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O leão entrou fortíssimo no campo de batalha, procurando resolver cedo um problema que não agravasse o prejuízo de um “roubo de 17 milhões de euros” (segundo o seu presidente, Bruno de Carvalho). Um assalto que provocou não só danos materiais mas também emocionais e físicos pela longa viagem feita à Rússia, a meio da semana.

Por isso, esfomeado de vitórias, o leão, mal apanhou a jeito a sua presa (aos 6 minutos), agarrou-a com as garras e dentes que tinha à sua mercê e inaugurou o marcador, sem piedade, por Carlos Mané, que se revelou uma aposta ganha de Jorge Jesus no onze inicial.

A presa estava fragilizada e emocionalmente desgastada com a primeira dentada do leão deixou-se submeter ao domínio do predador, que, contando com a submissão do seu adversário (o meio-campo da Académica parecia manteiga quente, tal a facilidade com que os processos rápidos do ataque sportinguista a invadiam), dilatou a vantagem.

Pareciam estar dispostos os requisitos para um massacre à antiga, mas, num assomo de orgulho, a presa levantou-se e conseguiu disferir um golpe que atordoou o leão (Leandro Silva encontrou, na esquerda, Ivanildo, que irrompeu e ganhou penalti, que Rabiola converteu).

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O momento do golo da Académica Fonte: Facebook da Académica
O momento do golo da Académica
Fonte: Facebook da Académica

O leão acusou o golpe e foi perdendo fé nas suas capacidades de espécie dominante (favorito). De tal modo que o seu “cérebro” ficou afectado (Jorge Jesus foi expulso e, depois de ter estado junto ao túnel, juntou-se à equipa de observação leonina, na tribuna de imprensa, a poucos metros da zona onde estava instalado o Bola na Rede).

A segunda parte foi, por isso, mais sôfrega para um predador que chegou a temer virar presa (abriu muitos espaços no meio-campo, e os processos rápidos da primeira parte iam perdendo velocidade e ganhando previsibilidade perante uma Académica cada vez mais crente no empate). Primeiro com a agressividade da presa que lhe ia fugindo às garras (o segundo tempo conheceu uma “briosa” mais afoita), depois com a descrença nas suas próprias capacidades predatórias (Adrien falhou um penalti aos 69 minutos).

A presa ia ganhando confiança e já conseguia vislumbrar maneira de sair viva deste confronto, mas, de repente, tudo mudou outra vez. O leão voltou a dispôr de uma oportunidade flagrante para pôr fim à batalha e desta vez não desperdiçou (nova grande penalidade, desta vez convertida, por Aquilani).

A presa não desistiu e lutou até ao apito final. Mas não sobreviveu. O leão volta a alimentar-se da maneira que mais precisa (com vitórias), depois de um jejum de dois confrontos sem o lograr e está de volta ao lugar que lhe pertence – no topo da cadeia alimentar.

A Figura

João Mário – Presença importantíssima no meio-campo do leão. A defender é fulcral na fase de segunda pressão na primeira zona de construção do adversário, a atacar penetra com imensa facilidade por entre o meio-campo contrário. Tudo isto esteve em evidência esta noite, primeiro a facilitar a tarefa de permeabilização do meio-campo contrário, depois a puxar a equipa consigo para esboçar a reacção do leão.

O Fora-de-jogo:  

Ricardo Nascimento – Teve responsabilidade nos dois primeiros golos do Sporting, embora as divida com os colegas em ambas as situações – na primeira, ele e Emídio Rafael estavam bastante afastados, e permitiram a Mané invadir esse espaço; na segunda, ele e João Real abriram uma autêntica cratera que Slimani aproveitou para aumentar a vantagem. Dois erros fatais e decisivos.

Foto de capa: Facebook da Académica