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Após a extinção das equipas B em 2006, o futebol jovem português entrou em decadência e a presença das selecções jovens em competições internacionais diminuiu. Isto aconteceu porque havia um fosso de qualidade muito grande entre o escalão de juniores e o futebol sénior de primeira divisão, e dar directamente esse salto não estava ao alcance de qualquer um.

Foi por isso que na temporada 2012/2013 os seis primeiros classificados da época anterior tiveram direito à criação de uma equipa B, que iria jogar na Segunda Divisão, servindo como ponte entre os juniores e a primeira divisão sénior.

A criação destas equipas B servia essencialmente para que os jogadores formados no clube pudessem ter uma primeira interacção com o futebol profissional e para que pudessem também continuar a crescer e a desenvolver-se, de modo a conseguirem um lugar na equipa principal. Mas também serviu para serem contratados jovens activos que fossem vistos como apostas de futuro, sendo estas na generalidade dos casos contrações de baixo risco financeiro.

Ora, passados cinco anos, as equipas B têm tido um impacto muito positivo no nosso futebol jovem. Para além de ter voltado a haver mais participações das selecções jovens nas competições internacionais (e algumas delas com grandes campanhas), ano após ano surge uma fornada de novos talentos, no futebol português, que tem potencial para atingir grandes voos. E as equipas B tiveram um papel fundamental neste crescimento, pois serviram como rampa de lançamento para jogadores que nos dias de hoje já são internacionais A, tais como João Cancelo, Gelson Martins e André Silva.

Fonte: Facebook de André Silva
Fonte: Facebook de André Silva

No entanto, apesar dos excelentes resultados do ponto de vista individual, ainda há uma questão que paira na cabeça de muitos adeptos dos três grandes: o que é mais importante nas equipas B? Ganhar os jogos ou desenvolver e preparar os jogadores para a primeira divisão? Ora, eu sempre defendi que implementar uma cultura e uma mentalidade de vitórias nos jovens também faz parte do seu processo de formação. Porém, colocar esse peso nos ombros de uma equipa jovem numa liga bastante competitiva e repleta de equipas com médias de idades perto dos 30 anos talvez seja demais. Analisemos o trabalho das equipas B uma a uma:

O FC Porto tem vindo a ganhar uma nova alma na formação ultimamente. É bicampeão nacional de juniores e cedeu cinco jogadores que foram campeões europeus de sub-17 no ano passado, quatro deles titulares. No que toca à equipa B, foi vice-campeão da Segunda Liga em 2013/2014 e campeão na época passada.

Porém, no que diz respeito ao lançamento de jogadores para a equipa principal, não tem havido grandes resultados. André Silva e Otávio são, de momento, os únicos que se têm exibido a bom nível na equipa principal, se bem que outros jogadores, como Tozé, Gonçalo Paciência, Victor Garcia, Francisco Ramos e Chidozie, já tenham tido as suas oportunidades. Depois, outro aspecto em que o FCP erra é na fase transição dos jogadores após a sua passagem pela equipa B, sendo que nesta época a equipa B azul e branca possui jogadores que já estiveram cedidos a clubes da primeira divisão, tais como Kayembe e Raul Gudiño.

Foto de Capa: FC Porto

Tiago Serrano
Tiago Serranohttp://www.bolanarede.pt
O Tiago é um jovem natural de Montemor-o-Novo, de uma região onde o futebol tem pouca visibilidade. Desde que se lembra é adepto fervoroso do Sport Lisboa e Benfica, mas também aprecia e acompanha o futebol em geral. Gosta muito de escrever sobre futebol e por isso decidiu abraçar este projeto, com o intuito de crescer a nível profissional e pessoal.

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