As limitações coletivas de Wendel

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Wendel tem assumido, nos últimos jogos, a função de oito, na equipa do Sporting. A sua qualidade técnica é indiscutível e foi já abordada por vários comentadores e jornalistas desde a sua primeira época de leão ao peito. Os meus textos aqui no Bola na Rede foram no mesmo sentido. Com Keizer, Wendel ganhou nova vida no reino do Leão, e também um espaço e protagonismo na equipa que com Jorge Jesus não tinha.

Pese embora as suas qualidades individuais indiscutíveis, os últimos jogos têm mostrado um Wendel pouco consistente no plano coletivo. Não me refiro tanto ao plano tático pois aí penso que se apresenta bastante amadurecido. Mas no plano do jogo coletivo, no envolvimento com os restantes companheiros em campo, parece-me que ainda tem um longo caminho a percorrer.

Por exemplo, apresenta pouca capacidade de decisão no último terço e em lançar o jogo leonino no ataque. Wendel tem que ser mais rápido nas decisões com e sem bola, não pode prender-se ao esférico como tem feito. Há quem diga que no futebol a velocidade do cérebro é, por vezes, mais importante do que a velocidade das pernas. Um oito, no verdadeiro sentido do termo, quer-se rápido, tem que ter pouco tempo com a bola colada aos pés sob pena de prejudicar os movimentos atacantes da equipa.

Era assim com Adrien que mal recebia a bola, distribuía-a logo, projetando o ataque. O um-para-um, a tendência para correr com a bola atravessando muralhas deve estar mais cingido aos extremos e aos “números dez” do que aos oito. Porque um oito é um “toca e foge”, cria linhas de passe, muitas vezes em rutura entre linhas, e instiga os movimentos e dinâmicas ofensivas sempre que tem a bola nos pés.

 

Com Keizer, Wendel ganhou vida, mas se não aprender a jogar coletivamente tem os dias contados.
Fonte: Sporting CP

Esta limitação no envolvimento coletivo de Wendel foi muito notória na final da Taça da Liga, diante do FC do Porto e no último jogo para o campeonato, no Estádio do Bonfim diante do Vitória FC. Prendia a bola como se fosse dele, parece que necessita de dar nas vistas, de criar uma jogada de génio quando, na verdade, o que tem que fazer, que raios, é passar logo a bola!

Por tudo isto, das duas uma: ou Wendel aprende, de uma vez por todas, que tem que tomar decisões rápidas em campo ou terá Francisco Geraldes a morder-lhe os calcanhares da titularidade que, como se sabe, aterrou recentemente no reino do Leão. E, pelo que vi, parece-me um jogador maduro, consistente e que interpreta eficazmente esta posição do meio-campo. Isto, claro, até Rodrigo Battaglia, o senhor oito neste plantel, estar definitivamente recuperado da lesão que o afastou dos relvados desde o jogo nos Açores diante do Santa Clara. Wendel tem que saber jogar em equipa, pois não joga sozinho. Não há qualidade mais importante no futebol do que o trabalho coletivo. Ele que se cuide.

Foto de Capa: Sporting CP

Simão Mata
Simão Matahttp://www.bolanarede.pt
O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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