João Matos: Oh Captain! My Captain!

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O “sportinguismo” absorve a realidade inquietante e dilacerante que me volteia, constituindo o subterfúgio a todo o infortúnio que ocorra. A camaradagem de uma vida. A flama que deflagra ao ínfimo contacto, a paixão que irrompe e que é trespassada através da exsudação e do regozijo. Através de tal ideologia, expresso e perpetro toda a minha religião e crença. (E, novamente, surge a minha obstinação em descrever o indescritível!)

Atendendo à longitude da história leonina, múltiplas seriam as almasenquadradas em tal prova de vassalagem. Contudo, obedecendo à minha moralidade, aclamo João Matos. Nem sei se deva olvidar formalidades ou redigir tal préstimo com todo a deferência. (Romão, como ousas dirigir-te a ilustre peito luso com tamanha indolência?). Mortalidade à parte, semideus, venerar-te-ei para todo o sempre. Mesmo aquando da minha putrefação e da exposição ao reino necrófago. Tu, presença assídua desde o meu acompanhamento à modalidade, foste, desde o primeiro minuto, um ídolo.

A tua singularidade é notória. Marcaste toda a minha geração e continuas a marcá-la. A colossal humanidade equipara-se ao tamanho profissionalismo. Sim, humanidade, pelas provas já prestadas no seio das quatro linhas e no contacto com o púlpito, o respeito nutrido quer para com o opositor quer para com a massa adepta que te salvaguarda. Exemplo vivo de fair-play.

A humildade para reconhecer a inaptidão que designa o ilusionismo e a magia fomentou na minha índole o espanto e a perplexidade. Não oculto a minha paixão pelo hermetismo supracitado. Contudo, algo ascende à estratosfera que nos cobre e que, no âmago de um sportinguista irracional (como eu) arrebata todo e qualquer drible ou golo: refiro-me ao arrojo, à audácia e à temeridade. Qualquer pavilhão cai no embevecimento. Resta a apreciação e a filiação com espírito tão intenso. Portugal, a Europa e o mundo já se habituaram a manifestações de cariz “guerrilho-sentimental”.

Em João Matos, o leão rampante confunde-se com o seu próprio coração
Fonte: Sporting CP

A referência assume contornos pleonásticos, mas aplicá-la em casos passíveis da mesma é um deleite. Cliché ou não. Exatamente, relatos de uma rivalidade eterna: SL Benfica. Galhardamente, e com a dentição devidamente afiada, exalaste o bramido enfurecido, empenhando a listada verde e branca e fincando os lábios junto do símbolo ao qual jurou amor eterno. Nunca vislumbrei choro e raiva tão autênticos aquando de desaires, assim como nunca vivenciei tamanho júbilo e lágrimas de contentamento.

A UEFA Futsal Champions League era competição almejada há uma data de anos. Mais do que qualquer outra, mereceste-a. Porque respiras Sporting, porque vives o Sporting, porque vives para o Sporting, porque exaltas os seus valores, porque não te acobardas em clima de peleja, porque não permites que ninguém nos espezinhe, porque nos instruis o ecletismo da instituição e porque (nos) amas incondicionalmente. Se há pessoa que honra a braçadeira que transporta, és tu!

Um “obrigado” ridicularizaria toda esta (tentativa de) homenagem. Para ti, as palavras não fluem no decurso da normalidade e todos os vocábulos elogiosos são escassos. És nosso, és a amálgama de todos nós, és Sporting Clube de Portugal!

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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