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O título está em quarentena

Romão Rodrigues · 3 min

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Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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“Em tempos de pandemia” ou “quando o verme COVID-19 atracou em Portugal…” nunca constituíram, numa possibilidade futurista e no interior do meu cérebro, frases que eu pensasse ou ousasse pensar, muito menos coisas que eu pudesse transmitir aos que sucedem na árvore genealógica. Normalmente, os nossos avós relembram guerras, pobreza extrema e tempos ditatoriais, enquanto que a minha geração afirmará, à boca cheia, que esteve “de quarentena”, fechado em casa, no sofá, a cumprir o slogan “Netflix & Chill”, realizando a permuta constante entre as redes sociais. Observar o brilho nos olhos das crianças é mais do que aquilo que merecemos e muito mais do que os nossos avós merecem. E, se isso acontecer, perde-se a geração vindoura…

Bem, explorando o cerne da questão: lavar bem as mãos, isolamento, não visitar pessoas de idade, efetuar a desinfeção sempre que alternamos a atividade, distanciamento social, corte nos beijos, carícias e abraços, encerramento de escolas, universidades e fronteiras. Andar à paulada por papel higiénico e produtos de primeira necessidade, antevendo a divisão do momento epidémico com a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial. Bem, nem tudo é mau: a fuga aos carinhos de Marcelo Rebelo de Sousa tornou-se desnecessária e o Big Brother adiou a sua estreia. (Não, não é esse, é o que irá ser apresentado pelo Cláudio Ramos).

O assunto em voga é o bicho que nos obriga a quarentena, o resto é paisagem e superficialidade. Inclusive o futebol, esse desporto que acorrenta milhões e milhões, que mede paixões que pecam por desmedidas e que aglomera processos judiciais absurdos. E agora? Como é que vamos suportar a ausência indefinida da nossa amada equipa? De que modo é suposto extravasar as frustrações e insultar a mãe do árbitro se ele não está disposto no nosso campo de visão? A pergunta seguinte incluía o tema de discussão no café da esquina mas, de repente, avivou-me a memória o isolamento.

Como sportinguista, e de modo a combater dois vírus em simultâneo (não se esqueçam da crise interna e do Hugo Viana!), ofereço ao leitor uma solução que olvida as eventuais saudades que possa sentir pelo facto de não demonstrar, durante este período, apoio ao Sporting Clube de Portugal: com um final feliz, incorporado com dois pacemakers para o caso de desmaio, com os golos ao cair do pano, com o prolongamento sofrido e exaurido e com as grandes penalidades defendidas pelo Rui Patrício manco, repito, manco, a final do Jamor (2015) está disponível no Youtube pela módica quantia de nem um cêntimo. (Se ler isto com a voz de Fernando Mendes e se colocar mentalmente no Preço Certo, isto é capaz de ter alguma piada.)

No tempo em que reinava a esperança, fomos felizes. Agora, resta-nos aproveitar as dádivas que o SC Braga nos tem dado: desavenças constantes e um treinador que orientou duas partidas (um jogo a contar para Liga NOS e uma partida de jogo do galo seguida, pelos adeptos, no Twitter) e ainda não perdeu. Os sportinguistas que se deixam levar por esta onda de esperança, que aproveitem a quarentena e que reciclem a energia que nos move, reaproveitando os índices de confiança para o que resta da época e das competições nas quais estamos inseridos.

Ah, pois é, deixem lá. Sintonizem na Netflix só!

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Romão Rodrigues

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Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

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