A CRÓNICA: NO FC VIZELA, O TESTE À CONSOLIDAÇÃO DO QUARTO LUGAR DEU NEGATIVO

A Vizela Romana acordou cedo e preparou-se para ser anfitriã do encontro defronte da equipa B do FC Porto. O confronto histórico é grafado por apenas cinco embates anteriores, dos quais o FC Vizela só saiu vencedor por uma única vez (1-0) – altura em que ambas as formações representavam a miríade de equipa da II Divisão B, na Zona Norte – em maio de 2005. Em caso de triunfo, a turma orientada por Álvaro Pacheco consolidava o quarto posto na tabela classificativa, aproximando-se dos almejados lugares de subida.

Cassiano deu o primeiro aviso à passagem do minuto oito: Samu, após recuperação de bola defronte de Rodrigo Conceição, lançou o camisola nove na profundidade e este, nos olhos de Cláudio Ramos, desperdiçou a possibilidade de inaugurar o marcador.

Kiko Bondoso (12′), após canto batido por Marcos Paulo e num pleno sentido de oportunidade, aproveitou uma bola recém-chegada à entrada da área portista e desferiu um remate tenso para defesa apertada do ex-Tondela FC.

Anúncio Publicitário

A produtividade futebolística do FC Vizela caiu e a audácia portista foi estimulada: Tomás Matos (26′) intersetou um alívio de Pedro Silva e colocou em Francisco Conceição; este driblou e furou parte da redoma vizelense e dispôs a bola à guarda de Namaso. Resultado? O guarda-redes emendou a asneira e atirou para canto.

A partir da meia hora de jogo, o equilíbrio tornou-se a nota dominante: a qualidade atingiu níveis residuais, travaram-se inúmeras batalhas a meio-campo, as saídas de bola eram (mau) augúrio e traduziam-se em perdas céleres até ao ancorar do intervalo da partida.

Na segunda parte, os treinadores ansiavam que o chá (e o sermão) surtisse o efeito desejado…

Dez minutos volvidos após o apito para o começo da segunda metade, Ofori, na passada, alveja um remante tenso e cheio de colocação à baliza à guarda de Cláudio Ramos.

Note-se a insistência e o rosto da insubmissão: aos 67′, Francisco Conceição, após um lançamento, driblou Ofori, perpassou a divisória da grande área e rematou na diagonal para defesa apertada de Pedro Silva; três minutos mais tarde, após recuperação de Tomás Matos, a bola é devolvida ao 85 portista que dribla dois adversários e erige um tento junto do poste esquerdo.

O minuto 76 sinaliza a melhor oportunidade do encontro: Samu, após a transformação de um livre direto resvalado na barreira portista, atira ao ferro superior; no ressalto, Matheus atira para as mãos de Cláudio Ramos.

Até ao término da partida, os momentos de perigo escassearam. Embora o encontro encerrasse em si momentos de entusiasmo e expetativa de parte a parte, vigorou o desperdício e a inépcia atacante.

O FC Vizela permanece no quarto lugar da tabela classificativa e na luta pela subida ao principal escalão do futebol.

 

A FIGURA

Fonte: FC Porto

Francisco Conceição: a imaturidade e a margem de progressão cruzam-se na presente linha temporal. O jovem médio portista reúne tudo o que um bom extremo deve preencher nos seus requisitos: velocidade, drible, aproveitamento da profundidade, facilidade com bola e rasgos de genialidade. Hoje, diante do FC Vizela, deu água pela barba ao setor defensivo e foi o mais irrequieto no reduto portista.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Facebook FC Vizela

 

Setor ofensivo do FC Vizela – o conjunto apto e maturo que num passado recente resolveu e sentenciou partidas que se vislumbravam irresolutas, hoje não desenlaçou o nulo inicial. Cassiano, Cardozo e Cann deram trabalho morosa à defensiva portista, mas as tentativas que pintaram redundaram na anulação.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC VIZELA

Na demanda da consolidação do quarto posto, a formação vizelense apostou no habitual 4-4-2. Cardozo e Cassiano eram os soldados da frente de batalha e recebiam suporte de Samu e Kiko Bondoso – homens responsáveis pelo ataque delineado a partir dos flancos – e Ericson e Marcos Paulo – responsáveis pela destruição e construção, pelo vulgarmente designado “pautar de jogo” e pelo inclinar do terreno a seu bel-prazer.

Durante o quarto de hora inicial, a equipa do FC Vizela procurou de modo incessante delinear os seus ataques através dos flancos, procurando nomeadamente as costas de Rodrigo Conceição.

