A CRÓNICA: EXPULSÃO DE ARNOLD PRECIPITOU UMA GOLEADA QUE JÁ SE PERSPETIVAVA

Depois de triunfos na segunda eliminatória da Taça de Portugal, Casa Pia AC e SC Covilhã voltaram à realidade da Segunda Liga para se defrontarem em Pina Manique. Havia equilíbrio na tabela classificativa (ambas as equipas separadas por apenas um ponto), faltava saber se o equilíbrio ia ser o mesmo dentro do campo. Não foi, de todo…

Anúncio Publicitário

A verdade é que o jogo começou praticamente com um golo do Casa Pia. Logo aos dois minutos, Lucas Soares cruzou de forma perigosa do lado esquerdo, o guarda-redes Léo afastou para a entrada da área e Jota dominou o esférico e rematou para o fundo da baliza. Melhor início era difícil para o conjunto de Filipe Martins. E nos instantes iniciais, Jota era mesmo o elemento mais solicitado na profundidade, valendo Léo por duas vezes, a sair bem da baliza e a evitar males maiores para a equipa da Serra.

A partir dos 15 minutos, a equipa visitante começou a equilibrar as contas e a tentar ter mais tempo a bola em seu poder, circulando-a entre os vários corredores, tentando arranjar espaço perante um Casa Pia que se mostrava organizado. Já os visitados optavam por uma de duas vias: ou o tal ataque à profundidade que resultou no primeiro golo, ou passes a explorar o espaço entre as linhas da equipa do SC Covilhã. E numa jogada bem trabalhada, o Casa Pia chegou ao segundo golo.

26 minutos, Jota recebeu no corredor central e distribuiu para a direita, para Banjaqui. O camisola 10 cruzou para Jota, Léo ainda conseguiu intervir, mas a bola sobrou para Camilo, que encostou para a baliza deserta. Pouco depois, aos 29 minutos, a formação serrana dispôs da primeira real ocasião de perigo, com Jean Felipe, na conversão de um livre direto, a atirar pouco por cima da baliza de Ricardo Batista. Mas o Casa Pia estava por cima e assim se manteve até ao intervalo, com uma vantagem de dois golos no marcador.

As equipas vieram sem alterações para a segunda parte e o Casa Pia teve a primeira ocasião dos segundos 45 minutos. Taira roubou a bola no meio-campo e seguiu para a baliza, mas acertou mal na bola e falhou a possibilidade do 3-0. Depois, foi Jota que ia roubando a bola a André, que conseguiu resolver. E posteriormente, foi Vitó, de livre direto, a criar problemas ao guardião Léo. E tantas ameaças deram mesmo em golo. Aos 53 minutos, o SC Covilhã não conseguiu afastar o perigo proveniente de um pontapé de canto e o central Vasco Fernandes fez o 3-0.

Aos 56 minutos, se a tarefa já estava praticamente impossível para a equipa forasteira, pior ficou. Arnold foi expulso com vermelho direto devido a uma falta junto à linha lateral, mostrando que os jogadores forasteiros já estavam de cabeça algo perdida. O jogo ficou de sentido único a partir daí e o Casa Pia, sem forçar muito, conseguiu ir ameaçando a baliza de Léo em algumas ocasiões. Até que a equipa da casa ganhou um penálti, convertido por Derick Poloni, aos 86 minutos.

 

A FIGURA

Jota (Casa Pia) – O camisola 11 já tinha sido decisivo no último jogo do campeonato, ao apontar os dois golos com que o Casa Pia bateu o Nacional, na Madeira, e hoje voltou a exibir-se em grande plano. Marcando o primeiro golo bem cedo e tendo participação decisiva no segundo golo, Jota fez uma bela primeira parte e abriu caminho à vitória da sua equipa.

 

O FORA DE JOGO

Arnold (SC Covilhã) – O SC Covilhã já estava a ter dificuldades suficientes no jogo e pedia-se cabeça fria aos jogadores num contexto de dificuldade. Arnold não a teve, foi expulso com vermelho direito e deixou a restante equipa em dificuldades.

