O outro lado dos dérbis

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No último sábado, em Alvalade, para além do entusiasmo normal por mais uma luta pelos três pontos, foram distribuídos alguns panfletos com novidades acerca do tão aguardado pavilhão João Rocha.

A juntar a isso, houve uma apresentação nos ecrãs gigantes em jeito de contagem final para a inauguração do novo espaço para as modalidades de pavilhão, que anos após ano vão fazendo crescer o Museu do Sporting CP.

Falar em conquistas no futsal, andebol e hóquei em patins é sinónimo de nostalgia, não pelos troféus – porque, felizmente, são já um cliché –, mas porque é inevitável recordar todos os momentos de euforia vividos na grande Nave de Alvalade. Tantos sorrisos, tanta paixão, tanto entusiasmo.

Volvidos tantos anos era tempo de transformar as promessas em realidade, de termos “casa própria”, logo ali, ao lado do estádio, para que voltem as tardes desportivas em família. Durante a tarde o futsal, o andebol e/ou o hóquei, e à noite o futebol como desporto-rei.

Esta situação arrastou-se no tempo de maneira quase interminável, mas, mérito desta direção e deste Presidente, o Sporting voltará a ter dentro de um ano, caso o prazo estipulado se faça cumprir, um pavilhão com todas as condições necessárias para mais vitórias, para mais conquistas.

Há mais dérbis! Sábado foi em futsal, jogo que o Sporting CP ganhou por 2-1 frente ao SL Benfica.

A equipa com mais campeonatos nacionais nesta modalidade apresentou-se muito coesa, com processos defensivos bastante rigorosos e eficazes – imagem de marca do clube desde que Nuno Dias tomou as rédeas da equipa – e com jogadores individualmente muito competentes.

Cavinato e Fortino trouxeram qualidade e golos à equipa “leonina” Fonte: Sporting CP
Cavinato e Fortino trouxeram qualidade e golos à equipa “leonina”
Fonte: Sporting CP

Frente ao campeão em título, e com o pavilhão de Odivelas com casa cheia, a tarefa adivinhava-se complicada. O SL Benfica usou e abusou de reposições rápidas por parte do guarda-redes espanhol Juanjo, que não se revelaram ameaçadoras, ora pela competência defensiva daquele que já se especializou na defesa dos pivôs adversários, Djô, ora pela leitura de jogo do guardião leonino Marcão, que por muitas vezes se antecipou ao homem mais adiantado da equipa da Luz.

Com um sistema tático interessante, com base no 3×1 variando para 4×0 quando Fortino saía para respirar uns segundos, o Sporting CP foi superior durante quase toda a partida.

É sobre este último que me vou debruçar.

Cardinal foi o último pivô de raiz que jogou em Alvalade. Nos anos seguintes tentou-se adaptar Alex, que, muito embora tenha cumprido a sua missão, era muito mais um jogador de ala.

A verdade é que, com a chegada de Rodolfo Fortino, é possível assumir com muito mais segurança um sistema tático com um fixo, dois alas e um pivô. Claro que no futsal moderno os jogadores são versáteis e não podem nem devem colar-se a um determinado espaço do campo, mas, em situações de ataque organizado, é importante ter aquilo a que no futebol se chama um “homem de área”, um verdadeiro finalizador. E foi este italiano que desbloqueou o resultado a favor do Sporting CP com um golpe de cabeça repleto de técnica e de intenção, deixando o seu defensor direto incrédulo e batendo Juanjo de forma exemplar.

Mas este foi apenas um dos muitos golos do italiano ao serviço do Sporting CP, tornando-se no melhor marcador da equipa esta época, com mais um golo que Diogo, outra das grandes contratações leoninas.

Fortino encontra-se no Top 3 de melhores pivôs a nível europeu, como provou na última edição do campeonato europeu de futsal na Sérvia.

É por jogadores como este que é mais que justo ter um pavilhão de e para as modalidades. Temos os melhores jogadores e as melhores equipas.

E em março de 2017 teremos o melhor pavilhão!

Foto de Capa: Sporting CP

Rúben Lourenço Nunes
Rúben Lourenço Nuneshttp://www.bolanarede.pt
Fervoroso adepto sportinguista e completamente apaixonado pelo futebol, tem na escrita uma das suas atividades favoritas. A magia do futebol foi-lhe passada por jogadores como Iordanov, Cherbakov ou Duscher, que tão bem caracterizavam a identidade leonina.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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