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Depois da final-four da UEFA Futsal Cup, onde o Sporting perdeu a final para o Inter Movistar, é peremptório afirmar que um dos grandes objetivos da época caiu por terra, sobretudo se tivermos em conta que nos últimos cinco anos o Sporting teve duas grandes oportunidades para conquistar este troféu mas caiu sempre no jogo da final. Por isso mesmo, este ano os responsáveis pelo futsal, bem como o presidente, já tinham afirmado que ser campeão europeu era algo a alcançar, sobretudo se tivermos em conta o investimento que foi feito na equipa para que alguns dos melhores jogadores da modalidade representassem o símbolo do leão.
Posto isto, a ida para o Cazaquistão veio pôr à prova uma equipa que dentro do nosso campeonato é claramente superior a todos os outros adversários (incluindo o rival da segunda circular) e que, apesar do estrondo final, demonstrou que a qualidade exigida está lá, faltando apenas ultimar pormenores para ganhar de vez esta competição.
No primeiro jogo na Almaty Arena, ou se quiserem na meia-final, o Sporting enfrentou o Ugra, o então campeão europeu, e portanto detentor do troféu que se disputava. A equipa leonina passou com distinção um teste que se avizinhava difícil mas que, desde logo, os jogadores leoninos conseguiram controlar, e tomaram as rédeas do jogo através da posse de bola. O primeiro obstáculo estava ultrapassado mas do outro lado surgia a incógnita: iríamos defrontar um Kairat Almaty com um pavilhão cheio a defender as suas cores ou um Inter Movistar que tem o melhor jogador do Mundo no plantel? A única certeza era a de que a batalha final iria ser muito complicada, qualquer que fosse o adversário. E, pouco depois, as dúvidas dissiparam-se.

O Inter Movistar seguiu para a final e foi precisamente aí que se percebeu que o conjunto espanhol é muito mais do que apenas Ricardinho e que todo o grupo trabalha com objetivos muito claros e bem definidos. O Sporting teve sérias dificuldades para impor o seu jogo, não só porque raramente tinha posse de bola mas também pelo facto de os adversários serem grandes dores de cabeça devido à constante irreverência que saía dos seus pés. E, nesse aspecto, creio que o Sporting caiu no erro de “supervisionar” demasiado Ricardinho e acabou a descurar a marcação a outros jogadores que foram importantes, como Lolo ou Darlan, por exemplo.
Obviamente, o resultado final é exagerado, até porque grande parte dos golos marcados pelo Inter foram o resultado da necessidade do Sporting de ir à procura de golos e, em consequência disso, de precisar de jogar com um guarda-redes avançado. Para além disso, a diferença de qualidade entre as duas equipas está longe de ser abismal como o marcador parece mostrar. A verdade é que o Sporting saiu do Cazaquistão com uma dura derrota mas também como vice-campeão europeu. Tal como Bruno de Carvalho já referiu, o segundo é o primeiro dos últimos, e por isso este segundo lugar não pode servir de consolo mas também esta participação não foi, de todo, uma desgraça da qual nos devamos envergonhar. Pelo contrário.
Foto de Capa: Sporting CP
O Sporting volta agora a Portugal e, por cá, os objetivos mantêm-se intactos. A prioridade é, sem dúvida alguma, a conquista do campeonato nacional, competição em que dentro em breve entraremos nos playoffs, uma fase que tem o dom de ser imprevisível e onde os níveis de concentração têm de estar sempre elevados para evitar surpresas. Por outro lado, a Taça de Portugal também ainda está em aberto e claro que todos queremos que o troféu venha para o nosso museu.
Na realidade, a questão agora está em perceber como irá reagir a equipa nas competições nacionais quando a pressão começar a vir ao de cima. Pelo que tenho visto em outros anos e também pela capacidade que treinadores e jogadores têm de ultrapassar momentos difíceis (que felizmente têm sido poucos), arrisco-me a dizer que, no próximo jogo, nem haverá sinais da derrota europeia frente ao Inter Movistar.

Fonte: Sporting CP
A capacidade psicológica de todos dentro do plantel está bem treinada para lidar com a adversidade, e tenho a certeza de que a equipa vai encarar esta experiência como uma aprendizagem para se fortalecer e aprender ainda mais, ganhar o campeonato nacional e conquistar a vaga para a UEFA Futsal Cup do próximo ano, para que estejamos, outra vez, mais perto de atingir a glória.
E certamente que, com um grupo tão unido como este, cheio de talentosos jogadores e enormes homens, já não faltará muito para esse troféu vir para o nosso museu.
Foto de Capa: Sporting CP









