e voltou a fazê-lo neste encontro. Oferece qualidade no primeiro toque e consegue aproveitar o espaço que ele próximo gera ao arrastar os defesas consigo.

Em termos coletivos, a Académica defendeu com duas linhas de quatro e uma de dois, quando em organização. Num primeiro momento da fase defensiva procurou condicionar a saída do adversário com um bloco médio-alto. Ainda assim, a equipa de Rui Borges teve bastantes dificuldades em controlar o jogo entre linhas do adversário.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (6)

Fabiano (6)

Rafael Vieira (5)

Silvério (5)

Bruno Teles (6)

Ricardo Dias (6)

Mimito (6)

Fabinho (6)

Traquina (5)

Leandro Sanca (7)

João Mário (6)

SUBS UTILIZADOS

Mayambela (6)

Guima (5)

Rafael Furtado (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC VIZELA

Álvaro Pacheco voltou a apostar no 4-3-3. A equipa procurou imprimir bastante variabilidade no seu jogo, através de várias permutas entre os seus jogadores. O sistema tático não era por isso mais do que um ponto de partida. No fundo, uma anarquia organizada.

No meio-campo, Marcos Paulo garantiu solidez em frente à defesa. Samu e Guzzo jogaram à sua frente. O primeiro juntava-se a Marcos Paulo na fase defensiva, conferindo mais músculo ao miolo e, a atacar, disponibilizou-se para chegar à área e tirar partido da sua capacidade de finalização, pelo que foi um jogador com uma abrangência territorial muito grande. O segundo teve um papel de criação, nomeadamente no espaço entre linhas, e de gestão da posse da equipa, através do entendimento dos espaços que os seus companheiros ocupavam.

Na frente, Cassiano não deu descanso ao centrais, apostando nos duelos físicos e lançando-se em bastantes ataques à profundidade. Nas alas, Francis Cann, pela direita, e Kiko Bondoso, pela esquerda, procuraram envolvimentos com os seus colegas a todo o campo.

O Vizela exerceu uma pressão alta na saída de bola da Académica.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivo Gonçalves (6)

Richard Ofori (6)

Matheus Costa (6)

Aidara (6)

Kiki (7)

Marcos Paulo (6)

Samu (7)

Raphael Guzzo (5)

Francis Cann (8)

Kiko Bondoso (8)

Cassiano (6)

SUBS UTILIZADOS

Ericson (5)

Tavinho (-)

Diogo Ribeiro (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ACADÉMICA OAF

BnR:  A mobilidade dos jogadores do Vizela apanhou de surpresa a Académica?

Rui Borges: Estávamos identificados com o que o Vizela é em termos ofensivos e defensivos. Eles metem muita gente por dentro. Têm alas com um centro de gravidade baixo e com muita intensidade. Sabíamos que, se déssemos muito espaço entre a linha média e a linha defensiva (o que aconteceu – a nossa linha defensiva estava a baixar demasiado cedo), íamos passar mal. O Vizela foi rápido e intenso a atacar as zonas de finalização. É culpa nossa não termos anulado isso da melhor maneira.

FC VIZELA

BnR: A forma do Vizela pressionar pretendeu convidar a Académica a jogar por dentro. Foi um risco pensado?

Álvaro Pacheco:  Sim. Os meus jogadores sabem que temos de ter adaptabilidade. Eles gostam de dar largura ao seu jogo e, se os convidássemos a jogar por dentro, íamos ter superioridade numérica. Se eles metessem os extremos por dentro, também sabíamos o que fazer. O objetivo era tirar o espaço por fora para eles jogarem por dentro. Eles vivem muito de cruzamentos e queríamos tirar isso.

Artigo revisto

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