Os jogadores fazem o esquema táctico

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Sempre se discutiu a importância de utilizar um ou outro esquema táctico e o facto de ter sempre uma táctica alternativa para os jogos que se tornem mais complicados e “encaixados”.

Considero que, para todas as “batalhas” em que entremos, as devemos planear sempre com mais que uma alternativa, uma vez que teremos pela frente um adversário que nos pode criar dificuldades que poderíamos não esperar. Assim, tendo algo que possa criar mudança e desestabilização no adversário, será sempre importante.

Para que isso seja possível, o treinador, ao construir um plantel, deverá ter em consideração o facto de poder contar com jogadores de características diferentes que, ao entrarem em jogo, possam alterar a forma de jogar da equipa e surpreender o adversário.

Bruno Fernandes é um dos jogadores que tem características que não havia antes no plantel Fonte: Super Sporting
Bruno Fernandes é um dos jogadores que tem características que não havia antes no plantel
Fonte: Super Sporting

Este foi um defeito que sempre apontei ao nosso treinador Jorge Jesus, ou seja, o facto de não ter uma alternativa ao seu esquema de jogo preferencial, o “quatro-quatro-dois”. Defeito esse que o mesmo parece estar a querer corrigir este ano. Aplaudo a intenção, mas receio pelas opções que tem no plantel.

Como vimos nos primeiros jogos de pré-época, Jorge Jesus optou por colocar a equipa a jogar em “três-quatro-três”, sendo este um esquema que, apesar de sugerir que jogamos com menos defesas e mais médios, conta com um quarteto de meio campo em que dois são os laterais, que jogarão sempre mais projectados para o ataque (com este perfil temos apenas Coentrão). Isto pede muito mais trabalho de compensações aos dois médios que joguem no miolo. Este esquema obriga a ter centrais rápidos e bons tecnicamente, com capacidade de sair a jogar e rápidos a recuperar a posição, o que não acontece com os que jogam actualmente com mais frequência no Sporting e isso viu-se neste último jogo em que Mathieu tentou sair a jogar, perdeu a bola e sofremos golo (também já aconteceu com Coates). O central que melhor se adequaria ao esquema de três centrais seria o Paulo Oliveira pela sua rapidez.

Com este esquema precisaremos de médios e avançados pressionantes que não deixem o adversário pensar o jogo, e não permitam o lançamento de bolas para as costas da defesa. Esse será o nosso maior problema no campeonato português, uma vez que iremos jogar a maior parte das vezes contra equipas que defendem e tentam sair para o ataque com dois ou três avançados bem rápidos (dois avançados rápidos contra três defesas lentos não parece promissor). Assim, se conseguirmos manter Adrien Silva e William Carvalho até podemos conseguir ter sucesso no esquema de “três-quatro-três”, mas não me inspira grande confiança.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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