Casa Pia AC 1-2 GD Chaves: “Transmontanos” entram na luta pela subida

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A CRÓNICA: CANTOS TRAMARAM O CASA PIA AC

Casa Pia AC e GD Chaves encontravam-se para a partida que iria fechar as contas da 27ª jornada da Segunda Liga em momentos bem semelhantes, mas com objetivos bem diferentes. Enquanto a equipa da casa se encontrava tranquila no meio da tabela (oitavo lugar), os Transmontanos entraram em campo com a pressão de trazer os três pontos para se recolocarem na luta pela promoção ao escalão principal.

O jogo não podia ter começado melhor para a turma transmontana. Dois cantos foram o suficiente para o GD Chaves se colocar a vencer por dois.  Pelos ares, à passagem do minuto 17, Luís Rocha, respondeu com assertividade e potência ao canto, cobrado por Batxi. Cabeçada potente que colocava os Flavienses na frente. Bola ao centro, novo canto, e…novo golo. Desta feita, Roberto, numa jogada de insistência, a finalizar à meia volta.

O Casa Pia reagiu, de forma paciente e organizada, mas raras vezes conseguiu rematar à baliza contrária. A posse a partir de trás foi marca de água desde o início. A primeira parte terminou sem mais mexidas no marcador e a toada manteve-se para o segundo tempo.

E este foi o registo do resto de toda a partida, infelizmente. O GD Chaves chegou cedo a uma vantagem confortável, que não mais largou. A iniciativa de jogo passou a ser da equipa da casa, que teve na posse de bola a sua maior arma, ainda que infrutífera. Se a vantagem nortenha chegou cedo, a reação lisboeta chegou tarde. O golo de honra marcado por Camilo, de canto, está claro, já em cima do minuto 95, foi insuficiente.

Com este resultado o GD Chaves passa a ter legítimas esperanças em sonhar com a subida. Não perde há nove jogos e fica agora a apenas dois pontos do terceiro lugar da tabela.

A FIGURA

Fonte: Sebastião Rôxo/Bola na Rede

Batxi – Apesar de não marcar golo, o extremo está envolvido em todos. Assiste o primeiro e bate também ele o canto que origina a confusão do segundo golo. Muitas iniciativas de perigo, partindo sempre da esquerda para o meio. Dotado tecnicamente e veloz no drible. Jogador a ter em atenção no futuro.

O FORA DE JOGO

Fonte: Sebastião Rôxo/Bola na Rede

Passividade defensiva do Casa Pia AC – O jogo ficou decidido logo nos primeiros minutos. E tudo graças aos erros, e à passividade da defesa Casapiana, que o treinador confirmou no final da partida. Muita cerimónia para tirar a bola da confusão e o ataque contrário não vacilou. Os cantos foram a debilidade do Casa Pia, que nunca se conseguiu superiorizar e criar verdadeiras chances de perigo.

 

ANÁLISE TÁTICA – CASA PIA AC

O Casa Pia AC dispôs-se num esquema tático 4-3-3. Sabia-se de antemão que estas eram duas equipas que gostavam de usar a bola como ferramenta para chegar ao golo, saindo a jogar a partir de trás, e assim foi.

Os “Gansos” entraram mal na partida, isso é inegável. Ainda assim, tentaram sempre improvisar para tentar dar volta ao marcador. Trocavam os extremos (Jota e Godwin) de lado com frequência para tentar baralhar as marcações, mas sem sucesso.

Mesmo após sofrer dois golos de rajada bem cedo na partida, o Casa Pia não perdeu a sua identidade e procurou sempre construir com paciência, fazendo circular a bola com calma e sem precipitações. Neste processo, eram decisivos Christian, Vitó e Vítor Gonçalves. Os dois últimos apareciam mais recuados no terreno e deixavam a manobra criativa ao encargo do primeiro. Vitó esteve desinspirado, mas era, de longe, o elemento com maior capacidade diferenciadora no último terço.

