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O fantasma da formação

Romão Rodrigues · 2 min

O fantasma da formação

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Não rasuro nada desde a semana passada e, em meu resguardo, asseguro que a hecatombe que constituiu a Supertaça em nada contribuiu para a decisão. Provavelmente, a intensidade do motivo acrescia na dose maciça da coisa… Se vos disser que o resultado não fomentou uma raiva que ainda subsiste e uma mágoa que não irá perdurar durante uma temporada inteira, estou a mentir. Mas, se vos disser que não existe nada mais embaraçoso do que isso, estaria a mentir novamente.

A temática é senil. E senilidade é tristeza, é agrura, é contemplar o reino necrófago a consumir-nos até às entranhas, é observar a putrefação que advém do urgir do tempo. A morte inquieta-me, ainda para mais quando a vejo rondar uma das coisas que mais prezo, rindo-se histericamente e volatizando-se segundos depois.

Falta de aposta na formação. Não, não é simples. É uma descaracterização constante, uma brecha sem remendo à vista naquela que sempre foi a matriz da instituição. Perante o cenário, o que resta? Que Sporting é este? Não me perguntem, mas isto faz-me lembrar aquele argumento barato de um filme parco, onde há alguém que bate com a cabeça algures e, a partir daí, é diagnosticado com amnésia ou com doenças similares do foro psicológico.

Designar as crias do leão como “prata da casa” é absurdo; descrevo-as como ouro com safiras incrustadas, diamantes a partir dos quais reluzia o azul céu que faz olvidar as nuvens, na mais pura e autêntica das formas. Não vou citar nomes porque a lágrima ganha a corrida, creio que toda a gente, nesta situação, não se deixa subjugar à amnésia momentânea, apesar de nunca termos fabricado uma máquina avaliada em 126 milhões de euros.

Aposta na formação: um chavão ou uma realidade?
Fonte: Sporting CP

As conquistas apuram uma amálgama de irreverência e experiência. Se por um lado é essencial a presença de alguns profissionais com a tarimba suficiente para, em determinadas situações, representarem a solidez e o alicerce imponente perante a tentativa de derrube, por outro a eclosão desta petulância benigna é inspirada pela vivacidade que se sente à flor da pele e pela mescla de todos os sonhos no limiar da adolescência. Só os imberbes sabem como se sente Sporting, como se respira Sporting e como se vive o Sporting: quando perdem, choram, porque a dor os assola e porque estão cientes de que, de certa forma, magoaram o clube; quando ganham, irradiam aquela alegria que contagia e os olhos brilham como se estivessem sob a presença do Divino.

Educar. Formar. Semear e colher os frutos. A conformidade dos clubes portugueses com este ideal é imperativa. A preferência pelo que é estrangeiro é uma política de retrocesso. Demandar por qualquer posição carecida quando, em casa, o que possuímos oferece melhores garantias, com a vantagem que já foi supracitada é um tiro, não nos pés, mas na cabeça, é morte súbita.

Acima de qualquer coisa, a verdade. Como sportinguista acérrimo e como observador do show off benfiquista em diversas situações, aliado à tática impoluta da vitimização que resiste com tamanha facilidade a uma Justiça apática, profiro o meu elogio a Luís Filipe Vieira e respetiva equipa: no que respeita à formação, o SL Benfica, neste momento, é exemplo para qualquer equipa. A diferença está… em confiar na juventude!

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Romão Rodrigues

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