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Imaginem agora que Rúben Amorim virava um Fernando Santos

Nuno Almeida · 4 min

Rúben Amorim Fernando Santos
Foto: Bola na Rede

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Ter os melhores jogadores não significa termos a melhor equipa, e temos vários exemplos ao longo dos tempos que nos comprovam essa ideia, como foi caso da equipa do Rubén Amorim na época passada. Mas em termos técnico-tácticos, podermos contar com os melhores jogadores, deixa-nos sempre mais perto de conseguirmos uma melhor equipa, principalmente porque esses têm melhor qualidade técnica com bola, interpretam melhor as ideias do treinador, e conseguem improvisar caso o adversário esteja a conseguir anular a táctica delineada, desde que estejam a jogar na posição que melhor potencia as suas qualidades.

Ora, a Seleção nacional tem alguns dos melhores jogadores na sua posição, mas não consegue que os mesmos demonstrem toda essa qualidade, e a coloquem à disposição do jogo demonstrado pela equipa. Já o Sporting, segundo a maioria dos analistas, tem o plantel mais curto e mais fraco em termos qualitativos relativamente aos restantes pretendentes ao título e está a conseguir ombrear com os mesmos.

Em termos técnico-tácticos, também todos dizem, treinadores adversários e comentadores, ser sobejamente conhecida a forma de jogar do Sporting, mas a verdade é que a equipa quase sempre consegue superiorizar-se aos adversários, mesmo quando todos conhecem os movimentos usados pelos leões nos vários momentos do jogo.

Fernando Santos e Rúben Amorim. Quais as diferenças?

Ora então qual a diferença entre Ruben Amorim e Fernando Santos se o selecionador, assim como o técnico do Sporting, já demonstrou ser ótimo comunicador dentro do balneário e conhecer o jogo em todas as suas vertentes?

A diferença é que o Sporting joga à bola, com uma ideia de jogo. E isso acontece porque Ruben Amorim escolhe os jogadores que melhor se adaptam ao seu modelo de jogo, sem olhar a “Nomes” (talvez seja por isso que não o tenha visto muito preocupado em ter perdido João Mário). Já Fernando Santos escolhe os “seus” jogadores e tenta encaixá-los no seu modelo de jogo, o que depois faz com que a seleção tenha uma equipa constituída por jogadores completamente deslocados das posições em que jogam nos seus clubes.

Ruben Amorim tem a vantagem de ter os jogadores todos os dias ao seu dispor para treinar rotinas e movimentos, e a vertente de falta de tempo para treinar um grupo de jogadores é um dos principais aspetos que o selecionador aponta para o fraco jogo colectivo que a equipa de todos nós tem apresentado, mas também por isso ele devesse entender que os jogadores devem manter, pelo menos, as posições que ocupam nos clubes onde jogam, o que ele não está a respeitar, pelo menos na linha ofensiva.

Por muito boa forma que dois jogadores apresentem, se jogarem na mesma posição, ou não forem compatíveis, não podem estar a jogar ao mesmo tempo, porque eu não concordo com a teoria de que os bons jogadores jogam onde for preciso.

Ruben Amorim disse há poucos dias que tem muito a aprender com o Fernando Santos, e com certeza terá, até porque nunca sabemos tudo, e o selecionador tem experiência suficiente que lhe permita antecipar cenários que talvez Ruben Amorim ainda não tenha enfrentado.

No entanto, quando se viu apertando, foi Fernando Santos que se tentou tornar em Ruben Amorim, lançando para o jogo Palhinha, passando a jogar com três centrais, mas esqueceu-se que tinha relegado Matheus Nunes para a bancada, e se tinha esquecido de convocar pote, dois jogadores habituados a jogar nesse sistema.

Rúben Amorim Fernando Santos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

E só não tem lá um central que sabe ter a bola nos pés porque os jogadores do Sporting têm sempre de mostrar muito mais que jogadores de outros clubes para merecer uma chamada à seleção A, e agora até à de Sub-21. Sim, Gonçalo Inácio. Se até o Ferro já é internacional A, é demonstrativo do que estou a afirmar, e falo deste por estarmos a falar de centrais, porque há outros.

Eu sempre disse que o Inácio tinha perdido a grande oportunidade de ir à seleção quando se lesionou. Disse também que Matheus Nunes, ao escolher Portugal, talvez não fizesse a melhor opção para o seu futuro. Para já o engenheiro está-me a dar razão. Veremos o que nos traz o futuro.

Nunca poderemos esquecer o que o engenheiro alcançou, mas ele próprio dá razão aos que dizem que isso não pode ser um atestado eterno de competência, senão teria que convocar para sempre o Éder, pelo menos enquanto nos lembrássemos que foi ele o autor do mítico remate que nos deu o euro. E o Éder há muito que não vai à seleção.

Mas para terminar, se Ruben Amorim se tornasse Fernando Santos, com certeza teríamos um Sporting a jogar muito mais na expectativa, de uma forma ainda mais conservadora, sem a ambição que este grupo de jogadores tem demonstrado. Com certeza teríamos também um treinador a pedir contratações apenas pelo “nome” sem olhar às suas características técnicas e tácticas fazendo da equipa de alvalade um grupo muito menos homogéneo, com jogadores adaptados a uma posição que originalmente não é a sua, podendo fazer deles apenas competentes em vez de se tornarem excepcionais nas suas posições.

Fernando Santos Rúben Amorim
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

E por isso espero que o Ruben Amorim, que nunca escondeu estar sempre a tentar imitar as coisas boas que outros fazem, se mantenha sempre fiel às suas ideias, ainda que influenciado por outras que possam complementar as suas, continue a ser ele mesmo, e de preferência no Sporting enquanto for benéfico para as duas partes. Por muitos anos, como o próprio já expressou.

Desejo então que Ruben Amorim não fique refém dos interesses alheios, e que Fernando Santos se torne um pouco mais parecido com o treinador do Sporting. Nunca o contrário.

Nuno Almeida

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