Ao longo da primeira metade, observaram-se dificuldades no posicionamento sem bola e na dificuldade sentida aquando das intentonas ofensivas nas em zonas mais interiores do terreno, recorrendo, vezes sem conta, à falta. Contudo, nota positiva para as triangulações desenhadas entre Ericson, Marcos Paulo e Kiko Bondoso.

Na segunda parte, o FC Vizela foi subjugado ao ímpeto portista e impingido ao recuo das suas linhas. Ericson e Marcos Paulo eram constantemente impedidos de edificar ataques sólidos e, sempre que possível, lançavam Cann e Cassiano nos contra-golpes.

 11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pedro Silva (6)

Matheus (7)

Cassiano (6)

Cardozo (5)

Marcos Paulo (6)

Kiko Bondoso (6)

Samu (7)

Ericson (6)

Aidara (6)

João Pedro (5)

Richard Ofori (7)

SUBS UTILIZADAS

Koffi (6)

Cann (5)

R. Guzzo (5)

Marcelo Oliveira (4)

Kiki (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO B

No regresso de António Folha a casa, o sistema tática gizado conhecia uma identidade semelhante à do adversário e inalterável desde o último embate no Olival, diante do Varzim SC (0-1): um 4-4-2 capaz de potenciar a profundidade que Namaso e Gonçalo Borges conferem ao jogo e apoiado pela velocidade característica e interdependente das alas, onde residem os irmãos Conceição, Diogo Bessa e Rodrigo Valente.

A partir dos 15 minutos, os dragões imberbes possuíam o domínio da partida a meio-campo e sinalizavam uma preocupação acrescida com bola, erigindo nomeadamente movimentos interiores. Após a postura soberana, a equipa portista possibilitou o equilíbrio.

Gonçalo Borges foi o dragão mais solicitado durante a primeira parte, a par de Rodrigo Conceição e Namaso; porém, as três peças mais avançadas, na transposição do último terço da quadra, não encerraram em si a frieza e a eficácia necessária.

Na segunda metade, o FC Porto B subiu as linhas de pressão e os respetivos blocos, instalando-se maioritariamente no meio campo do FC Vizela. Francisco Conceição demonstrou o impacto do chá supracitado: as “tabelinhas” com o irmão desorientavam Ofori e a restante defensiva vizelense e o drible em velocidade deliciava os espetadores físicos e virtuais. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Cláudio Ramos (7)

Namaso (6)

João Marcelo (6)

Tiago Matos (6)

Mor N’diaye (6)

Diogo Bessa (5)

Gonçalo Borges (6)

Pedro Justiniano (6)

Rodrigo Conceição (8)

Rodrigo Valente (6)

Francisco Conceição (7)

SUBS UTILIZADAS

Igor Cássio (-)

Johan Gómez (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Vizela

BnR – Mister, bom dia. Hoje, a partida terminou num nulo. O resultado foi desajustado e escasso mediante as tentativas construídas pelo FC Vizela ou acabou por condizer com os factos de jogo?

Álvaro Pacheco – Estivemos perante duas equipas que quiseram e fizeram por ganhar o jogo. Considero que pecamos na finalização, apesar de termos as melhores oportunidades da partida. Tenho de dar o mérito ao FC Porto pela pressão que impôs aos meus jogadores  e pela estratégia que montou. Contudo, estou feliz pela qualidade de jogo desenvolvida. foi um jogo tremendamente difícil pela pressão agressiva e constante que o adversário nos provocou, mas a minha equipa teve a maturidade suficiente para se saber manter estável. Que me lembre, o FC Porto teve duas oportunidades de golo verdadeiramente flagrantes. o resultado acabou por ser ajustado ao que se passou durante a partida. Porém, se houvesse um vencedor desta partida, a meu ver, o mais justo seria o FC Vizela.

FC Porto B

BnR – Mister, bom dia. Esta semana assinalou-se o seu regresso ao comando da equipa B do FC Porto. Apesar do desfecho, retirou conclusões positivas da partida? Considerando a posição que ocupa na tabela classificativa, sente que há espaço para crescer e melhorar?

António Folha – Senão não vinha, não é? Ficava em casa (risos). Foi um ponto positivo, apesar de ambas lutarem pelos três pontos e um excelente jogo. O ponto foi muito positivo. Para mim, jogamos contra a equipa revelação deste campeonato. Gostei muito da prestação e atitude da equipa, estou orgulhoso porque jogamos contra um adversário poderoso. Os jogadores, com a vinda de um treinador novo para o clube, podiam ficar intranquilos e receosos do que poderia advir das ideias. É lógico que o tempo é o fator fundamental para que eles assimilem e assentem as ideias e estratégias do treinador. Mas volto a dizer, saio daqui contente!