Coates tem sido, ao longo desta época, um dos jogadores que mais vontade e ambição tem demonstrado nos jogos já disputados. O defesa leonino tem todas as qualidades que se podem querer num central: forte no cabeceamento e no desarme em lances de um para um, bom posicionamento defensivo, inteligente e com qualidade técnica para sair a jogar.

No entanto, há um aspeto no jogador uruguaio que há já algum tempo tenho vindo a observar: o seu papel ofensivo em situações de desvantagem.

Não raras foram as vezes que os treinadores, antes Jorge Jesus e agora José Peseiro, se têm servido de Seba Coates para procurar o golo nos últimos minutos do encontro. Arrisco-me a dizer que, na ausência de Bas Dost, o uruguaio é o melhor ponta de lança do plantel. Obviamente que estou a hiperbolizar, mas o jogador mostra um forte rendimento nas subidas ao último terço.

Esta imagem não é estranha aos adeptos sportinguistas
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Verifiquemos as estatísticas: na época passada, Coates apontou cinco golos em todas as competições. Esta época, marcou apenas um na liga, mas tal acontece porque o Sporting só esteve em desvantagem com equipas de menor valia nos últimos minutos apenas por uma ocasião, em Portimão, onde curiosamente apontou seu único golo (o Sporting CP perdeu com SC Braga e Portimonense). Comparando-o com Montero, o colombiano apontou apenas mais um golo, tendo dois golos na conta pessoal para o campeonato.

Sebastian Coates tem aquilo que, com a ausência de Bas Dost, falta ao Sporting no ataque: altura, bom jogo aéreo e agressividade no ataque à bola. Numa época em que a equipa leonina insiste no futebol direto e na realização de vários cruzamentos, muitas vezes sem nexo, Montero não se consegue encaixar, pois, apesar de ser um jogador com qualidade técnica, não tem os atributos necessários que se enquadrem num estilo de jogo que privilegie o “pontapé para a frente’’.

Em conclusão, o uruguaio será sempre uma dor de cabeça para a defesa adversária devido à agressividade e bom jogo de cabeça que incute cada vez que um cruzamento lhe é direcionado. Para além disso, a sua presença no ataque abre espaço a outros jogadores, que fruto da marcação ao central por parte dos adversários, se encontrarão soltos. Fiquei surpreso quando, no jogo frente ao Portimonense, José Peseiro optou primeiro pelo avanço de André Pinto e só depois de Coates. Pareceu revelar aí alguma falta de conhecimento dos jogadores que têm à disposição, mas isto sou apenas eu a especular. Quando finalmente Coates subiu, em poucos minutos fez um golo. Dá que pensar.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

 

Comentários