Entre amor e bom-senso, acabou a liberdade no futebol

- Advertisement -

A 25 de Abril de 1974 deu-se, em Portugal, uma revolução que propunha dar liberdade à sociedade civil das amarras físicas e psicológicas impostas por um regime ditatorial.

Digo “propunha” porque cada vez mais duvido que nos tenhamos livrado verdadeiramente dessa forma agrilhoada de gerir e governar as vontades do povo. Não quero com isto dizer que tenhamos entidades que, de uma forma legal (autorizado pelo governo), prendam, castiguem ou matem seres humanos pela simples razão de pensarem diferente da ideia geral imposta. Não quero sequer sugerir que vivemos hoje as dificuldades, privações e sacrifícios que muitas vezes foram pagos com vidas de inocentes, até porque não consigo sequer imaginar o medo e repressão que viviam as gentes desse tempo ainda que ouçamos falar.

O que quero dizer é que vivemos numa democracia que, em muitos casos, é encapuzada. Se assim não fosse, não teríamos o direito de nos expressar apenas em determinados locais, horas, e segundo pressupostos que se enquadrem com segundo a visão de “alguém” ou “alguns”.

Há poucas semanas foram-nos dadas a conhecer duas situações em campos de futebol, ou melhor, nas bancadas, em que duas pessoas viram necessidade de esconder as suas convicções apenas porque não estavam “no lugar certo” para o poderem fazer. Se no caso da criança me possam dizer que foi o pai a tirar a camisola ao filho, a verdade é que o fez porque sentiu que poderia criar-se um ambiente hostil. E talvez tivesse razão a ver pelo que depois se viu noutro estádio com um grupo de cidadãos (alguns até talvez tenham nascido antes de 1974) a hostilizar outro individuo que tentava ver um jogo de futebol com o seu filho e cujo único “pecado” praticado naquele momento era o de estar com a cor de camisola “errada” (errada apenas segundo os pressupostos daquele grupo com ambições “pidescas”).

Mas relembrando o que se passou noutro episódio ainda anterior a este em que um adepto sportinguista foi assass… privado da sua liberdade de viver, junto a um estádio de uma equipa rival, e cuja mensagem de repúdio vinda de quem era o máximo responsável das cores que supostamente eram as mesmas de quem decidiu privar outro cidadão de continuar a sua vida foi “o que estava um adepto sportinguista a fazer ali àquela hora?”. Portanto, a culpa foi de quem faleceu, porque não tinha de estar ali. Ou seja, inteligente foi o pai da criança que decidiu por bem tirar a camisola ao filho antes que alguém decidisse que ele não devia estar ali com cores ou convicções diferentes da maioria. (Sim, sou sportinguista e bem sei qual era a cor da camisola da criança). Foi bom-senso? Foi. Mas também foi uma atitude de alguém que se viu privada de expressar o seu “amor” ao “seu clube”.

É que agora já são os próprios clubes a emitir comunicados “pedindo” aos adeptos para não usarem determinadas camisolas com determinadas cores em determinados sectores do estádio. Desculpem, não estão a pedir, estão a sugerir. Até porque se, na sua suposta liberdade em vestir o que bem entender, onde entender, pode ver-se a ficar despido, isto se fizer mesmo questão de ver mesmo o jogo da sua equipa. Se se recusar a despir-se das suas “convicções” terá que voltar para trás. Peço desculpa novamente, isto já não parece tanto uma sugestão, mas uma imposição. Aconteceu no último jogo que o Sporting disputou em Varzim, e já tinha acontecido noutros estádios com outros intervenientes.

Se isto não são leis e regras “ditatoriais” permitidas em democracia, não sei o que são.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

Barcelona já tem alternativa a Julián Álvarez e joga na Premier League

O Barcelona pensa na contratação de Eli Junior Kroupi como alternativa a Julián Álvarez. O Manchester City também pediu informações sobre o avançado do Bournemouth.

FC Porto pretende assegurar contratação de alvo que já foi associado ao Benfica e ao Sporting

O FC Porto pretende assegurar a contratação de Anis Hadj-Moussa. O internacional argelino já foi associado a Sporting e Benfica.

Internacional dinamarquês pode ser solução para a defesa do Sporting: Quem é Oliver Provstgaard?

Oliver Provstgaard está na lista do Sporting para este mercado de verão. Conhece melhor o jovem defesa-central que alinhou em 27 jogos pela Lazio em 2025/26.

Benfica prepara-se para iniciar negociações por defesa-central que marcou 10 golos na última temporada

O Benfica prepara-se para iniciar negociações com o Slavia Praga para contratar o internacional checo Stepan Chaloupek.

PUB

Mais Artigos Populares

Real Madrid de José Mourinho tem mais quatro jogos de preparação antes da estreia oficial na La Liga

O Real Madrid de José Mourinho terá pela frente o Leganés, a Fiorentina, o Deportivo de la Coruña e o Ferencvaros nos jogos de pré-temporada.

Arsenal faz ‘all in’ em Vinícius Júnior: Gunners dispostos a oferecer o maior salário da história do clube

O The Telegraph avança que o Arsenal está pronto para oferecer um salário recorde de 470 mil euros semanais a Vinicius Júnior.

Juventus pensa em Anatoliy Trubin como alternativa a campeão mundial e Benfica define preço

A Juventus colocou Anatoliy Trubin na lista de alvos para este mercado como alternativa a Emiliano Martínez, do Aston Villa.