Publicidade

Eu sou um burro velho

Vítor Miguel Gonçalves · 3 min

Eu sou um burro velho

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 1Do alto das minhas três décadas, sou velho. Sou, aliás, um burro velho. É esta a conclusão a que chego depois de ler o que benfiquistas (ou “benfiquenses”) dizem por aí. Sou velho porque me identifico com um jogador que representou durante três anos tudo aquilo que é o meu Sporting Clube de Portugal. Aquilo que via em anos em que, tal como agora, raramente se ganhavam troféus mas nunca se deixava uma “casa” vazia, nunca se deixava de se apoiar aquilo em que mais se acreditava, o amor pelo Sporting Clube de Portugal.

Slimani não chegou “craque”, não custou duas dezenas de milhões de euros, não veio dum finalista da Liga dos Campeões e, acima de tudo, não veio com nome. Slimani veio, sim, trabalhador. Soube esperar o momento de menor fulgor de Montero e soube mostrar o que melhor sabe fazer; soube lutar e soube marcar.

Eu sou burro, um burro velho, dirão. Festejei o golo de Slimani na passada terça-feira, gritei alto e em bom som o nome dele. Admito-o alto e em bom som porque não sou hipócrita. Slimani encanta-me, o jeito desengonçado com que vai a cada bola entusiasma-me, a maneira como pressiona os defesas – algo que aprendeu com Marco Silva e Jesus – personifica o Esforço, a Dedicação e a Devoção do meu clube. Poderia ter atingido a Glória, poderia, sim, mas não tenho por hábito desculpar os maus momentos e as derrotas dizendo “Quem diz é quem é” e acusando os tais burros de algo que os hipócritas também fazem. Exemplo desses momentos? Bastava ter Internet ontem e procurar um pouco, talvez até nas mesmas páginas onde se viram os festejos do golo de Slimani frente ao FC Porto. Sou um burro velho porque gosto mais de Slimani do que do FC Porto? É verdade, mas ao menos não sou hipócrita.

Não preciso de contar os troféus – poucos, infelizmente – que ganhei nos últimos anos. Mas também não preciso de me desculpar com SMS ou com cotoveladas para justificar derrotas.

Neste momento, alguns desses “benfiquenses” já se estão a lembrar da má atitude de Slimani no jogo da Taça de Portugal, no ano passado. Slimani agrediu, de facto, um jogador do SL Benfica e deveria ter sido castigado por isso. Agora, o facto de ser burro velho não me faz ter vista cansada e não ver, por exemplo, as entradas violentas sobre Adrien ou Gelson.

«Talvez se o público fosse mais agradável teria agido de outra maneira» - Cristiano Ronaldo, 7 de Dezembro de 2005 Fonte: Getty Images
«Talvez se o público fosse mais agradável tivesse agido de outra maneira» – Cristiano Ronaldo, 7 de Dezembro de 2005
Fonte: Getty Images

Sou burro velho? Talvez seja, mas ao menos sou burro velho e pouco hipócrita. Não me esqueço de que quem aponta o dedo a incriminar o que se passou em Alvalade festejou o golo do melhor jogador português de todos os tempos há pouco mais de quinze dias.

E ser burro velho tem as suas vantagens. Faz-me ter uma boa memória e lembrar-me do dia 7 de Dezembro de 2005. Aqueles 65 milhares que, na Luz, vaiaram e insultaram esse mesmo melhor jogador do Mundo são os que, menos de 11 anos depois, acredito que tenham partilhado as lágrimas de Cristiano na noite mágica de Paris, e mais de metade desses certamente terão festejado o magnífico golo de livre no recente Real Madrid – Sporting.

Ser hipócrita é achar que só há um clube em Portugal; ser hipócrita é ver tudo a uma cor. Mas mais hipócrita ainda é ter de olhar para os outros no momento das derrotas. Preferirei sempre “Jogar como nunca e perder como sempre” do que desculpar as minhas derrotas com algo que todos os clubes fazem, desculpando-me e sendo calimero.

Sou burro velho, mas ao menos não sou hipócrita…

 

Foto de Capa: Leicester CFC

Vítor Miguel Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Numa terra em que Paulo Fonseca tenta ser rei, há príncipes cada vez mais aclamados | Sporting 1-0 Moreirense

Alvalade assistiu na última noite de sábado à estreia de Paulo Fonseca como técnico do Sporting, a nova cara do projeto verde e branco, vestindo-se a rigor. Um treinador com tarimba, oriundo das Big 5, com duas missões a curto prazo: colocar os leões e a ganhar e a praticar um futebol distinto ao de Rui Borges. Frente ao Moreirense, Paulo Fonseca colocou praticamente as mesmas peças no papel lançadas pelo anterior treinador contra o Casa Pia, saiu apenas Pedro Lima para dar entrada a Issa Doumbia. Apesar da estrutura (palavra que Paulo Fonseca gosta) ser a mesma, baseada num 4x3x3, os jogadores possuem missões ligeiramente diferentes. Antes de mais, há que referenciar que os atletas contaram com pouco tempo de trabalho com o seu novo técnico, não permitindo uma revolução total, algo sem sentido, uma vez que este plantel está talhado para jogar de uma ou de outra forma, não tem profundidade (principalmente nos perfis dos médios) para grandes variações, algo a ter em conta para janeiro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.