sporting cp cabeçalho 1Confesso que não assisti ao embate entre o Sporting e a Juventus para a Champions. De qualquer forma, não perdi algo que não tivesse visto. Um replay assombroso e entediante sobre histórias cativantes, mas limitadas a um final tenebroso. Estes jogos fazem lembrar “o Fantasma da Ópera”.

Um espéctaculo da Broadway que começa com bastante emoção e termina sempre de forma dramática. Eu próprio, mesmo conhecendo o enredo do musical, decidi assistir ao romance de Gaston Leroux numa das salas de espéctaculos de Nova Iorque. A mesma intriga do filme foi procedida em Alvalade. Os leões lutavam frente aos hexacampeões italianos, mantendo a intenção de alterar um crónico desfecho. Se por um lado, os homens da “velha senhora”, vinham na máxima força, do outro lado estava uma equipa verde e branca mais remendada que o botox da Lili Caneças.

Até os mais impávidos e serenos temiam pela falta dos quatro titulares. Mas, não foi por aí que o Sporting não conseguiu quebrar a malapata e vencer um colosso europeu. Jorge Jesus, o génio de Alvalade, falhou novamente. Ou melhor, não acertou, novamente, na altura de mexer na equipa e nas substituições que executou. O Sporting perdeu mais uma excelente oportunidade de colocar o mundo do futebol em sentido e de empurrar as contas do grupo apenas para sua própria dependência. Ainda faltam duas jornadas, é um facto, mas só uma grande ajuda espanhola nos poderá enviar para a próxima fase da Champions.

Novamente sem Piccini, William, Coentrão e Mathieu, o Sporting recebia os Bracarenses e a sua forte aliança. Se o treinador Abel ressalvou que os nortenhos jogavam que nem um grande, assistimos a um Braga pequeno durante oitenta minutos. Já não bastava ter que presenciar aquele flanco esquerdo com a falta de talento da dupla Jonathan Silva e do picanhas Bruno César, ainda havia pela frente uma equipa que se diz jogar como os maiores mas que queimava tempo como os pequenos, que tentam desesperadamente sacar dois pontinhos aos leões.

A aliança encarnada começou em Guimarães, com Pedro Martins a guardar os melhores jogadores frente a um candidato, e terminou em Alvalade. Carlos Xistra, o fraco artista, prejudicou severamente ambas as equipas. É importante ressalvar que, noutro campeonato, Ricardo Esgaio nunca terminaria este jogo.

Bas Dost juntou-se ao lote dos lesionados após 80 minutos de boa qualidade Fonte: Sporting CP
Bas Dost juntou-se ao lote dos lesionados após 80 minutos de boa qualidade
Fonte: Sporting CP
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Aliás, o português nem meia parte faria pelos dois cacetes e outros mais com que despachou os jogadores do Sporting. Para acrescentar a esta enfermaria de talentos, Acuña e Bas Dost lesionaram-se, retirando mais qualidade ao jogo. Os últimos dez minutos foram suficientes para Abel acertar e Jesus falhar no capítulo das substituições.

O treinador bracarense deu mais qualidade, profundidade e agressividade ao ataque nortenho. Já Jorge Jesus demorou a mexer e abdicou do protagonismo, concedendo dois golos em cinco minutos. Os dois golos subtis da aliança encarnada foram bastante penalizadores. A equipa nortenha soube aproveitar a irreverência de Jorge Jesus e o facto de Bruno César se arrastar pelo campo. Um mal menor aconteceu mesmo no final, com Alan Ruiz a aproveitar uma paragem cerebral de Ricardo Horta.

O empate e o ponto conquistado vieram com um tremendo sabor a derrota, só ultrapassado pela modéstia e pela falta de paciência daqueles adeptos que não suportam outro resultado que não seja vencer. Se abandonam o barco quando os marinheiros precisam de uma brisa de apoio para superar uma tempestade diabólica, também não são dignos de comemorar os êxitos das vitórias.

 Foto de Capa: Sporting CP

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