A CRÓNICA: SAPIÊNCIA MAFRENSE FOI SUPERIOR À VONTADE DO ESTRELA DA AMADORA

Pela primeira vez desde 2009, o Estrela da Amadora voltou a participar num campeonato organizado pela Liga Portugal (a Segunda Liga), mas o regresso começou da pior maneira para a equipa da Reboleira.

O Mafra entrou com tudo e durante os primeiros minutos sufocou por completo a equipa do Estrela. Okitokandjo e Abel Camará fizeram remates perigosos, que foram respondidos com defesas de alto nível de Nuno Hidalgo. Mas essa resistência durou pouco tempo. Aos 10 minutos, após um canto batido pelo Mafra, houve muita luta pela bola na área e foi Okitokandjo quem conseguiu controlar o esférico e rematar para o fundo das redes.

O Mafra foi imediatamente em busca do segundo golo e não deixava o Estrela sair do seu meio-campo com a bola controlada. No entanto, com o passar dos minutos, a equipa da casa começou a ganhar um ligeiro ascendente.

A partir da meia hora de jogo, o Estrela passou a controlar o jogo e a acercar-se da grande área do Mafra. Xavi era a peça essencial para o ataque do Estrela, estando sempre envolvido nas jogadas de maior perigo da equipa.

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No final da primeira parte ambas as equipas fizeram remates perigosos que assustaram os guarda-redes. Ainda assim, neste período, foi o Estrela, através de Fabrício, que esteve mais perto do golo.

No início da 2.ª parte, foi a vez do Estrela de entrar a pressionar o adversário. A equipa da casa fez três remates enquadrados nos primeiros três minutos, mas o guarda-redes Renan defendeu-os todos.

Mas, após poucos minutos, o Mafra voltou a controlar a partida, conseguindo muitas vezes sair a jogar com a bola controlada e criar jogadas de perigo. Apesar da vantagem de apenas um golo, o Mafra jogava com tranquilidade, e o Estrela já era incapaz de se aproximar da baliza defendida por Renan.

Com o aproximar do fim da partida, o Estrela voltou a criar perigo e, aos 85 minutos, ficou muito perto de marcar, mas Renan fez uma intervenção fabulosa e impediu o golo.

Em cima do minuto 90, com o Estrela totalmente balanceado para o ataque, Rodrigo Martins recuperou a bola no seu meio-campo e sem oposição correu até à área contrária, onde assistiu Chano, que rematou tranquilamente para o fundo da baliza. Até ao final da partida, Renan voltou a fazer mais uma intervenção de alto nível e o Mafra confirmou o triunfo.

 

A FIGURA
Fonte: Zito Delgado / Bola na Rede

Renan – Manteve a baliza do Mafra no nulo e foi o responsável pela defesa do encontro e também fez uma outra série de boas intervenções, que podiam ter dado o golo ao Estrela da Amadora. Foi um autêntico muro.

O FORA DE JOGO
Fonte: Zito Delgado / Bola na Rede

Tipote – É um jogador que desequilibra o jogo, devido à sua velocidade e à sua pujança física, mas no jogo de hoje, esteve bastante apagado, levando a que fosse substituído na segunda parte.

 

ANÁLISA TÁTICA – CF ESTRELA DA AMADORA

O Estrela da Amadora jogou com um sistema tático 3X5X2. O Estrela inicia a construção do jogo a partir dos três centrais e raramente, os jogadores saem das respetivas posições, com exceção de Xavi, que é o único jogador do Estrela com mais “liberdade” em campo. Ambos os alas são preponderantes na construção ofensiva e no processo defensivo.

Com a entrada de Miguel Rosa no jogo, as manobras ofensivas mudaram, ao contrário de Candé, Rosa descaía tanto para a linha, como para o meio, assumindo o papel de um “falso ala”.

