Publicidade

Académica 1-3 Sporting: Leão volta a dominar

Pedro Machado · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cabeçalho generíco

O leão entrou fortíssimo no campo de batalha, procurando resolver cedo um problema que não agravasse o prejuízo de um “roubo de 17 milhões de euros” (segundo o seu presidente, Bruno de Carvalho). Um assalto que provocou não só danos materiais mas também emocionais e físicos pela longa viagem feita à Rússia, a meio da semana.

Por isso, esfomeado de vitórias, o leão, mal apanhou a jeito a sua presa (aos 6 minutos), agarrou-a com as garras e dentes que tinha à sua mercê e inaugurou o marcador, sem piedade, por Carlos Mané, que se revelou uma aposta ganha de Jorge Jesus no onze inicial.

A presa estava fragilizada e emocionalmente desgastada com a primeira dentada do leão deixou-se submeter ao domínio do predador, que, contando com a submissão do seu adversário (o meio-campo da Académica parecia manteiga quente, tal a facilidade com que os processos rápidos do ataque sportinguista a invadiam), dilatou a vantagem.

Pareciam estar dispostos os requisitos para um massacre à antiga, mas, num assomo de orgulho, a presa levantou-se e conseguiu disferir um golpe que atordoou o leão (Leandro Silva encontrou, na esquerda, Ivanildo, que irrompeu e ganhou penalti, que Rabiola converteu).

O momento do golo da Académica Fonte: Facebook da Académica
O momento do golo da Académica
Fonte: Facebook da Académica

O leão acusou o golpe e foi perdendo fé nas suas capacidades de espécie dominante (favorito). De tal modo que o seu “cérebro” ficou afectado (Jorge Jesus foi expulso e, depois de ter estado junto ao túnel, juntou-se à equipa de observação leonina, na tribuna de imprensa, a poucos metros da zona onde estava instalado o Bola na Rede).

A segunda parte foi, por isso, mais sôfrega para um predador que chegou a temer virar presa (abriu muitos espaços no meio-campo, e os processos rápidos da primeira parte iam perdendo velocidade e ganhando previsibilidade perante uma Académica cada vez mais crente no empate). Primeiro com a agressividade da presa que lhe ia fugindo às garras (o segundo tempo conheceu uma “briosa” mais afoita), depois com a descrença nas suas próprias capacidades predatórias (Adrien falhou um penalti aos 69 minutos).

A presa ia ganhando confiança e já conseguia vislumbrar maneira de sair viva deste confronto, mas, de repente, tudo mudou outra vez. O leão voltou a dispôr de uma oportunidade flagrante para pôr fim à batalha e desta vez não desperdiçou (nova grande penalidade, desta vez convertida, por Aquilani).

A presa não desistiu e lutou até ao apito final. Mas não sobreviveu. O leão volta a alimentar-se da maneira que mais precisa (com vitórias), depois de um jejum de dois confrontos sem o lograr e está de volta ao lugar que lhe pertence – no topo da cadeia alimentar.

A Figura

João Mário – Presença importantíssima no meio-campo do leão. A defender é fulcral na fase de segunda pressão na primeira zona de construção do adversário, a atacar penetra com imensa facilidade por entre o meio-campo contrário. Tudo isto esteve em evidência esta noite, primeiro a facilitar a tarefa de permeabilização do meio-campo contrário, depois a puxar a equipa consigo para esboçar a reacção do leão.

O Fora-de-jogo:  

Ricardo Nascimento – Teve responsabilidade nos dois primeiros golos do Sporting, embora as divida com os colegas em ambas as situações – na primeira, ele e Emídio Rafael estavam bastante afastados, e permitiram a Mané invadir esse espaço; na segunda, ele e João Real abriram uma autêntica cratera que Slimani aproveitou para aumentar a vantagem. Dois erros fatais e decisivos.

Foto de capa: Facebook da Académica

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.