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Slimani não chegou “craque”, não custou duas dezenas de milhões de euros, não veio dum finalista da Liga dos Campeões e, acima de tudo, não veio com nome. Slimani veio, sim, trabalhador. Soube esperar o momento de menor fulgor de Montero e soube mostrar o que melhor sabe fazer; soube lutar e soube marcar.
Eu sou burro, um burro velho, dirão. Festejei o golo de Slimani na passada terça-feira, gritei alto e em bom som o nome dele. Admito-o alto e em bom som porque não sou hipócrita. Slimani encanta-me, o jeito desengonçado com que vai a cada bola entusiasma-me, a maneira como pressiona os defesas – algo que aprendeu com Marco Silva e Jesus – personifica o Esforço, a Dedicação e a Devoção do meu clube. Poderia ter atingido a Glória, poderia, sim, mas não tenho por hábito desculpar os maus momentos e as derrotas dizendo “Quem diz é quem é” e acusando os tais burros de algo que os hipócritas também fazem. Exemplo desses momentos? Bastava ter Internet ontem e procurar um pouco, talvez até nas mesmas páginas onde se viram os festejos do golo de Slimani frente ao FC Porto. Sou um burro velho porque gosto mais de Slimani do que do FC Porto? É verdade, mas ao menos não sou hipócrita.
Não preciso de contar os troféus – poucos, infelizmente – que ganhei nos últimos anos. Mas também não preciso de me desculpar com SMS ou com cotoveladas para justificar derrotas.
Neste momento, alguns desses “benfiquenses” já se estão a lembrar da má atitude de Slimani no jogo da Taça de Portugal, no ano passado. Slimani agrediu, de facto, um jogador do SL Benfica e deveria ter sido castigado por isso. Agora, o facto de ser burro velho não me faz ter vista cansada e não ver, por exemplo, as entradas violentas sobre Adrien ou Gelson.

Fonte: Getty Images
Sou burro velho? Talvez seja, mas ao menos sou burro velho e pouco hipócrita. Não me esqueço de que quem aponta o dedo a incriminar o que se passou em Alvalade festejou o golo do melhor jogador português de todos os tempos há pouco mais de quinze dias.
E ser burro velho tem as suas vantagens. Faz-me ter uma boa memória e lembrar-me do dia 7 de Dezembro de 2005. Aqueles 65 milhares que, na Luz, vaiaram e insultaram esse mesmo melhor jogador do Mundo são os que, menos de 11 anos depois, acredito que tenham partilhado as lágrimas de Cristiano na noite mágica de Paris, e mais de metade desses certamente terão festejado o magnífico golo de livre no recente Real Madrid – Sporting.
Ser hipócrita é achar que só há um clube em Portugal; ser hipócrita é ver tudo a uma cor. Mas mais hipócrita ainda é ter de olhar para os outros no momento das derrotas. Preferirei sempre “Jogar como nunca e perder como sempre” do que desculpar as minhas derrotas com algo que todos os clubes fazem, desculpando-me e sendo calimero.
Sou burro velho, mas ao menos não sou hipócrita…
Foto de Capa: Leicester CFC