Com o decorrer do jogo, o Estrela alterou a sua formação, abdicou do esquema de 3 centrais, para uma formação 4-3-1-2, devido à entrada de Gonçalo Maria em campo e na frente de ataque ficou na responsabilidade dos substitutos Lubega e Paulinho, com o auxílio de Diogo Pinto, como médio ofensivo e Miguel Rosa, passou da ala, para o meio campo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Nuno Hidalgo (6)

Mamadou Traoré (6)

Matheus Dantas (7)

Edu Duarte (6)

Sérgio Conceição (6)

Xavi (7)

Aloísio (5)

Horácio Jau (5)

Mamadou Candé (5)

Fabrício (7)

Tipote (5)

SUBS UTILIZADOS

Paulinho (5)

Miguel Rosa (6)

Diogo Pinto (5)

Lubega (5)

Gonçalo Maria (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD MAFRA

O Mafra jogou numa formação em 4-4-2. O Mafra, ao contrário do Estrela, é uma equipa em que os jogadores têm mais liberdade para se movimentarem em campo, o exemplo mais claro é a preponderância de Inácio Miguel no jogo, que descaía da ala para o meio-campo, para ajudar na construção de jogo do Mafra. Com isto, levava a que Tomás Domingos assumisse o papel de Inácio na ala e que por sua vez, Camará descesse para a ala, transformando muitas vezes o 4-4-2 do Mafra, numa espécie de 5-4-1, com Okitokandjo a assumir as tarefas ofensivas da equipa.

É de assinalar também o trabalho das bolas paradas, por parte do Mafra, que criaram várias oportunidades através das mesmas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Renan (8)

Tomás Domingos (6)

Bura (7)

Pedro Barcelos (7)

Bruno Silva (6)

Camará (6)

Andrezinho (7)

Inácio Miguel (7)

Rodrigo Martins (8)

Gui Ferreira (6)

Okitokandjo (8)

SUBS UTILIZADOS

Pacheco (5)

Kikas (6)

Lee (6)

Chano (7)

Leandro (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CF Estrela da Amadora

BnR: O Estrela começou bem esta época, com uma vitória por 2-1 sobre o Vizela, mas seguiram-se agora duas derrotas consecutivas em casa, onde sofreu três golos e não marcou nenhum. Pergunto-lhe, na sua opinião, quais são os motivos para esses desaires e se o sistema assente dos três centrais continuará a ser uma aposta para o futuro neste início de época?

Rui Santos: A justificação são as más entradas em jogo, depois equipas muito experientes e competentes no processo defensivo, muitas quebras de jogo permitidas pelas equipas de arbitragem, alguma falta de maturidade da nossa equipa, mas isto é um processo e nós acreditamos muito na forma como os nossos jogadores trabalham diariamente e hoje tenho um balneário muito desiludido e destroçado.

Toda a gente deu o seu máximo e trabalhou no seu limite e, portanto, temos que levantar a cabeça e sexta-feira, não temos muito tempo de recuperação, sexta-feira já temos um jogo, temos que viajar na quinta-feira para a Trofa e não vai haver muito tempo para recuperar, mas a equipa tem que reagir e ter outra capacidade e acho que vamos conseguir.

Em relação aos três centrais, na primeira parte foi uma realidade, na segunda parte não, jogámos em 4-4-2 e, portanto, nós até tínhamos três sistemas preparados para este jogo, o 3-4-3, o 4-4-2 e ainda outro sistema alternativo que não foi utilizado, mas a equipa está preparada para jogar de diversas formas.

CD Mafra

BnR: Viu-se muitas vezes durante o jogo Inácio descair da ala para o meio-campo; qual é que acha que é a preponderância dessa questão tática durante o jogo e se é para manter até ao final da época?

Ricardo Sousa: Sim o Inácio tem tido uma preponderância muito grande nesta equipa, não só por aquilo que dá dentro do campo mas também pela liderança que tem em termos de balneário, em termos de treino, em termos de jogo. É um jogador que gosta do Mafra desde pequenino, se calhar sente mais do que quase todos os outros que não são do Mafra e o Inácio consegue-nos oferecer um critério e um equilíbrio muito grande porque consegue jogar a defesa-direito, consegue jogar a central, consegue jogar a seis.

Temos tido algumas lacunas com 5/6 jogadores lesionados, jogamos com um defesa-central a seis, jogamos com um defesa-esquerdo a oito, ainda estamos algo limitados em termos de opções, mas ele tem-nos equilibrado a equipa duma maneira espetacular, também pela inteligência que tem, pela escola que acabou por ter, pela experiência que foi ganhando nestes últimos anos fora do país, é uma das nossas referências.

Tenho que lhe dar os parabéns, tenho que dar os parabéns a toda a equipa porque perceberam aquilo que deviam fazer e ganhamos justamente um jogo difícil e começamos da maneira que queríamos, a ganhar.

 

Rescaldo de opinião de Afonso Santos e Hugo Costa

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