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Os jogadores fazem o esquema táctico

Nuno Almeida · 4 min

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Sempre se discutiu a importância de utilizar um ou outro esquema táctico e o facto de ter sempre uma táctica alternativa para os jogos que se tornem mais complicados e “encaixados”.

Considero que, para todas as “batalhas” em que entremos, as devemos planear sempre com mais que uma alternativa, uma vez que teremos pela frente um adversário que nos pode criar dificuldades que poderíamos não esperar. Assim, tendo algo que possa criar mudança e desestabilização no adversário, será sempre importante.

Para que isso seja possível, o treinador, ao construir um plantel, deverá ter em consideração o facto de poder contar com jogadores de características diferentes que, ao entrarem em jogo, possam alterar a forma de jogar da equipa e surpreender o adversário.

Bruno Fernandes é um dos jogadores que tem características que não havia antes no plantel Fonte: Super Sporting
Bruno Fernandes é um dos jogadores que tem características que não havia antes no plantel
Fonte: Super Sporting

Este foi um defeito que sempre apontei ao nosso treinador Jorge Jesus, ou seja, o facto de não ter uma alternativa ao seu esquema de jogo preferencial, o “quatro-quatro-dois”. Defeito esse que o mesmo parece estar a querer corrigir este ano. Aplaudo a intenção, mas receio pelas opções que tem no plantel.

Como vimos nos primeiros jogos de pré-época, Jorge Jesus optou por colocar a equipa a jogar em “três-quatro-três”, sendo este um esquema que, apesar de sugerir que jogamos com menos defesas e mais médios, conta com um quarteto de meio campo em que dois são os laterais, que jogarão sempre mais projectados para o ataque (com este perfil temos apenas Coentrão). Isto pede muito mais trabalho de compensações aos dois médios que joguem no miolo. Este esquema obriga a ter centrais rápidos e bons tecnicamente, com capacidade de sair a jogar e rápidos a recuperar a posição, o que não acontece com os que jogam actualmente com mais frequência no Sporting e isso viu-se neste último jogo em que Mathieu tentou sair a jogar, perdeu a bola e sofremos golo (também já aconteceu com Coates). O central que melhor se adequaria ao esquema de três centrais seria o Paulo Oliveira pela sua rapidez.

Com este esquema precisaremos de médios e avançados pressionantes que não deixem o adversário pensar o jogo, e não permitam o lançamento de bolas para as costas da defesa. Esse será o nosso maior problema no campeonato português, uma vez que iremos jogar a maior parte das vezes contra equipas que defendem e tentam sair para o ataque com dois ou três avançados bem rápidos (dois avançados rápidos contra três defesas lentos não parece promissor). Assim, se conseguirmos manter Adrien Silva e William Carvalho até podemos conseguir ter sucesso no esquema de “três-quatro-três”, mas não me inspira grande confiança.

Se um dos médios sair, ou mais propriamente Adrien Silva, e se o treinador continuar a insistir em jogar com três centrais, seria mais seguro apostar no esquema de “três-cinco-dois”, uma vez que permite jogar com três médios (posição seis, posição oito e posição dez) e dois avançados (Dost e Doumbia). Penso que tornaria a equipa mais equilibrada, resguardando mais os seus defesas. No entanto, se este fosse o esquema escolhido, Gelson Martins deveria ser vendido uma vez que Jorge Jesus poderia ter a tentação de o colocar a jogar numa posição que não a sua.

Está na hora de se dar um murro na mesa e Adrien Silva fará falta em qualquer esquema táctico em que o Sporting jogue Fonte: Sporting CP
Está na hora de se dar um murro na mesa e Adrien Silva fará falta em qualquer esquema táctico em que o Sporting jogue
Fonte: Sporting CP

Com este esquema, jogadores como Matheus Pereira e Iuri Medeiros perderiam espaço uma vez que, não necessitando de extremos, e com o corredor central já com várias opções, não sobram lugares onde os mesmos pudessem ambicionar jogar.

O que quero dizer é que, com este conjunto de jogadores, o esquema de três centrais não seria o mais adequado. E a ver pela contratação de Acuña, e adivinhando uma frente de ataque com Bas Dost e Doumbia, acredito que o esquema a utilizar será o 4-4-2 que Jorge Jesus tanto gosta, ficando o esquema de 3 centrais como alternativa.

Nestes últimos jogos, o que me preocupou mais foi mesmo o facto de estarmos a insistir em treinar um esquema alternativo, descurando o que utilizaremos com mais frequência e as rotinas que o mesmo abrange. Pode, no entanto, estar a trabalhar-se mais afincadamente na táctica que utilizaremos no playoff da Champions League, uma vez que, com certeza será contra uma equipa forte, que nos pode obrigar a defender muito. Mas se assim for, teremos de nos preocupar com os muitos golos que temos sofrido, essencialmente por erros individuais. Os resultados, por si só, pouco me dizem uma vez que se fosse pelas vitórias da pré-época já teríamos sido campeões bem mais vezes.

E para terminar, como sou apenas um curioso, que comparado com o mestre da táctica pouco percebe de futebol, vou confiar que teremos uma equipa equilibrada, com grandes jogadores, a dar-nos muitas alegrias que culminarão com a conquista de tudo o que houver para ganhar. Porque todas as teorias estão certas até ao momento em que começa a rolar a bola. E é essa, a bola, que vai provar quem está certo ou errado, dependendo da variante que resolve tudo no futebol: se a bola entra ou não.

Fonte de capa: Sporting CP

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Nuno Almeida

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