A CRÓNICA: VITÓRIA ENFÁTICA DO ESTRELA CONSTRUÍDA NOS PRIMEIROS 12 MINUTOS

Dizer que o início deste jogo foi frenético seria um eufemismo: um CF Estrela da Amadora concentrado tirou o melhor proveito da equipa do Académico que, nos primeiros 12 minutos, parecia não ter saído de Viseu.

Diogo Pinto marcou os dois primeiros golos na sequência de jogadas rápidas pelo flanco direito. Depois, ao minuto oito, Paulinho aproveitou um erro impensável da defesa do Académico para faturar; e pouco depois, Diogo Pinto concretizou um hat-trick que lhe demorou apenas nove minutos a alcançar. Um início de sonho para os da casa!

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A realizar uma exibição praticamente perfeita, o Estrela era uma equipa confiante e confortável no jogo – aproveitou várias vezes o (enorme) espaço entrelinhas do Académico de Viseu, assim como as costas da defesa.

Na primeira parte, a turma visitante ainda conseguiu ter alguma posse de bola, mas nunca assustou a baliza de Nuno Hidalgo.

O retomar da partida pouco mudou o rumo do jogo: o Estrela continuava a criar perigo e o Académico demonstrava bastante desinspiração ofensiva.

No entanto, com o passar dos minutos, ambas as equipas estiveram muito perto do golo.

Primeiro foi o Estrela, através do recém-entrado Tipote, que criou muito perigo, mas a bola bateu caprichosamente no poste. Pouco depois, foi Paul Ayongo quem quase marcava; isolou-se perante Hidalgo, permitiu a defesa do guardião e na recarga acertou em cheio na trave.

Até ao final da partida, foi a equipa forasteira quem criou mais perigo, mas a baliza do Estrela da Amadora manteve-se inviolável.

Uma grande vitória do Estrela, que se encontra no melhor momento da temporada: são três vitórias (todas sem golos sofridos) consecutivas. Já o Académico de Viseu, com esta derrota, é ultrapassado pelo Estrela na classificação da Segunda Liga.

 

A FIGURA

Diogo Pinto Masterclass do jovem médio português. Exibição a roçar a perfeição. Para além do hat-trick, esteve muito forte e confiante com a bola nos pés. Esteve em todas as manobras ofensivas da equipa e foi exímio a ligar o jogo dos tricolores. Depois, o hat-trick; foi muito oportuno nos três lances e fez o mais importante, meter a bola no fundo das redes. Incrível.

O FORA DE JOGO

Primeiros 12 minutos do Académico de Viseu – Quatro golos sofridos em doze minutos. Isso diz muito da entrada dos visitantes em jogo. Entraram a dormir e o Estrela não perdoou. Muito desorganizados a nível defensivo, muito passivos a disputar os lances e a deixarem muitos espaços nas costas. Por outras palavras, convidaram o adversário a chegar perto do golo. Minutos iniciais bastante maus que em nada representam aquilo que tem vindo a ser feito nesta temporada pela equipa de Viseu.

 

ANÁLISE TÁTICA – CF ESTRELA DA AMADORA

O Estrela voltou a apresentar-se num 4-3-3, à semelhança do que fez na jornada passada, frente ao Leixões. Com Traoré a ocupar a posição mais recuada do tridente do miolo, a equipa tricolor conseguiu por várias vezes explorar o espaço deixado nas costas do adversário. Diogo Pinto esteve em evidência ao explorar com categoria o espaço deixado entre as linhas do Académico.

Chapi também esteve muito bem ao assumir a função de ligar a defesa ao ataque. Seja no jogo exterior, interior, em transição ou em ataque organizado, o Estrela demonstrou ser sempre mais forte e que poderia criar mossa a qualquer momento. No momento defensivo, os estrelistas reagiam mais do que agiam, ou seja, nem pressionavam assim tanto, só iam basculando no terreno.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Nuno Hidalgo (6)

Mamadou Traoré (8)

André Duarte (6)

Paulinho (7)

Diogo Pinto (10)

Anthony Correia (6)

Diogo Salomão (7)

Afonso Figueiredo (7)

Madson (8)

Chapi (8)

Sérgio Conceição (7)

SUBS UTILIZADOS

Tipote (6)

Tiago Melo (6)

Lubega (6)

Reko (-)

Miranda (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC

Com quatro golos sofridos nos primeiros doze minutos de jogo, foi difícil perceber qual foi o sistema tático utilizado pelos visitantes no início da partida, face à desorganização dos nortenhos. No entanto, quando os golos pararam de chover, a equipa de Viseu estabilizou-se num 4-4-2.

