Liga dos Campeões: alta voltagem com o tradicional apagão

- Advertisement -

a norte de alvalade

Demonstração de superioridade sobre o adversário, deixando clara a diferença que separa as equipas, foi aquilo que o Sporting fez ante o Maribor. Um jogo de alta voltagem da parte de Nani mas que não deixou de ficar marcado por um apagão, que resultou num golo muito consentido. Este haveria de fazer abanar a equipa, até esta repor novamente a distância de conforto de dois golos.

Muita dessa superioridade ficou logo vincada nos momentos iniciais do jogo, redundando num golo relativamente madrugador. Muita agressividade e pressão sobre o adversário garantiam a posse de bola para lançar ataques constantes. Esta pressão foi quase constante durante o primeiro tempo, mas a parceria esloveno-brasileira no golo final da primeira parte fez regressar um Sporting algo hesitante e que, talvez pela demora do apagão, parece ter esquecido os papéis que cabia a cada um desempenhar. A equipa desagregou-se, perdendo agressividade e facilitando nas coberturas, o que permitiu ao Maribor ver mais vezes a camisola vermelha do Patrício.

Não foram muitas as vezes, mas as suficientes para criar perigo, que o Maribor explorou muito bem o espaço ao centro, nas costas dos nossos médios, fazendo surgir diante dos defesas jogadores com a bola controlada sem  contudo lhes dar a melhor sequência. Algo que nós ainda não fazemos mas deveríamos começar a pensar incluir no cardápio, porque as arrancadas de Nani poderiam ganhar uma dimensão ainda mais letal. E Slimani não estaria tanto tempo ausente ou invisível para os colegas com bola, ou então apenas ao alcance de um aleatório centro desde a linha lateral. 

Desta vez, como nem sempre ocorre no futebol, a verdade veio ao de cima, sendo precisamente Slimani a repô-la, pelo menos de forma parcial. Com outra eficácia e não sei se o avião do Maribor não teria dificuldades em levantar voo, por excesso de carga.

Dos mais três preciosos pontos conquistados resulta o apuramento para a fase seguinte da Liga Europa, o que assegura a importante permanência nas competições europeias. O bolo e a cereja no respectivo topo pode ainda ser alcançado, com o apuramento para a fase a eliminar da Liga dos Campeões, que podia ontem já ter sido carimbado não fosse esta fase de apuramento ter-se assemelhado a um estranho “Campeonato das Abébias”, naquilo que o golo de Jefferson ontem constituiu a última jornada. 

Estranhamente, quando se fala de falhas comprometedoras, parece agora só haver registo do erro grave do árbitro russo, quando o jogo na Alemanha foi preenchido por erros individuais de palmatória e sobretudo a recepção na Eslovénia ter sido brindada por um dos mais patéticos golos sofridos ultimamente. Só neste lance mandámos dois pontos para o éter.

Em que é que isto é importante agora? É que não percebendo as nossas próprias limitações dificilmente cresceremos. E, como o jogo de ontem mais uma vez deixou evidente, felizmente sem grandes consequências, a falta de qualidade individual na defesa é um dos nossos algozes mais severos na época a decorrer. Apesar de o apuramento para Liga Europa conter os danos, tal não deve iludir que, nos actuais moldes, os nossos interesses estão muito longe de estar acautelados.

Voltando, para finalizar, às nossas possibilidades de apuramento. O que é melhor para nós, o apuramento para a Liga dos Campeões ou a Liga Europa? Não sei se este debate faz muito sentido, mas sempre vou dizendo que, se é verdade que não temos equipa para ganhar a Liga dos Campeões, isso não obsta a que o Sporting deseje prosseguir na mais importante competição de clubes do mundo. O contrário é atraiçoar o espírito que norteia o clube desde a sua fundação, e quem tem medo de jogar com os melhores nunca será como eles. E se o medo de perder pode tolher alguns espíritos, porque é que na Liga Europa ele pode ser de todo afastado?

José Duarte
José Duarte
Adepto do Sporting Clube de Portugal e de desporto em geral, especialmente de futebol.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Brian Riemer: «Portugal teve um grande selecionador que foi Roberto Martínez e agora tem outro grande treinador

Brian Riemer fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Imprensa catalã reage ao triunfo de Portugal: «Portugal e Cancelo sabem golear sem Cristiano Ronaldo»

A vitória de Portugal contra a Dinamarca por quatro bolas a duas está a ser alvo de análise por parte da imprensa internacional.

Portugal: eis a hora para o regresso a solo luso da seleção nacional

A seleção de Portugal regressa a solo nacional durante a próxima sexta-feira, deixando assim Copenhaga, capital da Dinamarca.

Jorge Jesus 1-0 Cristiano Ronaldo: Tendência para manter? Ou princípio do fim da polémica?

Portugal foi ao terreno da Dinamarca vencer por quatro bolas a duas, num encontro a contar para a Liga das Nações.

PUB

Mais Artigos Populares

Nuno Mendes: «Estou a gostar muito de trabalhar com Jorge Jesus»

Nuno Mendes fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Rafael Leão e a utilização do número 7: «O Cris é um ídolo de infância, o 7 é um número especial, foi a data...

Rafal Leão fez a análise ao encontro entre Portugal e a Dinamarca, encontro da terceira jornada da Liga das Nações.

Eis as contas para Portugal garantir o apuramento na Liga das Nações já no próximo jogo

Portugal tem o caminho aberto para fechar o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações. Conhece as contas nacionais.