No verão de 2023, chegava ao Sporting CP uma das promessas mais badaladas do futebol espanhol. Com 18 anos, Iván Fresneda era contratado ao Real Valladolid por nove milhões fixos, mais 2 por cumprimento de objetivos, tornando-se o segundo defesa mais caro da história do Sporting. O lateral espanhol era cobiçado por tubarões europeus, Barcelona e Chelsea, que viam no espanhol um ativo com um grande potencial.
Formado na La Fábrica, a academia do Real Madrid, Fresneda não permaneceu por lá durante muito tempo. Rumou ao Leganés, uma equipa com dificuldades na La Liga, por lá arrecadou oportunidades nas camadas inferiores, mas foi em 2020 que deu o salto para o Real Valladolid. No clube de Ronaldo Fenómeno, encontrou um lar e começou a dar os primeiros passos rumo aos escalões superiores, com 15 anos já integrava a equipa dos sub-19. Na época de 2022-23, tornou-se titular na equipa principal e foi aí que começou a atrair o interesse de grandes clubes. O Sporting chegou-se à frente e Fresneda era jogador dos leões.


A verdade é que o espanhol não começou bem a aventura por terras lisboetas, a ala direita pertencia a Geny Catamo, com Fresneda apenas a entrar a espaços, sem se conseguir afirmar na equipa principal. A lesão no ombro, seguida de operação e uma paragem por algumas semanas, dificultaram a adaptação do jogador, que realizou dez jogos na equipa principal na época de estreia, com uma paragem pela equipa B. Cogitou-se a sua saída no mercado de inverno. Fresneda parecia encurralado num ciclo de “Lei de Murphy”, onde tudo corria mal para o espanhol, até à chegada de Rui Borges. A mudança de três centrais para uma linha de quatro beneficiou Fresneda, que ganhou espaço e tornou-se titular indiscutível na equipa leonina.
O jogador do Sporting CP não é o mais dotado tecnicamente, as ações ofensivas pecam por vezes, com os cruzamentos a assumirem trajetórias que não deveriam. Não se pode é negar a entrega do espanhol, que luta por cada bola, é incansável na corrida pela faixa e não compromete defensivamente. É um jogador mal-amado pela massa adepta leonina, que nutre uma relação de amor-ódio pelo lateral. É capaz do melhor e do pior e pode melhorar a consistência de jogo para jogo, se o conseguir, pode alcançar todo o potencial que se previa. Pode não parecer, mas Fresneda tem apenas 21 anos, o teto é alto, ainda não é um jogador no feito, tem muito para melhorar.


Em Alvalade, na reviravolta épica frente ao Bodo/Glimt, o espanhol mostrou vislumbres daquilo que melhor pode oferecer à equipa liderada por Rui Borges. Foi uma exibição completa, digna de um autêntico maratonista, tendo em conta os quilómetros percorridos pelo lateral, foram 16,94. Foi o jogador que mais correu em Alvalade e dos que mais quilómetros percorre na Liga dos Campeões. Agressivo a defender, útil nos processos ofensivos, o que resultou no penálti conquistado, Fresneda calou os críticos que lançavam dúvidas pelo seu papel preponderante no plantel da equipa leonina.
Um jogo não faz um jogador, o lateral continua a falhar na precisão de cruzamentos ( acertou apenas um em seis). Defensivamente, ainda apresenta lacunas, reage mais do que antecipa, tendo de melhorar a leitura de jogo e a antecipação ao lance no momento defensivo.
Mas um jogo como aquele que referi, pode representar um ponto de viragem ainda maior para a confiança do espanhol, que já atrai interesse de clubes da Premier League como Arsenal e Newcastle. O futuro apresenta-se risonho para Fresneda, é titular na seleção sub-21 espanhola e a possibilidade de ser promovido para a equipa principal não é assim tão longínqua.
O tempo e a paciência são essenciais e Fresneda tem-nos tido. O patinho feio do Sporting CP, ocasionalmente menosprezado pelos adeptos, tem vindo a demonstrar que o tão falado potencial não foi por mera coincidência. Fresneda ainda tem muito para melhorar mas, para já, merece a confiança depositada por Rui Borges, só resta esperar para ver até onde chegará o lateral espanhol.

