Publicidade

O silêncio ensurdecedor de Alvalade

Pedro Miguel Martins · 3 min

sporting CP
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Bater recordes negativos tem sido apanágio da actual Direcção do Sporting CP.  E no último jogo em Alvalade frente ao CS Marítimo obtivemos mais um: apenas 12.798 espectadores marcaram presença em Alvalade, traduzindo assim a pior assistência de sempre registada no novo Estádio de Alvalade desde que abriu portas em 2003. E não foi resultado do mau-tempo que se abateu sobre Lisboa nessa noite…

Tão-pouco recordo-me de viver um cenário tão desolador naquele Estádio. Aliás, cheguei mesmo a pensar que teria hipóteses de ganhar o passatempo “Gamebox de Ouro” naquela noite… O pior foi, na verdade, constatar jogo após jogo que não há um mínimo de alegria entre os adeptos. O ambiente é pesado e percebe-se que um resultado negativo após o apito final pode levar a que os ânimos se exaltem ainda mais escavando ainda mais o fosso da desunião entre sócios e adeptos.

Aliás um ambiente amorfo e pesado como o que foi vivido naquele jogo nem sequer é condigno de um Clube com a grandeza e a história do Sporting CP.

Este recorde negativo não é mais que um dado sintomático e bastante revelador da actual crise do Sporting CP. Uma crise que não é só do futebol profissional como a Direcção leonina e muitos comentadores pretendem dar a entender. Vai muito para além do que se passa nas quatro linhas. É na verdade uma autêntica crise de identidade e que tem o seu principal foco, não nesta Direcção, mas sim nos seus sócios (aquela não se elegeu sozinha).

Durante toda a sua história centenária, o Sporting CP primou sempre pela busca incessante da glória e por ser pioneiro na formação e no desenvolvimento dos seus atletas nas vertentes desportiva e humana. Tudo isto foi e tem sido possível porque o Sporting CP sempre esteve alicerçado numa massa associativa caracterizada por uma cultura de exigência! Exigência de fazer sempre mais e melhor, de nos superarmos todos os dias individual e colectivamente em todas as actividades. Exigência de servir os interesses do Sporting CP acima de tudo.

A cultura de exigência é uma componente decisiva do ADN dos sócios leoninos desde 1906. Só assim se explica, por exemplo, que em toda a sua história o Clube sempre esteve munido dos melhores relvados, ginásios, ringues, pavilhões, etc. E só esta cultura de exigência é capaz de concretizar o “mote” que José Alvalade eternizou aquando da fundação do Clube.

Ora é precisamente esta cultura que se perdeu e só assim se justifica que os sócios do Sporting CP tenham optado por eleger uma classe de dirigentes, submissa de vários lobbies que envergonha e muito. Aliás a cultura de exigência deu lugar à cultura do “tacho” e da auto-promoção para os “Chicões” desta vida.

Uma direcção que não dignifica o Leão, que desune para governar, aliada a uma Mesa da Assembleia Geral que não representa a vontade dos sócios, só pode dar-se como satisfeita pelo ambiente vivido na recepção ao CS Marítimo.

Desunir para governar, a par do fomento do ódio às claques leoninas, tem sido a principal estratégia da Direcção
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Entretanto vão vendendo aos sócios do Sporting CP a ideia de que a fonte de todos os males é Alcochete. Até quando? Uma ladainha falaciosa que temos ouvido todos os dias e que tem como único objectivo mentalizar-nos para uma “inevitável” venda da SAD leonina que significará a derradeira delapidação do património leonino.

O cenário dantesco do jogo frente ao CS Marítimo irá certamente perdurar nas próximas jornadas, juntamente com o silêncio ensurdecedor vindo da Curva Sul. Na verdade, parece que a actual Direcção baniu a Juventude Leonina, mas em simultâneo empestou o Clube com a Juventude Popular…

Cabe a nós, sócios do Sporting CP, se realmente amarmos este clube, colocar egos e diferenças de parte, reencontrar a identidade leonina e expurgar tudo o que não serve o superior interesse do Clube.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Pedro Miguel Martins

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.