Braçadeira de Capitão

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Parece que a tua frase suscitou uma acção académica, digna de estudo, onde se bifurcam as opiniões e se acende o debate. Pessoalmente devo confessar: não esperava. Ou melhor, percebo a ânsia pela caça do talento, mas não esperava o tempo em que a hipótese da tua saída surgiu. É que estávamos todos ainda a aguardar pelo desfecho quase certo do nosso argelino quando as capas dos jornais começaram a dar destaque ao teu nome.

Eu percebo essa vontade de progredir na carreira, discutir jornadas com as estrelas e ganhar em três meses o que se costumava ganhar numa época inteira. Não te condeno por isso. E como também não te acho imprudente, quase de certeza que, quando disseste aquela frase, sabias que tudo estava encaminhado. Não é que não queira a tua felicidade, mas ainda assim continuo a preferir a minha. E essa, enquanto Sportinguista, ainda passa pela tua permanência no nosso clube. Ouço muita gente dizer que apenas se adiou o inadiável. Que em janeiro se consumará a tua partida e que é melhor o Elias ir jogando aos poucos para ir tomando o gosto. Que seja.

Que esta imagem se repita muitas mais vezes, Capitão Adrien Fonte: Sporting CP
Que esta imagem se repita muitas mais vezes, Capitão Adrien
Fonte: Sporting CP

 

Para mim a questão é muito mais sobre o Sportinguismo do que sobre o estudo Técnico-Táctico. Numa anotação avulsa devo referir que admiro um jogador como o Elias, que trata a bola por tu e que, em circunstâncias normais, se assumirá como um elemento acima da média no nosso campeonato. A par disto também sei que se o nosso treinador o quis é porque sabe que te pode substituir. O problema é essa fita amarelada que levas para dentro do campo enrolada no braço. Embora haja quem a interprete apenas como símbolo de licença para coordenar as discussões junto do árbitro e ter lugar na escolha do campo ou da bola, eu sei que tu sabes que essa braçadeira significa muito mais, e que nunca, em momento algum, se a atribui sem o peso e a medida que são devidos.

Lembro-me de quando o teu nome era uma constante no futuro da nossa equipa, isto ainda nos teus tempos de Israel. Fizeste, portanto, o percurso natural que qualquer jovem tem de cumprir, tendo até a oportunidade de conhecer o gosto de sair vencedor contra o teu verdadeiro clube. É por isto que, quando te chamamos Capitão, estamos ao mesmo tempo a anunciar o teu passado e a enaltecê-lo como exemplo. Como exemplo também nos momentos onde se joga fora de campo. Depois da querela que envolveu todo o mistério da tua possível saída, era tão fácil bater o pé, exigir a saída e abrir a guerra final entre os protagonistas habituais. Mas agora não se passa nada. Não se pode passar nada. Há um campeonato para ganhar e uma braçadeira que só conhece uma medida exacta: a tua, Capitão. Depois disto não nos falta mais nada.

Ricardo Gonçalves Dias
Ricardo Gonçalves Diashttp://www.bolanarede.pt
O primeiro contacto do Ricardo com a Bola foi no futsal. Mais tarde passaria pelas camadas jovens do Oriental, esse gigante de Lisboa. O sonho acabou algum tempo depois e hoje lida bem com isso. E com a escrita também.                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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