O Exemplo “Fábio Paim”

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Há uns anos atrás surgiram na academia Sporting duas pérolas que, apesar de todos lhes reconhecerem muito talento, tiveram caminhos completamente distintos. Esses dois fenómenos, e os seus exemplos antagónicos, foram um dos pilares para o sucesso na formação de jovens com pés assentes no chão, salvo raras excepções que sempre vão surgindo.

O próprio Aurélio Pereira disse que um jogador até pode ter tudo para ser um craque e não querer, e é isso que está na diferença entre Fábio Paim e Cristiano Ronaldo. Fábio Paim tinha mais talento que Cristiano Ronaldo, facto reconhecido pelo próprio CR28, mas não queria trabalhar para exponenciar as suas capacidades. Foi essa vontade e motivação que faltou a Paim e sobrou em Ronaldo, tornando-o o que é hoje. Porque para se ser uma estrela no futebol não é pêra doce, e não é para todos, sendo aliás para muito poucos.

Muitos desistem nesse percurso, e todos pensam desistir em algum momento da sua formação. Seja pelo facto de não poderem estar junto da família, ou simplesmente não poderem passar o fim de semana em casa com os seus, não poderem sair à noite ou comer e beber o que têm vontade, ter horário para levantar, estudar, treinar, deitar, sem tempo para se divertirem. Perde-se muito do que é a juventude para se seguir um sonho apenas alcançável pelos mais obstinados, ainda que mesmo entre esses, apenas alguns sortudos consigam uma carreira internacional cheia de sucessos. Será preciso muito foco, trabalho, teimosia, sacrifício, sofrimento, sorte, e talento para se poder ter alguma hipótese em triunfar neste mundo. Para crianças de dez, doze anos ainda acham que é fácil, e que qualquer um consegue ser jogador profissional de futebol (para não falar da pressão que os pais colocam nos filhos, para que estes se tornem nos futuros Ronaldos).

Fábio Paim numa equipa onde também estavam Daniel Carriço ou Rui Patrício Fonte: Fórum SCP
Fábio Paim numa equipa onde também estavam Daniel Carriço ou Rui Patrício
Fonte: Fórum SCP

Ter na sua história dois exemplos com caminhos e finais tão diferentes simplifica muito a forma de, na academia de Alcochete, se explicar aos jovens o que pode acontecer a quem ali esteja para trabalhar e os que estejam simplesmente confiantes nas suas capacidades inatas. Nascer com jeito para o futebol não chega na alta competição, e até os predestinados têm que trabalhar e sofrer para vencer.

Ver o Rui Patrício e o Adrien dizerem que era fácil jogar na equipa do Fábio porque ele podia resolver os jogos sozinho, e que até voltava atrás para fintar novamente os adversários, mostra o quanto seria fácil a esse jogador ter-se tornado no jogador com mais bolas de ouro. Essa facilidade, no entanto, terá sido o seu pior adversário, uma vez que o convenceu de que não precisava de mais que o seu talento para triunfar. Tinha o talento, faltaram-lhe todas as outras vertentes já aqui descritas. Ao ouvires jogadores como o Rúben Semedo, Gelson Martins, Luís Maximiano, ou Diogo Brás, sobre o exemplo de Paim, e o quanto é importante esforçares-te e trabalhar para alcançares o objectivo de seres futebolista profissional, percebe-se o que isso acrescentou à formação do Sporting, por ser um exemplo acabado do que pode correr mal, mesmo a um predestinado.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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