Sporting 4-0 Paços de Ferreira: O Sporting de 21 anos

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William Carvalho, de 21 anos, é a imagem deste Sporting: jovem, recém aparecido, tranquilo e confiante das suas capacidades. Todos os adjectivos são facilmente reconhecidos tanto ao trinco português como à equipa de Alvalade. Mas, para além disso, muito se pode dizer sobre o que é e será o presente e futuro de tanto do jogador como do próprio clube. No final da 11ª jornada, quem foi o melhor jogador da Liga? E a melhor equipa? Na minha forma de ver são, exactamente, William e o Sporting. Mas, tanto um como outro, terão de provar que têm estofo para manter o nível. Mesmo que, tanto um como o outro, não tenham a responsabilidade de o fazer.

O Sporting venceu hoje, por 4-0, o Paços de Ferreira, que não sofria golos há vários jogos. É a quarta vez que a equipa de Leonardo Jardim vence por quatro golos de diferença. Em onze jogos, quatro foram vencidos por tal diferença de golos. Pelo meio, uma derrota no Dragão – talvez o campo mais difícil do campeonato – e dois empates em casa, com Benfica e Rio Ave. Para já, saldo francamente positivo. Mas quando há um plano e uma estrutura consolidados – e, depois de tanto se esperar, finalmente há! – não é a meio do caminho que se alteram rotas. O Sporting não é candidato ao título! Apenas e só porque não foi com esse fim que preparou a época. Mas, como já se entendeu, essa meta inferior traçada em tempo certo pode muito bem vir a ser amiga do leão.

William Carvalho tem um percurso idêntico. Chegou ao clube na pré-época practicamente sem se dar por ele, trabalhou na hora e medida certas, empenhou-se e ganhou lugar não apenas no plantel como no onze. Correu por fora, sem pressões, e mostrou-se o melhor. Primeiro, para a posição. Depois, da equipa. Agora, muito provavelmente, do campeonato. Com 21 anos, mas com serenidade de veterano, William soube, segundo Sven Jaecques, director técnico do Cercle de Brugge, fugir das tentações que a vida na Bélgica lhe ia oferecendo. Diz o mesmo que o jovem jogador tinha ao seu dispor chocolate, cerveja e mulheres em quantias excessivas, mas que conseguiu perceber que não era esse o caminho. De igual forma, o Sporting deve resistir à mudança de objectivos que acrescentará apenas pressão dispensável a um conjunto talentoso mas, ao mesmo tempo, jovem e curto quando comparado com o do Porto e Benfica.

É exactamente essa uma das diferenças deste Sporting para o de anteriores anos: quando, na possibilidade de ascender ao primeiro lugar, era clássico o acusar de pressão em Alvalade. Hoje o que se viu foi o contrário. Um sinal de motivação extra, como deve ser, por existir espaço para se subir mais um degrau. O Sporting entrou bem, pressionante, como que a mostrar ao Paços que a derrota do Porto não ia jogar a seu favor. Como fruto dessa atitude positiva, marcou cedo e desbloqueou assim qualquer tipo de nervosismo que se pudesse instalar. O autor do golo? William Carvalho. O melhor em campo? O autor do primeiro golo. Daí em diante foi tudo relativamente fácil.

Ouvi, do que considero ser o melhor comentador futebolístico do país, Carlos Daniel (um dia hei-de parar de o citar, prometo), que as equipas se revêem nos seus trincos: equipa de trinco destrutivo dificilmente jogará muito bem ofensivamente; equipa de trinco macio dificilmente defenderá muito bem; equipa de trinco equilibrado estará sempre mais perto de jogar bom futebol. E assim é o Sporting. O trinco é, a meu ver, a posição mais importante do futebol actual. Qual foi o último grande trinco que actuou em Alvalade? Miguel Veloso, quando na sua melhor forma. E, desde aí, o Sporting deixou de conseguir lutar pelo título. Admito que os problemas vão muito além da qualidade do trinco utilizado, mas, como Carlos Daniel disse, o Sporting tem sido um reflexo do trinco que utiliza. O Benfica da época passada, apesar de ter terminado sem qualquer título, é a prova da teoria dos trincos. Matic foi o melhor jogador do plantel e a qualidade do futebol praticado foi de alto nível.

Publicação de William Carvalho no seu Instagram
Publicação de William Carvalho no seu Instagram

Agora é a hora de fazer aquilo de que não gosto: a futurologia. Com base no apresentado, no máximo, tenho condições para afirmar que o Sporting pode lutar pelo título. Pode manter o nível apresentado. Pode assegurar a força de vontade própria dos 21 anos, idade com que todos nós sonhamos conquistar os objectivos traçados, mais pela ambição do que pela razão. Como William, o Sporting pode vir a ser o melhor. Mas não tem essa obrigação. Trabalhar arduamente e manter o equilíbrio entre alegrias e possíveis desapontamentos é o caminho que leva às estradas do sucesso. Estradas essas que serão percorridas pela certa. Este ano ou no próximo, “ninguém vai poder atrasar quem nasceu para vencer”.

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