Chegado ao momento de atacar a baliza, não havia grandes dúvidas. Rematar de meia distância não costumava ser solução. Preferiam, por outro lado, procurar circular para encontrar na área, o avançado Malik, que era claramente a referência ofensiva da equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Batista (6)

Bruno Sousa (5)

Kelechi (5)

Matheus Dantas (6)

Jefferson (5)

Christian (6)

Vitó (7)

Vítor Gonçalves (6)

Jota (5)

Malik (5)

Saviour Godwin (4)

SUBS UTILIZADOS

Diego Medeiros (5)

Zidane Banjaqui (4)

Camilo (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – GD CHAVES

O Chaves de Vítor Campelos subiu a campo organizado em 4-2-3-1, com variantes para 4-4-2. Passo a explicar. Benny e Nuno Coelho serviam de duplo-pivot no meio-campo e João Teixeira, mais avançado, oscilava entre estar mais recuado ou saltar para a pressão a um dos centrais do Casa Pia AC. De uma outra forma, o esquema dos transmontanos alterava-se conforme o posicionamento de João Teixeira.

Os “Flavienses” entraram para campo com um pensamento semelhante ao Casa Pia AC: construir a partir de trás. A diferença foi que estes, não só exploraram as bolas nas costas da defesa casapiana, como também demonstraram uma elevada taxa de aproveitamento nas bolas paradas. Quatro cantos, dois golos.

O Chaves não teve receio em lançar os seus extremos (e laterais) em profundidade e acabou por criar transtornos ao adversário. Batxi (extremo) e João Correia (lateral-direito) fizeram estragos e só não originaram golos por ineficácia, ora dos avançados, ora dos próprios. Roberto servia de referência, tal como Malik do outro lado, mas raras vezes esteve sozinho. Baixava entre linhas com frequência e combinava com os extremos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Paulo Vítor (6)

João Correia (7)

Luís Rocha (8)

Vasco Fernandes (7)

João Reis (6)

Nuno Coelho (6)

Benny (5)

João Teixeira (6)

Juninho (5)

Batxi (8)

Roberto (7)

SUBS UTILIZADOS

Wellington (6)

Zé Tiago (5)

José Gomes (5)

Guedes (4)

Bura (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

GD CHAVES

BnR: Encontrou pela frente uma equipa que tentou sempre trocar a bola com paciência, independentemente do resultado. Estava à espera desta abordagem por parte do Casa Pia aos golos sofridos?

Vítor Campelos: “Sabíamos que íamos encontrar, do meu ponto de vista, um dos melhores plantéis desta segunda liga. Para além disso, nota-se que são uma equipa trabalhada, com qualidade, que sabem o que fazem e por isso creio que preparámos bem este jogo, no detalhe, porque sabíamos que ia ser um jogo bastante difícil.

Entramos fortes no jogo e tivemos uma ou duas situações que podíamos ter feito golo. Fizemos uma primeira parte de eleição. Provavelmente a melhor primeira parte desde que aqui cheguei. Ligámos melhor o nosso jogo, os médios estavam a ligar-se melhor com os homens da frente, mas ainda assim fomos precipitados em algumas decisões.

Dar uma palavra ao Casa Pia AC porque não jogámos sozinhos, o que valoriza mais esta vitória. Agora claro, por muito que eu diga aos meus jogadores que pressionem e que venham para a frente o suboconsciente é que manda.”

 

CASA PIA AC

BnR: Mesmo a perder por dois golos, a equipa do Casa Pia AC circulou com bastante paciência, mas raramente encontrava o caminho da baliza. O que sente que faltou à sua equipa no dia de hoje?

Filipe Martins: Isso provavelmente é a única coisa que, além da nossa atitude na segunda parte, mais me agradou. Foi o facto de que mesmo perdendo 2 – 0 não perdemos a nossa identidade. Não vimos uma equipa a chutar para a frente à espera de uma segunda bola. Continuamos a tentar forçar o Chaves a cometer erros, dentro daquilo que é o nosso modelo de jogo. Acho que só revela a nossa identidade, não mudámos só porque estávamos a perder. Foi pena não termos chegado ao 2-1 mais cedo. Mas termino como começo, quem dá dois golos de avanço neste campeonato, arrisca-se a perder.

Gabriel Henriques Reis
Gabriel Henriques Reishttp://www.bolanarede.pt
Criado no Interior e a estudar Ciências da Comunicação, em Lisboa, no ISCSP. Desde cedo que o futebol foi a sua maior paixão, desde as distritais à elite do desporto-rei. Depois de uma tentativa inglória de ter sucesso com os pés, dentro das quatro linhas, ambiciona agora seguir a vertente de jornalista desportivo.

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