 

ANÁLISE TÁTICA – CASA PIA AC

A equipa de Filipe Martins apresentou-se para esta partida num 3x4x3. Zolotic, Vasco Fernandes e Zach compuseram o trio de centrais, com Lucas Soares a fazer a ala direita e Leonardo Lelo a ocupar o corredor esquerdo. Vitó e Taira foram os médios-centro, atrás de um trio de atacantes composto por Jota, Banjaqui e Camilo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Batista (5)

Zach (6)

Vasco Fernandes (7)

Zolotic (6)

Lucas Soares (6)

Leonardo Lelo (7)

Taira (7)

Vitó (6)

Jota (8)

Banjaqui (7)

Camilo (7)

SUBS UTILIZADOS

Sanca (6)

João Vieira (6)

Derick Poloni (7)

Nuno Borges (6)

Kelechi (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC COVILHÃ

O treinador do SC Covilhã, Wender Said, montou a sua equipa num 4x4x2 para esta partida. Jean Felipe, à direita, e Lucas Barros, à esquerda, eram os laterais, com a dupla de centrais, composta por André e Héliton, a completar o quarteto defensivo. Jorge Vilela e Ryan Teague formaram a dupla de meio-campo, com os extremos a serem Arnold (direita) e Ahmed Isaiah (esquerda). A dupla de avançados foi formada por Diogo Almeida e Jô. Depois da expulsão de Arnold, Wender não modificou muito, passando apenas Diogo Almeida para o lado direito do meio-campo, num 4x4x1.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo (5)

Jean Felipe (4)

André (4)

Héliton (4)

Lucas Barros (4)

Jorge Vilela (4)

Ryan Teague (4)

Arnold (2)

Ahmed Isaiah (4)

Diogo Almeida (3)

Jô (3)

SUBS UTILIZADOS

Devid Silva (4)

Frank Angong (4)

David Santos (4)

Ricardo Vaz (4)

Thiago (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Casa Pia AC

BnR: Este já é o quarto jogo da época em que o Casa Pia faz quatro golos. Pensando em equipas que também produzem bom futebol, mas que não marcam tantos golos, o facto de a equipa estar a marcar tanto dá confiança ao processo?

Filipe Martins: Continuamos a manter a baliza a zero. São dois objetivos internos que nós temos, para além dos objetivos globais, nesta casa também queremos ser o melhor ataque e a melhor defesa. São partes do processo que temos como meta volantes, se assim se pode dizer, e eu gosto muito de ganhar e marcar golos. O meu foco é esse. Há treinadores que preferem ganhar 1-0, eu prefiro ganhar 4-3, sinceramente.

 

SC Covilhã

BnR: O que disse à equipa ao intervalo para tentar alterar a forma como o jogo estava a decorrer e o que é que falhou nesse início de segunda parte?

Wender Said: O Casa Pia é uma equipa que constrói a três, com centrais que saem muito bem e conduzem muito bem a bola. Esperávamos mais esse constrangimento, mas a verdade é que eles não tiveram um jogo tão elaborado, foi mais pela nossa apatia que eles chegaram ao 2-0. Eu disse que tínhamos de retificar isso. Na segunda parte, até entrámos bem, a dividir o jogo, com mais bola, mas num canto, numa bola que fica meio presa entre os centrais, é o 3-0 e eles matam o jogo. A seguir veio a expulsão do Arnold, que é em frente ao nosso banco, num lance em que o Arnold empurra o Jota pelo peito, o Jota cai e o árbitro expulsa o Arnold. O Jota fez a mesma coisa, mas a diferença física é grande, o Arnold nem se mexeu, o Jota, inteligentemente, foi para o chão, e depois o árbitro amarelou a nossa equipa toda. Acho que devia haver mais bom senso, o jogo estava resolvido.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome