A apoiar, como sempre

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Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

Sendo este o meu primeiro texto para o Bola na Rede, decidi explicar como é que a minha paixão pelo Sporting Clube de Portugal começou e, consequentemente, como é que foi crescendo. Sei que por muita coisa que escrevesse aqui nunca faria jus àquilo que realmente sinto, pois há muita coisa que não se explica, por isso decidi escrever a minha história, já que a do clube já é conhecida. Tudo começou da mesma forma que começam muitos dos clubismos, se não mesmo a maioria: a minha família é sportinguista. Não tem grandes segredos. Mas há algo – uma figura – que unirá para sempre a minha família à grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal: Anselmo Fernández (mas esta história merece mais do que uma pequena menção, daí que reserve este tema para uma futura crónica).

Com apenas cinco anos vi o Sporting ser campeão (1999/2000). A euforia sportinguista que a conquista desse título criou era mais do que justificada, dado que significava o fim de um jejum de dezoito anos sem pôr as mãos no título de campeão nacional. Foi essa mesma euforia, sentida de mais perto em minha casa, que me chamou a atenção para o fenómeno do futebol. Nessa época cheguei a ir ao Estádio de Alvalade meia dúzia de vezes assistir a grandes exibições do Sporting. Pensarão que um miúdo de cinco anos pode não perceber muito bem aquilo que significa “ser campeão nacional de futebol”, mas com certeza que percebe que é algo que dá muitas alegrias a muita gente. Provavelmente, terei pensado que “era giro” poder fazer parte da festa; ou então terei pensado que gritar e bater palmas por o Sporting ter ganhado era algo que parecia simples de mais para trazer tanta alegria. Aquilo em que terei pensado não será relevante, o importante é que foi graças a esse título que percebi a magia que é ser campeão – ainda hoje guardo com carinho a camisola de Peter Schmeichel, que vestia orgulhosamente sempre que ia ao estádio. No ano seguinte assisti ao vivo à maioria dos jogos em casa – coisa que agradeço muito ao meu pai -, mas infelizmente a época não correu tão bem como a anterior.

"Primeira camisola que vesti. Desde então levei sempre o Sporting comigo, para onde quer que fosse"
“Primeira camisola que vesti. Desde então levei sempre o Sporting comigo, para onde quer que fosse”

Dois anos depois – desta vez tinha eu sete anos e compreendia muito melhor aquilo que era o futebol -, voltámos a conquistar o título de Campeão Nacional de Futebol (2001/2002). Lembro-me muito bem dessa época e, em concreto, do dia em que saí de casa para ir festejar na rua um título do Sporting, rodeado de buzinadelas provenientes de carros repletos de sportinguistas eufóricos que festejavam a conquista de mais um troféu. Foi até hoje o único título de campeão nacional que festejei dessa forma, é verdade, mas não tenho vergonha de que assim seja. Já lá vão doze anos, mas o Sporting contou sempre com o meu apoio, mesmo que não concordasse com a maneira como as coisas estavam a ser feitas no clube do meu coração. E é nestas alturas que se vê não só a grandeza dum clube mas também a dos seus adeptos e da sua massa associativa. Apoiar quando as coisas correm bem é fácil, mas fazê-lo quando correm mal é algo muito mais difícil. Ao longo destes doze anos, perdemos uma final europeia a jogar em casa; chegámos às meias-finais da Liga Europa, merecendo chegar à final; lutámos pelo título até ao final por quatro vezes, merecendo ganhá-lo por duas delas; conquistámos duas Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira; e fizemos a pior época da nossa História. É certo que não é suficiente para o Sporting, mas a verdade é que durante estes doze anos nunca chegámos a ser verdadeiramente o Sporting que eu conheci e pelo qual me apaixonei. Mas esse há-de voltar, não tenho dúvidas.

Sempre acreditei no Sporting, ainda hoje acredito e com mais convicção. Os sportinguistas passaram por momentos difíceis mas isso serviu para unir mais os adeptos, que nunca retiraram o apoio ao seu clube. E assim aconteceu comigo; não fugi à regra e, depois destes doze anos, solidifiquei a paixão que nutro por este meu clube. O apoio da minha parte foi incondicional, assim como o de grande parte dos sportinguistas. E é por isso que merecemos ser recompensados – e sê-lo-emos em breve. Foi juntos que passámos por esta má fase, será também juntos que a iremos superar. Estamos a crescer e em breve chegaremos ao topo. A diferença é que desta vez será muito difícil tirar-nos de lá. Tenho muita esperança neste novo Sporting, que se assemelha muito mais àquele que conheci e pelo qual me apaixonei. E acredito que será este novo Sporting quem justificará todas as dificuldades pelas que passámos (os sportinguistas) durante estes doze anos. E quando assim for lá estarei eu, como sempre, a apoiar.

José Pedro Mozos
José Pedro Mozos
O Zé Pedro nasceu um dia sob o signo do leão, assim como uma das suas maiores paixões: O Sporting. Desde aí que o seu percurso tem sido traçado a verde-e-branco. Vibrou com os grandes triunfos e sofreu com os desaires, mas nunca deixou de apoiar o clube leonino. Escrever para este site é só uma das muitas formas de expressar aquilo que sente pelo Sporting.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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