Após a vitória em Tondela, Rúben Amorim, na conferência de imprensa, disse o seguinte, relativamente aos jogos ganhos já perto do fim: “Podemos prometer o mesmo de sempre: muito trabalho. Vamos encarar os jogos com esta intensidade, com esta forma de estar, sabendo que, aproximando-se o fim, cada vez vai ser mais difícil. Vamos prometer também alguns problemas de coração, algumas dores de cabeça, mas se Deus quiser que venha felicidade no fim dos jogos. Vamos levar as coisas com muito coração, muita vontade, muito rigor. No fim de cada jogo que venha uma alegria, como tem acontecido.”.

Interessante, Rúben. Admito que, por ser sportinguista, já tive muitos problemas de coração e dores de cabeça. Tive problemas e dores quando perdemos a final da Taça UEFA, na nossa casa, em 2004; quando, em 2005, o Luisão marcou aquele golo de cabeça na Luz; quando levámos 12-1 do FC Bayern Munchen, nas duas mãos dos oitavos da Liga dos Campeões; quando ficámos em 7.º lugar na Liga, em 2012/13; quando o Bryan Ruiz falhou aquele lance, que nem preciso de especificar. Nesses e em muitos mais momentos semelhantes, tive bastantes e diversificados problemas.

Agora, os “problemas” que tu nos dás, a mim e a milhões de sportinguistas, não são nada. No máximo dos máximos, são uns calafrios. Se isto que nos dás são “problemas”, então começo a achar que sou masoquista.

Contra o Gil Vicente FC, os leões estiveram a perder até aos 82 minutos quando Sporar empatou o jogo, que acabaria com vitória leonina
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Percebo que aches que estas vitórias conseguidas a ferros no fim do jogo nos dão “problemas de coração”, visto que, perto de 40% dos nossos golos no campeonato são no último quarto de hora e, para além disso, seis desses golos são já em tempo de compensação, mas discordo. Neste ano, pelo menos, tenho de discordar.

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Por estranho que possa parecer, estou descansado. Talvez por me parecer que, desse lado (equipa técnica e jogadores), estão pessoas que querem tanto “isto” como nós, por isso sinto que vamos ser felizes. Era o que faltava ao nosso Sporting CP, pessoas que se enchessem de vontade e de orgulho por representar o Sporting Clube de Portugal.

De leão ao peito, estão muitos “leõezinhos” que nasceram e passaram a sua vida a sonhar com a sua estreia na equipa sénior e que dão a vida para defender o símbolo que todos amamos. Esta atitude é tudo e só com atitude é que o talento e os resultados aparecerão. E que bem que eles têm aparecido. Quem trabalha é sempre recompensado, por isso é que esta “estrelinha” não é sorte, é, como já foi dito várias vezes, pura e simplesmente trabalho.

O importante, daqui em diante, é nunca perder esta vontade, este rigor e este orgulho de envergar a verde e branca. Só dessa forma é que, como tu tão bem disseste Rúben, pode vir “a alegria, como tem acontecido”. Que todos os teus problemas acabem com festejos de todos nós.

Posto isto, Rúben, agradeço que te preocupes com a nossa saúde, mas não é necessário, porque, comparado com o que já passámos, com estes “problemas” aguentamos nós bem.