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As ruas anexas ao Estádio Cidade de Coimbra estão cada vez mais congestionadas em dia de jogo. Sente-se o frenesim de outros tempos. Tempos em que a Briosa sentiu a brisa da Europa ou o orgulho de estar entre a elite do futebol nacional. Como num ciclo vicioso, a Académica pode estar de volta a esses tempos, e metade do caminho faz-se da crença. A crença dos adeptos que, apesar de dia e horário aparentemente impróprios (segunda-feira, dia de trabalho, à tarde)e acorreram, em bom número (4432 espectadores), ao Cidade de Coimbra.

Foi, talvez, essa força que não permitiu o desânimo dos estudantes após o golo inaugural do União, apontado por Tiago Almeida aos 14 minutos (servido por André Carvalhas), ajudando, provavelmente, na reacção imediata da Briosa, que fez o empate no minuto seguinte por intermédio de Djoussé (assistido por Marinho) e deu a cambalhota no marcador dois minutos depois, num cabeceamento de João Real, a corresponder da melhor forma ao canto batido por Chiquinho.

A Académica fez o 1-1 por Djoussé Fonte: Rafael Ferreira
A Académica fez o 1-1 por Djoussé
Fonte: Rafael Ferreira

O União da Madeira, porém, não quis ter nada a ver com o estado de graça da Académica e conseguiu crescer no jogo ao ponto de conseguir mesmo a igualdade – Sylla, num bom trabalho individual, restabeleceu a igualdade aos 33 minutos… mas mais uma vez, a Académica reagiu bem e voltou à liderança do marcador, já nos descontos da primeira parte, através de uma grande penalidade convertida por Djoussé.

Ricardo Ribeiro está batido e o remate de Sylla vai restabelecer a igualdade em 2-2 Fonte: Rafael Ferreira
Ricardo Ribeiro está batido e o remate de Sylla vai restabelecer a igualdade em 2-2
Fonte: Rafael Ferreira

O União foi ferido, mas não morreu. Longe disso. Veio vivíssimo para o segundo tempo e prova disso foi o remate perigoso de André Carvalhas aos 40 segundos da etapa complementar. Os madeirenses tentaram manter a tendência de crescimento, sempre sob a batuta do médio português, e voltaram a criar perigo, num cabeceamento de Rudy, que passou a centímetros do poste direito da baliza defendida por Ricardo Ribeiro.

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A Académica apercebeu-se que não se podia aventurar no ataque, solidificou processos e conseguiu estagnar a reação unionista. O jogo foi-se arrastando para o fim sem que houvesse perspectivas de mais golos. Mas eles surgiram. Aos 88 minutos, Ricardo Dias, aproveitando uma confusão na área, sentenciou o resultado.

Ricardo Dias, num lance confuso, fez o 4-2 final Fonte: Rafael Ferreira
Ricardo Dias, num lance confuso, fez o 4-2 final
Fonte: Rafael Ferreira

O resultado, não sendo inesperado, acaba por ser importante na luta pela manutenção. A Académica ganhou pontos a pelo menos duas das nove equipas que se abeiram, consigo, da promoção à Primeira Liga. Uma vitória que a crença ajudou a construir. Mais um bloco no edifício que se ergue a jeito da Primeira Liga.

Pedro Machado