A arte da remontada

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milnovezeroseis

Caro leitor,

O Desporto é, desde os primórdios da Humanidade, uma arte nobre. De Atenas até hoje, milhares de pessoas vibram com a espectacularidade proporcionada pelo atletismo, pelo ciclismo ou pelo desporto-rei. Criado em Cambridge, o originalmente denominado football, não foge à regra, sendo causa de paixões escaldantes e de vitórias apaixonantes.

As famosas remontadas, termo espanhol utilizado quando uma equipa consegue virar o resultado de um jogo de negativo para positivo, são um exemplo do quão incerto e fabuloso pode ser o futebol. Grandes jogos, como o Portugal-Coreia em 1966 ou o Liverpool-AC Milan a contar para a final da Liga dos Campeões em 2005, são partidas que, dificilmente, saíram da memórias dos adeptos do desporto-rei devido à cambalhota que o resultado final, em ambos os jogos, sofreu.

Qualquer equipa com garra de campeã tem de possuir o discernimento necessário para protagonizar uma remontada. A capacidade de luta tem de estar no ADN de cada equipa vencedora. Os Magriços do Mundial de ’66 e o Liverpool de Rafa Benitez demonstram-na veementemente quando protagonizaram as já referidas reviravoltas.

Neste sentido, o Sporting têm seguido caminho idêntico. Até agora os leões já conseguiram virar três jogos a seu favor. A mudança – para melhor – da turma de Alvalade é também reflectida em pequenos aspectos como este. A primeira das remontadas dos pupilos de Leonardo Jardim deu-se, prontamente, na primeira jornada do Campeonato, frente ao Arouca. Após um golo de Bruno Amaro, o Sporting partiu em busca da reviravolta no resultado que acabaria por alcançar com primor, assinalando o placard final uns clarividentes 5-1 a favor dos leões.

A segunda cambalhota no encontro rubricada pelo Sporting deu-se no jogo que opôs o clube de Lisboa aos insulares do Marítimo. Esta já contou com o rosto leonino das reviravoltas no resultado – Islam Slimani. À semelhança do que aconteceu ontem, em jogo contra o Arouca, vítima de duas remontadas leoninas, o argelino foi pedra angular na equipa do Sporting. O melhor jogador argelino do ano transacto é, definitivamente, alguém talhado para resolver jogos. Com Montero a apresentar-se uns furos abaixo do que seria expectável, Slimani tem sido aquele jogador letal preponderante nas grandes equipas.

Efectivamente, o Sporting, que é de Portugal, tem em sua posse os condimentos necessários para escrever uma página bonita da sua história. As três remontadas rubricadas até agora são um exemplo do suor que a equipa deixa em campo. Como cantava José Afonso que “venham mais cinco”!

Pedro Lemos
Pedro Lemos
O Pedro vem do Algarve e vê futebol desde que se lembra. Sportinguista vindo de uma família benfiquista, assume-se como sonhador e um confesso "bruno-carvalhista".                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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