Vitória de Guimarães 0-1 Sporting: A vitória do querer, da raça e da vontade

- Advertisement -

escolhi

Tive um treinador ao longo da minha formação futebolística que me marcou especialmente. Esteve, na época passada, a orientar o Olhanense que acabou por salvar nas últimas três jornadas e está, este ano, no Fátima onde passa por algumas dificuldades provenientes de problemas que ultrapassam as quatro linhas. Falo de Bruno Saraiva e uma das muitas coisas que aprendi com ele foi que haverá sempre jogos que não se irão decidir na técnica, no brilho e através da inspiração. O querer, a raça e a união serão, aí, os pratos que equilibrarão a balança carente de magia. Hoje, em Guimarães, foi assim que o Sporting conquistou os três pontos. E estes não valem menos que os outros.

O Sporting entrou mal no jogo. Com o onze expectável, talvez tenha entrado com a mentalidade errada num jogo em que se previa existir muitos mais momentos de luta do que de futebol bem jogado. E assim foi. Mas, nos primeiros 30 minutos, foi o Guimarães a conseguir ganhar a maior parte das bolas divididas e, consequentemente, os duelos individuais. Maazou ia ganhando quase todos os lances a Maurício que usava e abusava da falta; Abdoulaye também dominava os lances quando chamado a intervir e o tridente do meio-campo (muitas vezes transformado em quadra, com a descida de Barrientos) formado por Leonel Olímpio, André Santos e André André ia conseguindo alguns espaços a partir dos quais a equipa da casa gerou alguns ataques perigosos, inclusive uma bola ao poste através do possante ponta-de-lança nigerino. William Carvalho fez talvez os minutos mais instáveis desde que se afirmou na equipa, Capel não aparecia no jogo e Adrien e André Martins também não conseguiram assumir o jogo, embora mostrassem vontade de o fazer. Carrillo foi, ainda assim, o melhor da equipa, desequilibrando pela via individual.

Sensivelmente a partir da meia hora de partida a equipa de Alvalade conseguiu estabilizar o seu jogo. Sem fazer um jogo brilhante, o Sporting passou a pôr a bola mais tempo junto ao relvado e, dessa forma, contrariar o jogo aéreo em que o Guimarães se havia mostrado superior. O resultado ao intervalo era justo mas, a haver alguém a merecer a vantagem, era a equipa de Rui Vitória.

No segundo tempo manteve-se a tendência dos últimos quinze minutos da primeira parte. O Sporting a ter mais bola, mais iniciativa e, aos poucos, a ir encostando o adversário atrás. Contudo, faltavam as ideias. E as oportunidades de golo, para ambos os lados, iam sendo raríssimas (quase nulas, mesmo) fruto da ausência da tal envolvência de que o jogo foi carente durante os noventa minutos.

Leonardo Jardim hesitava em mexer na equipa e o Sporting ia-se mostrando amarrado. Foi apenas quando lançou Carlos Mané – penso que foi injusto para Carrillo ter sido o primeiro a sair, embora tenha quebrado um pouco na segunda parte -, Diogo Salomão e, por fim, Islam Slimani que o Sporting se mostrou mais perigoso. Principalmente com a última substituição, já depois dos oitenta minutos, foi ganha a dimensão aérea e, sobretudo, uma outra presença nos últimos metros que até então eram demasiado desertos de verde-e-branco. O esquema remodelou-se – mais uma vez – do 4x3x3 para o 4x4x2 e, embora primeiro até tenha visto um golo seu ser anulado, Slimani voltou a marcar nos instantes finais e, desta vez, a conseguir mesmo garantir a vitória para o Sporting. Reside a dúvida sobre se será este o esquema ideal para as pretensões do clube de Alvalade. É já o terceiro jogo consecutivo em que o 4x4x2 rende golos e, no campeonato, vitórias, depois do Marítimo ter sido derrotado na segunda parte em Alvalade.

Este foi daqueles jogos em que foi o querer, a garra, a capacidade de sacrifício e a união que trouxeram os três pontos, preciosos, de volta para Lisboa. Os jogos acabam quando o árbitro apita e esse é outros dos pontos positivos que o Sporting vai deixando: pelo segundo jogo consecutivo, Slimani marca já depois dos noventa minutos. Pode ser coincidência mas acredito principalmente que pode ser a mentalidade certa e a preparação ideal durante os treinos. E isso é fruto de uma boa organização… que já não se via há muito por Alvalade. Estamos a um ponto do topo mas esse não tem de ser um factor que nos leve à perda do rumo que até agora tem sido muito bem traçado e respeitado.

Subscreve!

Artigos Populares

Primeira Liga: Vasco Seabra eleito Treinador do Mês de agosto

Vasco Seabra foi eleito o Treinador do Mês de agosto da Liga Portugal, depois de um arranque com três vitórias em quatro jogos ao comando do Arouca.

Enzo Maresca e o golo polémico do Manchester City diante do Manchester United: «Há três anos, ninguém pediu desculpa»

Enzo Maresca foi questionado sobre o golo mal validado do Manchester City no triunfo frente ao Manchester United.

Al Taawon castigado com dois jogos à porta fechada após provocações a Rúben Neves

O Al Taawon foi castigado com dois jogos à porta fechada na sequência das provocações a Rúben Neves, no jogo frente ao Al Hilal.

João Simões assinala regresso ao ativo ao serviço do Sporting B: «Foram cinco meses de sofrimento»

João Simões regressou ao ativo cinco meses depois e reagiu ao regresso, após ser opção no jogo do Sporting B.

PUB

Mais Artigos Populares

Gonçalo Ramos vai reencontrar o Benfica: recorda os seus números pelas águias

O AC Milan x Benfica joga-se esta quarta-feira para a primeira jornada da Europa League. Recorda os números de Gonçalo Ramos na Luz.

Raio-x Tático do Bola na Rede: Como joga o AC Milan de Ruben Amorim?

O AC Milan x Benfica joga-se esta quarta-feira para a primeira jornada da Europa League. Fica com a análise do Bola na Rede aos rossoneri.

Treinador do Al Nassr sai em defesa de Cristiano Ronaldo: «Não devias dizer isso sobre alguém que ainda é um exemplo para todos»

Ange Postecoglou saiu em defesa de Cristiano Ronaldo após a pesada derrota do Al Nassr frente ao Al Ain, na Champions League Asiática.