Os duelos dentro do duelo eterno

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Em Portugal, a época desportiva, no que toca ao futebol, começa oficialmente com a Supertaça Cândido de Oliveira, uma prova antiga no nosso país que coloca frente a frente o vencedor do campeonato, o Sport Lisboa e Benfica, e o vencedor da Taça de Portugal, o Sporting Clube de Portugal. É uma prova em que os clubes colocam pela primeira vez a “carne no assador”, o que acaba por ser uma forma de lapidar os últimos detalhes para o início do campeonato.

Quer num clube quer noutro, existem excelentes jogadores que certamente terão um lugar indiscutível nesta supertaça e como tal, iremos analisar e colocar frente e frente os mais importantes de cada lado.

Começando pelo eixo defensivo, destacam-se Jérémy Mathieu do lado do Sporting e Rúben Dias do lado do Benfica, pois são jogadores com características e idades diferentes, mas imprescindíveis no que toca ao rendimento desportivo. Começando por Jérémy Mathieu. É um dos defesas com mais charme a atuar em Portugal, provavelmente devido à sua idade, com 35 anos, pois nota-se claramente que sabe sempre o que está a fazer em campo. Faz desarmes e “dobras” aos companheiros com muita classe e sabe quando é necessário avançar no terreno, para criar desequilíbrios na defesa adversária.

É um jogador tão imprescindível que Frederico Varandas tudo fez para manter o atleta por mais uma época. Devido ao excelente departamento médico do clube, o clube leonino conseguiu “recuperar” um defesa que parecia afundado em lesões no FC Barcelona e o campeonato português só fica a ganhar com esta classe que Mathieu oferece.

Já no lado do Benfica, Rúben Dias é atualmente o patrão da defesa encarnada e é também, sem dúvida, dos melhores centrais a atuar em solo lusitano. Com apenas 22 anos, o rendimento em campo faz inveja a muitos que estão bastante “batidos” na liga e a sua qualidade é evidente e indiscutível. Por vezes é acusado de ser agressivo e por vezes tal facto confirma-se, com entradas perigosas e atitudes menos boas, contudo Pepe também o era e não foi por isso que deixou de ser um dos melhores centrais a atuar na Europa.

Como tal, nenhum adepto benfiquista o pode criticar por falta de empenho, respondendo às críticas com eficiência, excelentes desarmes e coberturas, sendo uma autêntica “parede” no eixo defensivo. Fala-se numa possível saída mas deveria ficar, pelo menos, mais uma época pois certamente que os adversários do clube encarnado terão muito mais dificuldades em marcar golo com ele em campo.

Passando para a zona central do terreno, Pizzi tem sido peça chave no Benfica ao longo dos anos. Sendo um jogador bastante versátil, possui grande visão de jogo, muita qualidade no passe (as 19 assistências da época passada são prova disso mesmo) e é um médio que aparece muito bem em zonas de finalização, sendo atualmente o “motor” da equipa encarnada. Com o passar das épocas, nem o avançar da idade (tem atualmente 29 anos) lhe tiram o protagonismo no emblema da Luz. Não esquecendo que chegou, proveniente do Atlético de Madrid, como extremo e atualmente é dos melhores centrocampistas a atuar no campeonato, tendo inclusive ganho um prémio, na época 2016/2017, como o melhor jogador da nossa liga. Como tal, com ele em campo o clube encarnado fica descansado no que toca à qualidade no miolo do terreno e não poderia estar melhor servido, pois é um jogador que sente a camisola como poucos.

O confronto entre rivais, que marca o início da época, será na relva algarvia e logo com um troféu em jogo
Fonte: Site FPF

No que toca ao meio campo leonino, poucas dúvidas restam quanto ao que sobressai mais, pois a maior parte dos amantes do futebol ainda perguntam como é que Bruno Fernandes continua a servir as cores leoninas. Com 24 anos, a sabedoria que demonstra em campo está ao nível dos melhores da Europa e já existem poucas palavras para o descrever, porque mesmo num clube que ficou em terceiro lugar num campeonato bastante competitivo, conseguiu bater o recorde do médio com mais golos na Europa, na altura pertencente a Alex que atuava na Turquia.

É um prazer ver este jogador jogar em Portugal e a opinião de que merece outros voos é unânime, sendo que a sua saída esta época parece o cenário mais provável. A estrutura leonina de tudo está a fazer para pelo menos jogar a Supertaça. Contudo, ninguém o poderá criticar se optar pela saída, porque durante duas épocas sempre foi o jogador com mais “raça” e que “carregou a equipa às costas”, e como tal merece definir o seu destino, independentemente da opinião pública.

Falando agora na frente de ataque, poderia falar em Carlos Vinícius, Raúl de Tomás e Luciano Vietto, por exemplo, mas Vietto e R.D.T. são estreantes em terras lusas e como tal nada demonstraram do que são capazes, num campeonato onde as equipas com menos grandeza são exímias a fechar todos os espaços. Já Vinícius demonstrou muita qualidade ao serviço do Rio Ave, tendo sido contratado pelo Mónaco, mas jogar numa equipa com a grandeza do Benfica será um grande desafio para o avançado e por isso ainda é cedo para ser o avançado referência dos encarnados. Tendo em conta esses fatores, os nomes em destaque nos eternos rivais de Lisboa são Bas Dost e Haris Seferovic.

São jogadores com características totalmente opostas e isso reflete-se nas respetivas maneiras de jogar. Começando por Bas Dost, o holandês é um jogador em vias de extinção nos dias de hoje porque é exímio na finalização ao primeiro toque. Não é um “playmaker” e é um dos pontos negativos que possui, mas se for bem servido, Dost é uma autêntica máquina de golos, ao nível dos melhores da Europa, e que sente como poucos todos os golos que marca.

Fala-se numa possível venda do avançado, muito devido à perda de protagonismo que teve na última época, mas Marcel Keizer tem que “abrir os olhos” e perceber que o futebol tem várias maneiras de ser jogado e que são os treinadores que se têm que adaptar aos jogadores e não ao contrário. Caso Bas Dost saia, e com a mais provável saída de Bruno Fernandes, o clube leonino terá menos hipóteses de ser campeão porque simplesmente perde os seus melhores goleadores.

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Já Seferovic é um ponta de lança que está muito “na moda”, no bom sentido, porque é muito forte nas transições ofensivas, à imagem do estilo de jogo de Bruno Lage, e possui uma grande capacidade de finalização e aproveitamento do trabalho dos companheiros de equipa. Passa todo o jogo em “altas rotações” e por isso é uma excelente primeira linha no que toca ao processo defensivo, massacrando a construção do adversário, conseguindo com isso muitas recuperações de bola em zonas adiantadas no terreno. Na sua época de estreia, pairavam algumas dúvidas em torno do avançado, mas na época passada calou todos os críticos, ao ser o melhor marcador do campeonato com 23 golos. Ainda há pouco tempo Luís Filipe Vieira renovou o seu contrato e faz todo o sentido que isso aconteça, depositando assim um voto de confiança, mesmo com a chegada de dois avançados com bastante qualidade.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede 

artigo revisto por: Ana Ferreira

João Flora
João Florahttp://www.bolanarede.pt
O João é estudante de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. O Sporting é o seu clube do coração e apesar de não ir a tantos jogos como gostava, acompanha sempre tudo o que envolve o mundo leonino. O João também se mantém informado não só sobre o futebol internacional, considerando o futebol Inglês o melhor, mas também como as modalidades leoninas.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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