A bonita viagem de Fernando Cardinal

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Fernando Cardinal, pivot do plantel de futsal do Sporting CP, anunciou que está de saída de Alvalade no final desta temporada. Contrato? Idade? Concorrência? São vários os fatores que podem justificar a saída do jogador.

Contudo, o motivo só ele sabe, mas, ao que parece, até porque já se encontrava em final de contrato, chegou mesmo a hora de dizer adeus a um dos melhores que passaram na turma verde e branca.

Desde que me apaixonei por esta modalidade que me recordo de Fernando Cardinal. Tinha eu dez anos e já via o pivot a marcar golos e a fazer das suas.

Posso dizer que não é um jogador que me enche o olho pela forma de jogar, mas realço toda a sua qualidade e todo o seu legado, não só enquanto jogador do Sporting, mas também pelo papel que assumiu seleção.

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— Fernando Cardinal (@CardinalFutsal) May 5, 2022

AS RAZÕES

Na minha opinião, Cardinal sai de consciência tranquila por já ter dado muito ao Sporting e, julgo eu, sai pelo próprio pé. O pivot já tem 36 anos e, apesar da forma como se dedica, já reparámos que o rendimento não é o mesmo, o que é normal. Julgo que o fator idade é a principal razão para a saída de Cardinal.

Olhando para o outro lado da moeda, a direção do Sporting CP também pode ter dado o seu parecer, neste caso negativo, visto que Cardinal estava em fim de contrato e os leões não quiseram prolongar o vínculo, chegando a acordo por parte de ambas as partes.

Em último lugar, e não menos importante, a concorrência. Zicky, Waltinho e agora Esteban são três dores de cabeça que Nuno Dias tem e são jogadores para o futuro, apesar de estarem em grande forma. A malta mais jovem está a jogar bem e a mostrar rendimento, mas, importa mencionar, Cardinal não tem ficado atrás, sendo que apontou, até ao momento, 16 golos esta temporada.

Fernando Cardinal
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O LEGADO

Fernando Cardinal sempre foi um jogador que admirei pela forma como se entrega ao jogo e pela forma como sente o símbolo que tem ao peito. Foi no Sporting que o pivot, agora de 36 anos, catapultou a sua carreira para outro nível.

Recuemos até à temporada 2009/2010, precisamente a altura em que comecei a praticar futsal. Vindo do Freixieiro, Fernando Cardinal chegou a Alvalade. Apesar de só começar a dar pontapés na bola nessa altura, já acompanhava a modalidade ocasionalmente.

Cardinal não era um jogador que me enchia o olho e, se me recordo bem, não achei que fosse mudar algo. O futsal era e estava diferente na altura. A verdade é que Cardinal mostrou-me, claramente, que estava errado. Em duas temporadas foram só 72 golos…

Um pivot puro. Um pivot de referência e que quando está em campo nota-se claramente a equipa a rodar para o sistema tático 3-1. Cardinal sempre teve uma capacidade incrível de segurar a bola, bem como de rodar sobre o adversário, fazendo uso do seu corpo, visto que não é tão rápido.

Outra qualidade que não posso deixar de mencionar é a capacidade de finalização que Cardinal tem, tal como qualquer pivot com estas características deveria ter. Cardinal é uma máquina de fazer golos, quer no jogo corrido, quer nas bolas paradas.

Estas características fizeram com que o jogador tivesse um papel mais que fulcral na seleção nacional. Arrisco dizer que, até ao surgimento de Zicky, a seleção das quinas nunca teve um pivot com qualidade suficiente para estar ao lado de Cardinal.

Isso fez com que, durante anos e anos, Cardinal fosse o único pivot, com a qualidade desejada, disponível para estar de quinas ao peito. Jorge Braz, inclusive, acabou por ajustar o seu jogo, metendo Portugal a jogar num 4-0 cada vez mais aperfeiçoado, e que é notoriamente o esquema tático predominante, e convocatórias com e sem Cardinal.

Cardinal deixa um legado no futsal português invejável. Estamos em 2022, mas em 2008 o pivot já marcava em mundiais. Cardinal tem um palmarés de 26 títulos, incluindo duas Ligas dos Campeões. Cardinal foi campeão três vezes em Espanha, a liga mais competitiva do mundo em futsal, e, por enquanto, quatro vezes em Portugal.

Foram sete temporadas de leão ao peito e que bonita viagem foi e tem sido. Espero genuinamente que Cardinal acabe, mais uma vez, esta temporada campeão. Bem merece. Chegou a hora do adeus, obrigado, Cardinal. Obrigado por sentires o Sporting.

 

Artigo com opinião do redator do Sporting CP, João Marques

 

João Filipe Marques
João Filipe Marqueshttp://www.bolanarede.pt
O João Marques é natural da ilha Terceira. Desde cedo manifestou um gosto especial pelo desporto. Com o crescimento surgiu o gosto pela escrita e a vontade de transmitir informação. Decidiu juntar o útil ao agradável e acabou por aventurar-se pela FCSH – Nova Lisboa, onde se licenciou em Ciências da Comunicação. Regressou à Terceira e encontra-se a estagiar no jornal local, o Diário Insular. Entra no projeto com grande vontade de escrever sobre o desporto rei e sobre o seu grande amor, a turma verde e branca.

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