O João Rocha como chave de sucesso das Modalidades | Sporting CP

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Quase todos se lembram e todos já ouviram falar da mítica Nave de Alvalade. A antiga casa das modalidades de pavilhão do Sporting CP situada por baixo das bancadas do velhinho estádio José de Alvalade desapareceu aquando da demolição deste em 2004.

Desde aí, as modalidades do Sporting CP ficaram desalojadas, tendo que usar, durante anos, pavilhões de outros clubes, noutras cidades, o que obrigou a que as equipas de Futsal, Andebol, Hóquei em Patins ou Voleibol (ainda que estas duas últimas tenha estado vários anos extintas) tenham andado durante anos com a “casa” às costas, tendo que jogar onde calhava ou o clube conseguia assinar um protocolo.

Apesar desta medida de recurso permitir que adeptos e sócios leoninos de vários pontos do país pudessem desfrutar de pelo menos uma modalidade do clube ali perto, a identidade de clube, ou a noção de família, de casa, perdiam-se num percurso feito de tantas mudanças e deslocalizações.

Os adeptos, como fiéis que são, deslocavam-se onde quer que uma equipa leonina estivesse, mas nos atletas não se enraizava a cultura e os valores de ser Sporting CP. Um jogador, ao vir jogar para o Sporting CP, entrava e saia do clube sem conhecer o nome “Francisco Stromp”, e não via em nenhuma parede o lema “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória”. Não viviam o seu dia-a-dia na “sua” casa, rodeados do ambiente de Alvalade. E todos sabemos que não há como a nossa casa.

O Pavilhão João Rocha é a casa de todas as modalidades do Sporting CP desde 2017
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Estivemos, portanto, desde 2004 até 2017, ano em que foi inaugurado o Pavilhão João Rocha, sem um lugar onde se pudessem fixar as modalidades acima referidas. Um lugar que os jogadores identificassem como a sua casa, o seu abrigo, a sua fortaleza. Porque é disso mesmo que se trata.

Essa identidade fez com que nos últimos anos (desde 2017) tivéssemos ganho vários campeonatos nacionais em todas estas modalidades, permitindo ainda que o Futsal tivesse alcançado dois títulos de Liga dos campeões, o Hóquei em Patins ganhasse uma Taça CERS e duas Taças de clubes campeões europeus, e o Andebol conquistasse uma Taça Challenge. Estas três modalidades só por si ganharam 12 dos títulos internacionais do clube em toda a sua história, e só um deles foi no período em que o Sporting CP não tinha um pavilhão que pudesse chamar de seu.

Para além do já referido, no João Rocha, os atletas de uma modalidade não têm apenas os seus colegas de equipa, têm também os de todas as outras modalidades. E quantas vezes pudemos assistir a jogadores do andebol a assistir aos jogos do Hóquei ou vice-versa, ou mesmo os destas nas bancadas do João Rocha a apoiar o futsal? Para não falar dos treinadores. Recorda-se com certeza do Nuno Dias a entrar na festa da conquista da Liga dos Campeões e a abraçar o Paulo Freitas…

Aliás, estes dois são inseparáveis, pelo menos no que toca a títulos internacionais. Quando um ganha o outro não faz por menos. A união entre atletas das várias modalidades do Sporting CP vê-se também nas redes sociais, em que mostram o seu apoio sempre que alguma das equipas vai disputar um jogo importante. Se estivesse, cada modalidade, a jogar num pavilhão diferente, com certeza esta camaradagem e identidade não existiriam.

O Pavilhão João Rocha recebeu, em 2019, a final da Liga dos Campeões entre Sporting CP e FC Porto
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Por falar em títulos, o Sporting CP de vencer o campeonato nacional de futsal, e estamos em vantagem na disputa da final do campeonato de Hóquei em Patins. Para esta época ser perfeita só faltava termos conseguido ser campeões nacionais no Voleibol. Mas não pode ser sempre perfeito. Uma coisa é certa, com um pavilhão a que podemos chamar casa, estaremos sempre mais perto de ganhar. E um clube que teve como um dos seus fundadores Francisco Stromp, um dos atletas mais ecléticos que o clube e o desporto português já tiveram, não poderia sobreviver sem uma casa das modalidades.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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