As rescisões não foram o primeiro passo

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O presidente não fez tudo bem, isso é claro como água. Cometeu muitíssimos erros de comunicação e de gestão de recursos humanos durante os cinco anos em que está ao comando do Sporting. Isso é inegável, até para o seu mais fiel apoiante. E mesmo as futuras alterações de estatutos que quer implementar são muito duvidosas, precisamos de ter cuidado com isso. É um ponto onde Bruno de Carvalho deveria recuar, pois não está a enveredar por um caminho correto. Os SMS’s que enviou aos jogadores não deviam ter acontecido e a sua capacidade comunicacional sempre deixou algo a desejar.

Agora, e voltando ao início, os jogadores estão a rescindir com a SAD do Sporting. Depois de casos de evidente falta de respeito como os de Simão Sabrosa ou João Moutinho, existem agora casos ainda mais chocantes como os de Rui Patrício, William Carvalho ou Gelson Martins, que estão a rescindir após vários anos com a camisola verde e branca vestida. Os casos dos jogadores formados na Academia de Alcochete são ainda mais graves que os de Bruno Fernandes ou Bas Dost, que foi um dos mais agredidos pelo crime ocorrido na Academia.

Mas como refere o título deste artigo, não considero que as rescisões tenham sido o primeiro passo. Penso que os jogos com o Marítimo e o Benfica podem ter sido um passo muito importante e que passou despercebido a muita gente. O Sporting vinha de seis vitórias consecutivas (Paços de Ferreira, Atlético de Madrid, Belenenses, FC Porto, Boavista e Portimonense) e, mediante os resultados do SL Benfica (principal rival na luta pelo acesso à Liga dos Campeões), os jogadores do Sporting apenas precisariam de vencer o Benfica para conseguir um objetivo muito importante para o clube: a possibilidade de discutir o apuramento para a Liga dos Campeões 2018/19. O Benfica vinha de uma derrota com o Tondela e o Sporting jogava em casa, perante um estádio cheio e moralizados pela possibilidade de uma vitória assegurar o objetivo. O Sporting não tinha baixas, ao contrário do Benfica, que teve de deixar o seu melhor jogador, Jonas, no banco de suplentes. No Sporting, depois de seis jogos a ganhar com Battaglia – Bryan Ruiz – Bruno Fernandes no meio campo, JJ decidiu colocar William Carvalho em campo após um mês sem jogar. E o que aconteceu nesse jogo?

Será que alguma vez o pensamento foi “Cu bo ti fim de mundo Sporting?”
Fonte: Sporting Clube de Portugal

O Benfica jogou melhor, teve mais oportunidades e merecia vencer perante um Sporting que foi estranhamente amorfo. Existiram erros de arbitragem graves que prejudicaram o Sporting, mas a exibição dos jogadores foi estranhamente (quiçá, misteriosamente) fraca. Os verde e brancos fizeram apenas um remate enquadrado com a baliza, não tiveram uma única oportunidade flagrante e a maioria dos especialistas considerou que o jogo do Sporting foi fraco, que a sua exibição não merecia um resultado positivo. Do mal o menos, salvou-se o empate. Não me esqueço da estupenda exibição de Rui Patrício nesta partida com as águias, aqui critico a falta de ganas de quem jogou à sua frente e de quem pensou no banco de suplentes.

Na semana seguinte, a mesma história. O Sporting apenas necessitava da vitória nos Barreiros, perante o Marítimo, para carimbar essa presença na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. E o que aconteceu nesse jogo? Mais um jogo com apenas dois remates enquadrados com a baliza e em que o Sporting nunca foi superior ao Marítimo. Resultado destes dois jogos miseráveis: o Sporting caiu para o terceiro lugar e apenas por inépcia do Sporting de Braga não caiu para o quarto. Outra nota relevante: Estes jogos ocorreram antes dos incidentes da Academia, portanto esse acontecimento criminoso não serve de desculpa para estes jogos.

Portanto, parece normal que o Sporting, em dois jogos cruciais para os destinos do clube, consiga apenas fazer três remates enquadrados com a baliza, ainda por cima em jogos que não foram disputados contra um Barcelona ou Real Madrid desta vida. É normal isto? Fica a pergunta. É bom fazer um exercício de lógica e perceber duas coisas em relação a isto: em primeiro lugar, é lógico que o Sporting tivesse mais abertura para negociar eventuais saídas do jogadores por não poder contar com o dinheiro da Champions; em segundo lugar, é lógico que Bruno de Carvalho dificilmente iria negociar saídas de jogadores se tivesse pré-eliminatórias europeias para disputar. A negociar jogadores, seria sempre depois de disputar essas partidas. E, mesmo assim, se o Sporting se apurasse para a Liga dos Campeões, é certo que Bruno de Carvalho negaria a saída de vários destes jogadores. Agora sugiro rever esses dois jogos e pensar bem nestes cenários.

Diogo Janeiro Oliveira
Diogo Janeiro Oliveira
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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