Arouca 1-2 Sporting: Não se jogou futebol mas o Sporting ganhou

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Escolhi díficil. O fácil é de todos

Dizia Luís Freitas Lobo, e muito bem, que durante um campeonato existem diversos tipos de jogos. Na teoria, os jogos com o Arouca seriam dos mais fáceis que os grandes encontrariam. Na prática não foi bem assim. As condições climatéricas e o estado do relvado podem equilibrar – e hoje equilibraram – as balanças e, assim sendo, um jogo que se expectava mais fácil deixou de o ser. Seja em que circunstâncias for, os jogos valem todos três pontos e, por isso, não há uns mais importantes que outros. O Sporting superou um super desafio, ao vencer por 1-2 a equipa de Pedro Emanuel.

O início do encontro foi complicado. O Sporting demorou a entender que estava obrigado a adaptar as linhas por que costuma reger o seu futebol, e até alterar o chip já se encontrava em desvantagem. O Arouca entrou muito forte – tal como já havia feito em Alvalade, na 1ª jornada – e chegou à vantagem por Bruno Amaro, que também tinha marcado na 1ª volta. Leonardo Jardim entendeu que não podia continuar a insistir no passe curto e transmitiu essa evidência aos jogadores, que, optando pelo futebol mais directo, foram ganhando algum espaço. Wilson Eduardo, que se encontrava no flanco direito, como é usual, foi colocado mais ao centro para perto de Montero, de forma a ter possibilidades de ganhar a 2ª bola nos confrontos directos, o que seria impossível se Montero permanecesse sozinho no meio dos centrais adversários.

Mas nem assim o rumo do jogo se inverteu. Marcos Rojo empatou o encontro na sequência de um canto e com um excelente cabeceamento (2ª jogo consecutivo a marcar, depois de o ter feito frente ao Marítimo para a Taça da Liga), contudo o Arouca não baixou os braços e permaneceu com uma atitude guerreira que ia gerando muitos problemas ao conjunto de Alvalade. Só a partir dos 35 minutos da primeira parte é que o Sporting conseguiu, de forma continua, ganhar algum terreno de jogo, mais por desgaste físico do adversário do que por mérito próprio.

Na segunda parte a história foi algo diferente. O Arouca continuou bem mas, aí sim, o Sporting ajustou alguns erros que vinha cometendo no primeiro tempo. William Carvalho subiu no terreno e tornou-se preponderante no meio-campo, Slimani, entrado aos 53 minutos por troca com Capel, também deu uma maior capacidade aérea ao jogo directo que se praticava de ambas as partes. Aos 62 minutos de jogo Luís Tinoco foi (mal) expulso por falta sobre Slimani, mas Cosme Machado corrigiu um erro com outro erro, ao expulsar Rojo aos 66. Por quatro minutos o Sporting parecia vir a ser beneficiado, mas depressa se percebeu que não. Ambos os casos por acumulação de amarelos, e ambos forçados. O jogo seguia com 10 para cada lado, Leonardo Jardim resolve inexplicavelmente tirar William Carvalho que minutos antes até tinha estado pertíssimo de um golaço, e o Sporting mostrava-se mais perigoso e perto do golo.

E foi exactamente isso que acabou por acontecer. Jefferson centrou muito bem para o coração da área, Slimani recebeu no peito e, com um forte remate, colocou os leões em vantagem pela primeira vez no jogo. A partir daí foi um jogo de sofrimento para o Sporting. Jefferson e Maurício em dificuldades físicas, o Arouca a apostar cada vez mais no futebol directo e só por poucos centímetros não empatou através de um remate de cabeça. Essa foi, contudo, a única ocasião de golo que criou depois de em desvantagem.

No geral, uma vitória importantíssima e muito complicada para o Sporting que, mais do que qualidade, hoje mostrou união, querer e garra necessárias para justificar, pelo menos até amanhã, o 1º lugar da tabela classificativa. Slimani voltou a ser essencial.

João Almeida Rosa
João Almeida Rosa
Adepto das palavras e apreciador de bom Futebol, o João deixou os relvados, sintéticos e pelados do país com uma certeza: o futebol joga-se com os pés mas ganham os mais inteligentes.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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