A teimosia de Jorge Jesus e o seu reflexo na equipa

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Quando olhamos para Jorge Jesus, sejamos nós adeptos do Sporting ou de qualquer outra equipa nacional, todos somos capazes de lhe reconhecer qualidades que o tornam num dos melhores treinadores portugueses da atualidade, a nível técnico e sobretudo tático. No entanto, é quase inevitável que esses mesmos adeptos também sejam capazes de lhe apontar, pelo menos, uma mão cheia de defeitos que normalmente têm impacto direto no rendimento das suas equipas, colocando-as em momentos delicados e difíceis de ultrapassar.

Para além do egocentrismo que lhe é reconhecido – que já o havia colocado em maus lençóis no Benfica com a perda de três importantes troféus na reta final da época 2012/13 – também a teimosia em apostar nos seus jogadores de confiança, mesmo que estes estejam em claro sub-rendimento, é um dos motivos que justificam a queda de forma do Sporting nesta nova época.

Se pegarmos na equipa que é habitualmente titular, e analisarmos caso a caso é fácil perceber aquilo de que falo nas linhas anteriores. Na lateral direita, Schelotto e João Pereira concorrem por um lugar no onze. No ano passado, quando chegou a meio da época, Schelotto agarrou o lugar e teve um crescendo de forma até ao final da época – algo que, de resto, aconteceu com a restante equipa titular – e colocou João Pereira numa situação de eclipse total em que a imprensa chegou a questionar Jorge Jesus sobre o motivo pelo qual o português nunca fazia parte dos planos. Esta época, em treze jogos oficiais, o português disputou sete encontros contra seis do ítalo-argentino. Para mim, João Pereira seria o lateral de eleição – não metendo de parte o “esquecido” Ricardo Esgaio – a quem se devia confiar a titularidade, pois raramente compromete, mesmo quando lhe aparecem pela frente jogadores que à partida serão uma dor de cabeça devido à intensidade e velocidade que colocam no jogo. Em sentido inverso, Schelotto já teve erros preocupantes durante esta época e o banco seria uma boa opção, não fosse este um jogador contratado na era Jorge Jesus, o que leva o treinador a querer “à força” que o jogador tenha um rendimento assinalável.

João Pereira tem sido mais esclarecido que o seu concorrente direto Fonte: Sporting CP
João Pereira tem sido mais esclarecido que o seu concorrente direto
Fonte: Sporting CP

A lateral esquerda é, neste momento, a maior dor de cabeça para treinador e adeptos. Marvin Zeegelaar e Jefferson estão longe de render aquilo que se exige a jogadores que representam um clube candidato ao título nacional. E, por isso mesmo, Bruno César já foi chamado por três vezes para diminuir os estragos. Na época passada, Jefferson foi o lateral mais utilizado – Marvin só chegou em janeiro – e, tal como nos habituou, acredito que com uma boa dose de confiança e ritmo de jogo, a história podia ser bem diferente a começar nos cruzamentos milimétricos que fazia e que tanto jeito dariam por esta altura a Bas Dost. Mas, mais uma vez, Marvin foi uma compra da era Jorge Jesus.

Bryan Ruiz está em claro sub-rendimento e nem a alteração da sua posição habitual para segundo avançado trouxe melhorias significativas ao ponto do costarriquenho evidenciar todas as qualidades que sabemos que tem. Apesar de transpirar talento com a bola nos pés, algo que é um presente dos deuses para qualquer amante do futebol, o seu compatriota Joel Campbell parece estar a subir de forma e se continuar assim é possível que seja utilizado com mais regularidade por Jorge Jesus. No entanto, Bryan Ruiz está mais familiarizado com as rotinas da equipa e as ideias do treinador e, por isso, parece-me que será a primeira opção para a ala esquerda durante os próximos tempos.

Cláudia Figueiredo
Cláudia Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
Sportinguista devota desde que se conhece, o futebol é o seu desporto de eleição. Quando jogava, era médio-ofensivo de posição, mas agora prefere a bancada. A menos, é claro, que a convidem para uma peladinha entre amigos.                                                                                                                                                 A Cláudia escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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