O futuro só existe na Champions

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O Sexto Violino

Chelsea, Schalke e Maribor. São estes os adversários do Sporting no ano do regresso à Liga dos Campeões. O sorteio não foi amigo, mas também não foi tão cruel como poderia ter sido. Ainda assim, passar aos oitavos-de-final será muito difícil: os ingleses são uma equipa de outro nível, com inúmeras soluções de qualidade para qualquer posição e, como se não bastasse, contam ainda com o pragmatismo de Mourinho do seu lado; os alemães, por seu turno, contam com o habitual poderio físico do futebol germânico, aprimorado pela presença de Höwedes e Draxler, dois craques recém-consagrados com o título de Campeão do Mundo, e ainda Huntelaar, um ponta-de-lança mortífero. O Maribor será a equipa que permitirá ao clube de Alvalade garantir, em princípio, o 3º lugar do grupo – pelo menos assim diz a teoria.

O Sporting não disputa um jogo para a Champions desde 2009. Cinco anos se passaram entretanto – período que, como sabemos, teve início numa malfadada eliminatória: após o 0-5 em Alvalade com o Bayern, a equipa conseguiu piorar o registo e saiu de Munique goleada por 7-1, com a Europa inteira a assistir àquele que foi o maior enxovalho da História do clube. Apesar de ainda hoje ser doloroso para um Sportinguista falar disto, é importante que não nos esqueçamos da nossa realidade de então, para que tal não se repita: em 2008/2009, o Sporting tinha uma equipa mediana, que não foi reforçada quando devia ter sido e que já se encontrava ultrapassada. O treinador era Paulo Bento, útil ao Sporting até um determinado período mas que não se soube reinventar nem percebeu que o seu período já tinha chegado ao fim. O clube era ainda presidido por Soares Franco, que daria lugar dentro de poucas semanas a José Eduardo Bettencourt (com os resultados que se sabem). Em resumo, o Sporting dava os primeiros sinais de crise e despedia-se dos maiores palcos da Europa antes de mergulhar no caos completo – que levou, entre outras coisas, à sua pior classificação de sempre no campeonato.

Hoje tudo isto já parece ser passado, e o clube dá sinais de tentar reerguer-se. Mas as consequências ainda se fazem sentir: o Sporting perdeu o comboio da Champions e, com isso, desperdiçou não só a hipótese de ter acesso aos milhões da maior competição de clubes da Europa como também deixou de poder atrair nomes de peso aos seus plantéis. Como se não bastasse, os Sportinguistas ainda tiveram de assistir de fora a clubes mais pequenos, como o Braga e o Paços de Ferreira, tentarem a sua sorte na Liga dos Campeões.

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Caso o Sporting tivesse falhado o apuramento para a Liga dos Campeões, muitos dos melhores jogadores do actual plantel não estariam no clube

É um ciclo vicioso: piores jogadores levam a piores classificações e, por seu turno, piores classificações são um entrave à contratação de atletas que façam a diferença. Foi esta a realidade leonina durante cinco longos anos. Futebolistas promissores como Nani, Miguel Veloso e João Moutinho foram saindo, bem como um velho abono de família chamado Liedson. Entraram alguns jogadores com menos qualidade, para além de erros de casting como Maniche, Pongolle ou Angulo. Veio Godinho Lopes, que gastou uma fortuna a contar com o retorno financeiro de um apuramento para a Champions que não chegou a acontecer, e o Sporting afundou. Agora, após uma época de reconstrução, o clube voltou à Liga Milionária. E bastou isso para atrair Nani ao clube, naquela que foi a transferência mais sonante do futebol português nos últimos anos. De igual modo, a disputa desta competição também permitiu, espera-se, a permanência de William Carvalho por mais um ano. Se não houvesse Champions em Alvalade, nem um nem outro estariam no Sporting.

É por tudo isto que o clube não pode estar tanto tempo arredado da prova-rainha da UEFA. Uma equipa da grandeza do Sporting tem de estar sempre presente nos grandes palcos – não só enquanto actor secundário de uma peça para a qual, por enquanto, ainda não tem “cabedal”, mas numa perspectiva de evolução, consolidação e superação ano após ano. Se, nesta temporada, uma grande parte da equipa disputará a Liga dos Campeões pela primeira vez, no próximo ano já nada disto será novidade. E ainda bem. O Sporting tem de se habituar às grandes competições, tanto pelo dinheiro como pelo prestígio. A época de 2014/2015 marcará, espera-se, o início da transformação do ciclo vicioso do passado num ciclo virtuoso futuro. E este, já se sabe, só existe se o clube marcar presença assídua na Champions.

João V. Sousa
João V. Sousahttp://www.bolanarede.pt
O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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