Arsenal FC 1-1 (3-5 após GP) Sporting CP: Leões rugem mais alto e abatem canhões londrinos

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Sporting nos quartos de final da Liga Europa com esforço, dedicação e devoção em busca da glória

As duas equipas chegavam à segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa num momento de forma praticamente idêntico: quatro vitórias e um empate nos últimos cinco jogos, com o empate a dois golos a chegar na primeira mão desta eliminatória, disputada em Alvalade.

Desta vez com um Emirates Stadium cheio a galvanizar a equipa do norte de Londres, à data líder isolado da Premier League, o Arsenal apresentava um onze titular muito forte, com Aaron Ramsdale, Gabriel Magalhães e Gabriel Jesus todos de regresso. Do lado do Sporting, duas ausências importantes: o dínamo do meio-campo Morita e o capitão Coates, ambos suspensos por acumulação de amarelos. Paulinho, por outro lado, regressava à titularidade após lesão.

O Sporting entrava bem no encontro, com mais posse de bola que o Arsenal e um remate perigoso de Edwards logo aos 12 minutos. O Arsenal tentava manter a estrutura, apesar das lesões prematuras dos defesas Tomiyasu e Saliba que levavam a duas substituições forçadas, e ameaçava primeiro com uma oportunidade para Gabriel Jesus e depois com um lance de grande penalidade não assinalada por alegada falta sobre o português Fábio Vieira.

Ainda antes dos 20 minutos, o golo. Granit Xhaka abria o marcador para os londrinos após uma jogada de insistência e acalmava os ânimos dos adeptos no Emirates depois de um início frenético. As oportunidades de golo iam suceder-se até ao final da primeira parte, tanto de um lado como do outro: Edwards, isolado, não conseguia aproveitar uma saída rápida do Sporting; Jesus via remate à “queima-roupa” travado de forma fantástica por Adán; St. Juste fazia uma “arrancada” de trás que culminava em remate, mas por cima da baliza de Ramsdale; e a acabar a primeira parte, Ugarte tentava remate de meia distância, mas sem sucesso. O resultado manter-se-ia assim inalterado até ao apito intermediário de Antonio Mateu Lahoz.

O intervalo trouxe uma alteração no alinhamento do Arsenal, com a saída de uma das figuras do primeiro tempo, Gabriel Jesus, para a entrada de Leandro Trossard. Enquanto caía a chuva no norte de Londres, o Sporting tentava tudo para virar o resultado, com as oportunidades criadas a serem embaladas pelo calor dos adeptos leoninos, que em números elevados rugiam no Emirates.

Volvida uma hora de jogo, “fumo verde” para o momento da noite. Uma “chapelada” monumental de Pedro Gonçalves, pouco depois do círculo do meio-campo, a apanhar Ramsdale de surpresa e a fazer saltar a secção visitante. Uma entrada fulminante do Sporting na segunda parte: em 25 minutos jogados, a posse de bola era de 65%-35% a favor dos leões, com zero oportunidades criadas pelos “Gunners”.

Mikel Arteta tentava recuperar o controlo da eliminatória fazendo entrar Bukayo Saka para o lugar de Reiss Nelson, mas o Sporting não desarmava e Rúben Amorim, compreensivelmente, não se atrevia a mexer na equipa. O único lance de perigo do Arsenal digno de nota, de resto, chegava aos 78 minutos por virtude de um livre cobrado por Fábio Vieira. Entrava-se na fase decisiva do encontro, bastando ao Sporting um golo para assegurar de imediato o apuramento e um “choque” de magnitude europeia.

Já com o avançado Chermiti em campo, a render o incansável Paulinho, o Sporting tentava fechar o resultado no tempo regulamentar. Mas o golo não chegava e este grande embate europeu seguia para prolongamento. Desde logo, dupla substituição nos “verdes e brancos”, com Essugo e Nuno Santos a render os muito desgastados Pedro Gonçalves e Matheus Reis, respectivamente.

A primeira parte do prolongamento ficou marcada, desde logo, por mais uma defesa incrível de Adán após perda de bola em zona proibida por parte de Essugo. O espanhol a manter o Sporting vivo na eliminatória. Já a segunda parte abriu com remate perigoso de Partey, substituto utilizado por Arteta. Após mais uma defesa milagrosa por parte de Adán, e a pouco mais de dois minutos do final do tempo suplementar, Ugarte vê cartão vermelho por acumulação de amarelos e desfalca o Sporting para o que restava. Expulsão que acabava por não ser decisiva, chegado o apito para o fim dos 120 minutos.

Grandes penalidades. Coração nas mãos. O fim que se pedia para uma grandiosa noite europeia do Sporting em Londres. St. Juste avança: a bola abana a rede. Odegaard bate colocado: sem hipótese. Esgaio atira: golo. Saka dá um passo em frente: remate cruzado e 2-2. Gonçalo Inácio bate: Ramsdale toca, mas a bola segue o seu percurso inabalada. Trossard de pé direito: não chega Adán. Arthur Gomes com 3-3 por desempatar: marca o 33. Martinelli vai para repor a igualdade: Adán! Adán! Outra vez ele! É o momento do Sporting. Vai Nuno Santos para a decisão. Pé esquerdo na bola… E o Sporting está nos quartos de final da Liga Europa!

A FIGURA

Jeremiah St. Juste Sporting CP
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Jeremiah St. Juste (Sporting): A par do guarda-redes Adán, que manteve o Sporting vivo na eliminatória em múltiplas ocasiões, foi o elemento mais inconformado dos “leoninos” e, fosse este jogo em Alvalade, saía do relvado “em ombros”. Na primeira parte, foi um elemento disruptivo a partir da defesa, trazendo o jogo para o meio-campo defensivo do Arsenal. Na segunda parte e no prolongamento foi muito sólido a defender, não cessando no encorajamento aos colegas de equipa. Numa noite em que o uruguaio Coates, a referência defensiva e de balneário do Sporting, não pôde dar o seu contributo, St. Juste assumiu-se como o “patrão da defesa”. Uma exibição de nível europeu.

FORA DE JOGO

Clássico
Fonte: Carlos Silva / Bola Na Rede

Francisco Trincão (Sporting): Tentou, tentou, mas muito pouco lhe saiu bem. Abandonou o relvado no final da primeira parte do prolongamento depois de algumas arrancadas pela direita do ataque, maior parte delas na primeira parte e todas sem grande sucesso. Foi rendido por Arthur Gomes, já com os penáltis em vista.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ARSENAL FC

Mikel Arteta apenas respondeu à imprensa inglesa.

SPORTING CP

Não foi permitido ao Bola na Rede colocar questões ao treinador Rúben Amorim.

Carlos Eduardo Lopes
Carlos Eduardo Lopeshttp://www.bolanarede.pt
Concluída a licenciatura em Comunicação Social, o Carlos mudou-se para Londres em 2013, onde reside e trabalha desde então. Com um pai ex-piloto de ralis e um irmão no campeonato nacional de karts, o rumo profissional do Carlos foi também ele desaguar nas "águas rápidas" da Formula One Management, onde trabalhou cinco anos. Hoje é designer numa empresa de videojogos, mas ainda não consegue perder uma corrida (seja em quatro ou duas rodas).

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