O conto do Menino do Mercado

- Advertisement -

(Hora da sesta)

No infantário, as crianças repousam nos cubículos destinados. O objetivo primordial prende-se com o facto de os fazer descansar uma ou duas horas, de modo a que as educadoras de infância possam adentrar no perímetro de amena cavaqueira.

A estratégia é um pretérito. Velhaca, por sinal. Adormecer as almas ainda vivas, contar-lhes a história da carochinha (isto engloba muita coisa, ao que parece), naquela voz pretensiosa, eloquente e com aquele tom de mistério incluído, mesmo que se busque uma maçã no cimo de uma árvore, e sair de sorrelfa pela porta, em bicos de pés.

Educadora de infância – Meninos, hoje conto-vos a história do “Menino no Mercado”! (afina a voz naquele tom que já se conhece).

“Era uma vez um menino tímido, baixo e rechonchudo. Todas as manhãs, no caminho para a escola, passava por uma mercearia e via as frutas sobre as caixas, numa banca alongada.

Ao olhar nessa direção, o seu estômago tremelicava: era pobre, vestia roupa farrapada e a primeira refeição do dia era o almoço oferecido pela cantina da escola. Os pais não conseguiam ajudar de forma alguma.

Naquele instante, o fenómeno era observado por todos os que cruzavam a rua, repentina ou absortamente. A maioria das pessoas ficava pasmada face tal situação. Com pena, com tristeza, com alguma repulsa até. Mas nunca ninguém foi capaz de ajudar. E lá ia o rapaz, de mochila às costas e cabisbaixo, tropeçando na calçada.

Até ao dia em que…”

Escuta-se o último ressonar cândido. Acontece o que já foi descrito.

O sono foi alimentado e estimulado pelo h em falta. A partir desse momento, cada alma imberbe foi guiada pelo turbilhão de pensamentos desagregados e sem um fio condutor, tão pouco. O momento discorre em perfeita harmonia com a ataraxia característica. Mas a dormir todos são alheios ao que está a acontecer no mundo. Portanto, resta interromper o sono de quem está destinado ao sofrimento.

O menino cresceu, desenvolveu uma paixão clubística e perde o apetite quando o clube a faz passar vergonhas. É hipertensa. Hoje é vítima de “mercadofobia”.

Apesar das lacunas evidentes do plantel, os leões continuam sem movimentações no mercado
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pelos vistos, o clube segue a mesma cognominação, ainda que por razões distintas. O Sporting Clube de Portugal é mesmo o menino da história inventada à pressa, de modo quase tosco.

No mercado, ativos na inatividade. As possíveis contratações são, maioritariamente, impossibilitadas por fatores diversos. Listas e listas de reforços que estão com um pé, pé e meio ou com apenas um dedo em falta e que acabam por desaguar noutras instituições, às vezes nos tão mencionados “rivais”.

Quem é que, no seu perfeito juízo, pretende dar um passo atrás na carreira e, ainda por cima, assistir à redução salarial? Aos apupos constantes da massa adepta? À humilhação de não ser a terceira força do futebol nacional e estar em risco de perder a quarta posição brevemente? Aos corajosos, uma palavra de apreço: o mundo descreve o movimento rotativo em torno de pessoas assim.

“Não devemos acreditar em tudo o que lemos nos jornais” é a frase mais impotente dos dois séculos passados: em algum momento, nem que seja o da leitura de determinada notícia, crê-se naquilo que se lê e comprova-se, afirma-se, reitera-se. Contudo, “não devemos colocar a mão no fogo por ninguém” é, contraditoriamente, de potência excelsa.

Refiro-me – evidentemente – aos endividamentos em catadupa, aos calotes que são uma constante e ao queixume originário de dirigentes de clubes/instituições. Isto baralha os adversários: supostamente, a corda está ao pescoço e começa a sinalizar a sua marca; contudo, são feitas propostas como se fôssemos o Tio Patinhas, como se não tivéssemos um treinador para amortizar. Minto! Dois treinadores para amortizar…

Aproxima-se mais uma época de contratações cirúrgicas, porque alguma delas virá com rótulo, a prometer mundos e fundos e lesionar-se-á – época para o galheiro! – nos primeiros treinos; mais uma época de contratações que justificam o investimento pelo facto de existir um certo e compreensível receio face a um escoamento da reserva de flops (marketing puro).

Este “Menino do Mercado” ainda não redigiu o ponto de viragem. Até ver!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Arouca paga 125 mil euros e vai a Espanha garantir novo lateral esquerdo

O Arouca fechou a contratação de Mario Climent. Defesa esquerdo chega do Cádiz e vai assinar por dois anos com o conjunto português.

José Mourinho quer reforçar posição no Real Madrid e favorito é internacional português

José Mourinho quer ver chegar novos centrais ao Real Madrid. Renato Veiga é uma das opções para lidar com vulnerabilidade física do setor.

Enzo Maresca quer frustrar planos de José Mourinho e segurar destaque do Manchester City: «Ele é um jogador de topo»

Enzo Maresca falou de Rodri à margem da pré-época do Manchester City. O novo treinador dos cityzens quer manter o médio no plantel.

Danny Welbeck apresentado como reforço do Chelsea e novo jogador mais velho do clube

Danny Welbeck foi oficializado como novo jogador do Chelsea. Avançado chega para reforçar ataque dos blues.

PUB

Mais Artigos Populares

Luis Enrique mete internacional português fora do PSG

Renato Sanches não vai continuar no PSG. O médio não foi chamado à pré-época do clube e vai procurar novo clube neste verão.

Fim de ciclo no Peixe: Neymar mais longe de renovar com o Santos devido a descontentamento mútuo

A relação entre Neymar e o Santos está desgastada. Alegadas atitudes egoístas têm gerado desconforto entre colegas de equipa, equipa técnica e dirigentes.

Atenção, Benfica: Real Madrid toma decisão quanto ao futuro de Franco Mastantuono e já há favorito na corrida

Franco Mastantuono vai deixar o Real Madrid por empréstimo. Os merengues dão preferência a uma cedência europeia e a Fiorentina ganha vantagem.