Uma das constantes da primeira parte foi o espaço deixado entre a linha defensiva e o meio-campo dos visitantes. Para além disso, o Académico foi sempre bastante passivo e deixou o Estrela progredir com relativa facilidade, mesmo no corredor central.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gril (3)

Vitor Bruno (4)

Renteria (5)

João Vasco (6)

Nuno Tomás (3)

Daniel Nußbaumer (4)

Mesquita (4)

Pedro Monteiro (3)

Luisinho (4)

Pana (4)

Paul Ayongo (5)

SUBS UTILIZADOS

Fernando Ferreira (6)

Ericson Duarte (6)

Famana Quizera (6)

André Claro (6)

André Carvalhas (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CF Estrela da Amadora

BnR: Chegou ao Estrela da Amadora há menos de um mês e neste momento a equipa está na melhor forma da temporada, com 3 vitorias consecutivas; pergunto-lhe, qual era o estado de espírito da equipa quando aqui chegou e de que forma é que esta vitória pode galvanizar ainda mais esse estado de espírito?

Ricardo Chéu: A verdade é que, quando há uma troca é porque algo não está bem, ou pelo menos os resultados não estão bem. Não significa que o trabalho não estivesse a ser bem feito, bem pelo contrário; o treinador anterior deixou coisas muito bem feitas no seu trabalho. Naturalmente se calhar aqui houve um toque diferente na forma de encarar o jogo na perspetiva de ser mais dominador e tendo os jogadores com essas características, porque não arriscar nesse jogo positivo?

Gosto de um futebol ofensivo, gosto de ser dominador, goto de ter bola, boas dinâmicas e acho que as pessoas perceberam isso, que iam ter um treinador com essa vertente. Foi simplesmente mudar um pouco uma mentalidade de jogar mais em transição para passar a ter um jogo mais dominador, mais objetivo, simples, porque às vezes o mais difícil é fazer as coisas simples e nós estamos a simplificar processos.

Isto não significa que esteja tudo bem, temos muito caminho a seguir, mas claro que trabalhar sobre vitórias é sempre mais motivador, os atletas acreditam mais na mensagem e hoje foi tudo perfeito. Disse-lhes ao intervalo que tudo o que treinámos durante a semana saiu tudo perfeito. É verdade que, nas cinco primeiras vezes que fomos à baliza fizemos quatro golos, depois o Académico conseguiu ajustar a sua dinâmica e corrigir algumas coisas, mas o resultado estava feito e nós soubemos explorar bem aquilo que trabalhámos durante a semana.

 

Académico de Viseu FC

BnR: Sofrer quatro golos na primeira parte é sempre uma situação complicada de encarar e posto isto pergunto-lhe qual foi a mensagem que tentou passar aos seus jogadores no intervalo e como é que tentou que a sua equipa, a partir desse momento, abordasse o jogo?

José Silva: Posso-lhe dizer que cheguei lá dentro e não estive aos pontapés nem a berrar. Eu como jogador já estive lá dentro e sabia perfeitamente aquilo que eles estavam a sentir e eu não estava preocupado comigo, estava preocupado com os meus jogadores, com aquilo que eles estavam a sofrer porque eles não mereciam. Eu assumo aquilo que se passou hoje aqui e tenho a certeza absoluta que este grupo vai dar a volta por cima porque tem homens lá dentro de grande carácter.

Não lhes disse nada demais. Olhámos para aquilo que aconteceu na primeira parte e mudámos a imagem que tínhamos deixado na primeira parte, o que era importante porque nós não somos aquilo. Depois foi fazer alterações para tentarmos mexer com o jogo, tivemos na segunda parte uma ou outra situação, mas não era o nosso dia hoje. Foi um dia mau, estamos todos tristes, mas vamos ter que levantar já amanhã e começar a preparar o jogo da Taça porque este já não podemos fazer mais nada.

Rescaldo de opinião de Afonso Santos e Alexandre Ribeiro

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