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Após mais um teste de fogo ultrapassado com sucesso, frente ao Marítimo, o Sporting prepara-se agora para um ciclo apertado com quatro jogos em dez dias: Besiktas, em casa para a Liga Europa; Moreirense, em casa, para o campeonato; deslocação a Braga para a Taça de Portugal; e nova viagem à Madeira, mas para visitar a equipa do União.

Mais uma vez (começa a parecer tradição neste estádio), foram Adrien Silva e Rui Patrício os homens decisivos nos Barreiros. O Sporting continua na senda das vitórias pela margem mínima mas, na maioria dos jogos, é capaz de apresentar bom futebol, com uma ideia percetível de jogo e bons atletas para a executar. Ora, para o estilo de jogo praticado esta época pela equipa, muito tem contribuído Bryan Ruiz. Talvez desde o saudoso Matías Fernández que não se via uma mente criativa tão prodigiosa a povoar o nosso meio campo ofensivo. Atualmente, o costarriquenho não é o pensador de jogo da equipa, porque essas funções estão a cargo de Adrien e João Mário, os verdadeiros motores “verde e brancos”. Contudo, Bryan consegue impor o seu estilo e emprestar o seu perfume aos desenhos ofensivos do conjunto verde e branco. Quando a bola lhe chega aos pés, parece que fica mais redonda, tornando-se quase um esférico inteligente, com vida própria.

Além de Matigol, só me lembro de mais uma antiga glória do Sporting que tratava tão bem a “redondinha”: o grande capitão Pedro Barbosa. Tal como disse um dia Quinito, também eu era capaz de comprar o Pedro Barbosa para ele jogar no meu quintal. O antigo número 8, que jogou no Sporting entre 1995 e 2005, fazia um pouco o trabalho atualmente executado por Bryan: transporte de bola e afinação das jogadas antes de chegarem à fase final, a fase da finalização. Qual é o exemplo gritante disto tudo? A jogada de Ruiz no final da primeira parte frente ao Belenenses, em que aproveitou alguma apatia “azul” para serpentear entre os defesas contrários e ficar na cara do guarda redes adversário. Qual é o sportinguista que não se lembra de três, quatro ou cinco jogadas destas, ponderadas e executadas pelo “falso lento” mais rápido que o futebol português já viu?

Pedro Barbosa foi uma das mentes mais geniais que o Sporting teve Fonte: Sporting Memória
Pedro Barbosa foi uma das mentes mais geniais que o Sporting teve
Fonte: Sporting Memória

Porém, considero que Bryan poderá ser ainda uma peça muito importante a jogar como segundo avançado esta época, principalmente nos jogos em casa. Naquelas partidas contra equipas muito fechadas no seu “cantinho” (como têm sido literalmente todas as equipas portuguesas que já visitaram Alvalade desde agosto), o costarriquenho pode ser desviado para as costas de Slimani, de forma a deixar uma vaga na ala esquerda para Carlos Mané, Matheus Pereira ou Gelson Martins. Assim, a equipa não só ganha velocidade e explosão na ala como fica com a melhor dupla possível na frente. Não menosprezando Montero, Teo Gutiérrez ou mesmo Tanaka, Bryan Ruiz parece-me o homem ideal para jogar nas costas de Slimani. De entre os quatro avançados, é sem dúvida o mais inteligente e o que tem mais classe na hora de definir as jogadas.

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É precisamente esta classe de Bryan que reaviva a memória dos sportinguistas acerca de Pedro Barbosa. Vezes sem conta, dou por mim sentado na bancada e parece que aquela camisola 20 é afinal uma camisola 8 e que é Pedro Barbosa que está a correr no relvado, tal é a semelhança de movimentos e de toque de bola. É certo que Bryan tem mais “golo” do que tinha Barbosa e joga mais perto da área contrária, mas não me lembro de um jogador tão semelhante ao mítico capitão do Sporting no início deste século. E ser semelhante a Pedro Barbosa é, sem margem para dúvidas, sinónimo de grande jogador e um excelente sinal para os adeptos leoninos.

Por fim, queria só deixar duas notas neste texto: em primeiro lugar, queria chamar a atenção dos sportinguistas para um médio que está na equipa B e que me parece ter potencial para vir a dar muitas alegrias no futuro: Francisco Geraldes. Quem observar três ou quatro jogos da equipa B leonina saberá do que falo. Em segundo lugar, gostava de fazer um apelo ao selecionador nacional Fernando Santos. O que é que Adrien Silva precisa de fazer mais para ser chamado constantemente à seleção? Aliás, a nível de meio campo, os convocáveis para o Europeu podem muito bem sair de apenas oito possibilidades: João Moutinho, Tiago (caso recupere), o trio do FC Porto (Danilo, R.Neves e André André) e o trio do Sporting (William, Adrien e João Mário). Ainda existem dúvidas de que estes são atualmente os melhores médios nacionais?

Foto de capa: Sporting CP

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