Os sinais do mercado de janeiro (ou a falta deles) | Sporting CP

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O Sporting CP está eliminado – já – de dois dos objetivos, estamos “apenas” na luta pelo campeonato. (Taça da liga não conta para salvar a época, ainda que, a ganhá-la, festejarei como festejo todas as vitórias do nosso clube) Assim sendo, falhando o título, passaremos mais uma época à semelhança de tantas outras (exceptuando a melhor época dos últimos 10 anos, segundo o nosso presidente).

A equipa vem descendo de produção pelas poucas opções que o plantel apresenta, mas tenho a sensação que a actual direção as ache suficiente para disputar o campeonato até ao fim e ganhá-lo. Ou isso, ou também já desistiu de vencer esse último objectivo. Porque este é o mais difícil de conquistar.

Não entenderam ainda que, sem risco e investimento, não vem o lucro? Qualquer empresa que não corra o risco, não invista, ainda que tenha de o fazer com valores que perspectiva vir a ganhar, nunca vai conseguir crescer. Deve projetar novos limites para continuar a crescer. Se se contentar com o que tem, nunca poderá ambicionar manter-se no topo.

Só estaremos mais perto de ganhar se não tivermos medo de perder, mas o Sporting CP parece já ter desistido de crescer. Parece considerar não valer a pena o risco de investir no reforço desta equipa.

Quase parece resignado à ideia do “vamos ver se assim chega”… porque “para já estamos em primeiro”. É este pensamento limitado que poderá vir a fazer com que daqui a pouco tempo já andemos a dizer que “com uma equipa tão jovem era quase impossível”.

Ainda estamos a tempo de mudar isso. E percebe-se que mesmo “apenas” para o campeonato, este plantel é curto.

Percebe-se isso quando o Sporting CP tem de jogar com Borja a central e Plata a lateral. Ou quando, para poder tentar ganhar um jogo, temos apenas Jovane que nem é um avançando centro, ou Coates a ponta de lança.

Gonzalo Plata veio rotulado de craque, mas ainda não demonstrou merecer o epíteto
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Para já, continuamos com os mesmos com que começamos a época. Veremos se a direção aposta mesmo nesta equipa e mostra querer ganhar. Porque, para motivar uma equipa, não é querendo passar a ideia que confia nos que estão e chega. Tem de se passar uma ideia de ambição, tentando melhorar sempre o que já existe. E se temos uma boa equipa base, temos sempre de tentar melhorá-la. Aí sim, os próprios jogadores podem ver sinais de que a direção está empenhada neles e em querer ganhar.

Para já, estamos a meio do mês de transferências e não se vislumbra nenhuma movimentação. E num clube que em novembro já se costuma falar em 20 reforços, começa a ser estranho não se falar de ninguém, ou quase.

Ou esta direção está a trabalhar muito bem, ou efectivamente a equipa está mesmo abandonada à sua sorte. No fundo é como mandar soldados para a guerra com balas contadas. A certa altura ficamos sem munições.

Muitos falam que se terminarmos janeiro em primeiros somos campeões, mas se não se reforçar a equipa, acredito que a maior dificuldade estará mesmo entre março e maio. Até porque onde perdemos mais pontos não foi contra adversários diretos. Foi contra FC Famalicão e Rio Ave FC. Para além de termos sido eliminados da taça por uma equipa de meio da tabela.

Os dias esgotam-se e Frederico Varandas ainda não consumou nenhum negócio para as hostes leoninas
Fonte: Sporting CP

Por isso não, não será janeiro o principal indicador do nosso futuro nesta época desportiva. Ou até pode ser, se significar um reforço em quantidade e qualidade do plantel.

Espero estar enganado e que no fim de janeiro tenhamos as armas que precisamos para lutar efectivamente e de forma realista pelo campeonato, o único objetivo que ainda temos esta época. Senão, quererá apenas dizer que para esta direção o terceiro chega… e mesmo assim, estão a arriscar.

Espero estar enganado. E com certeza esta direção e este plantel vão mostrar-me que o que estou aqui a escrever está tudo errado.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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